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*Por Antônio Zacarias - Enquanto a atenção do público ainda se volta para as renúncias do ex-governador Wilson Lima e do vice, uma disputa discreta e altamente estratégica começou a se desenhar nos bastidores: o controle político do governo tampão.
A renúncia de Wilson Lima, que agora se prepara para novos desafios eleitorais, abriu caminho para o presidente da Assembleia, Roberto Cidade, assumir interinamente o governo. Mas, embora o mandato seja temporário, o poder da caneta em suas mãos tem o potencial de redefinir completamente o tabuleiro de 2026.
O AFUNILAMENTO DAS OPÇÕES
No início das movimentações, o leque de nomes era amplo. Ventilou-se a candidatura do deputado Rozenha, aliado do senador Omar Aziz; logo depois, o nome do deputado federal Marcelo Ramos também foi cogitado, além do próprio Omar.
No entanto, o jogo começou a se fechar em torno de um nome de consenso: Roberto Cidade. O favoritismo do presidente da Aleam não é apenas uma questão de sucessão natural, mas o resultado de um acordo complexo que está sendo costurado nos corredores do poder.
O PACTO DE NÃO DISPUTA
O ponto central dessa articulação é um compromisso delicado: Roberto Cidade assumiria o governo tampão com o compromisso de não disputar a reeleição em outubro.
Esse acordo busca pacificar as forças políticas, evitando que a máquina estatal se transforme em uma plataforma de lançamento para um adversário direto do senador Omar Aziz. Para os articuladores, garantir que o governo tampão seja neutro é a chave para manter o equilíbrio das alianças atuais
O RECEIO DO ROMPIMENTO
Apesar do otimismo com o acordo, o clima nos bastidores ainda é de vigilância. Há um receio latente entre lideranças de que, após sentir o peso do cargo e o comando da máquina, Roberto Cidade possa romper o compromisso durante as convenções em julho.
O temor é que o uso estratégico da máquina para conquistar prefeitos e lideranças do interior torne a tentação da reeleição irresistível. Em política, um compromisso assinado em abril pode ser testado pela realidade do poder em junho.
A PRIMEIRA BATALHA DE 2026
No discurso oficial, a eleição indireta é uma solução institucional para garantir a estabilidade do Estado. Nos bastidores, porém, todos sabem que se trata da primeira grande batalha da corrida para 2026.
O controle da Assembleia Legislativa colocou os deputados estaduais no centro do tabuleiro. Cada conversa reservada e cada compromisso firmado agora servirá como alicerce para as coligações que virão. O jogo está em andamento: silencioso, estratégico e, acima de tudo, decisivo.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.