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'SEGREDOS DE BASTIDORES': O PALANQUE IMPROVÁVEL QUE SUSPENDE RIVALIDADES E EMBARALHA A DISPUTA PELO GOVERNO DO AMAZONAS
Foto: Reprodução / PORTAL DO ZACARIAS

 

*Por Antônio Zacarias - Não foi apenas um evento institucional. Não foi só mais uma agenda política.

O que se viu no Fórum Estadual das Casas Legislativas do Estado do Amazonas foi uma encenação cuidadosamente construída de convivência entre adversários, alguns históricos, outros iminentes.

Mais do que presença, houve sintonia. E, em política, sintonia pública raramente é espontânea.

 

O PALANQUE QUE NÃO EXISTIA

 

A reunião de Roberto Cidade, Omar Aziz, Wilson Lima e Eduardo Braga quebra uma lógica recente de enfrentamento direto.
Ali estavam, no mesmo espaço, atores que disputam poder, influência e, sobretudo, o comando do Estado.E estavam sorrindo.

 

A NOVA CENTRALIDADE DE CIDADE

 

No centro do tabuleiro está Roberto Cidade. Ao assumir o governo de forma interina e se colocar como potencial candidato à reeleição, ainda que dentro da condição de “mandato-tampão”, ele passa a ocupar uma posição estratégica: a de árbitro momentâneo do jogo.

Com a caneta na mão e o tempo como aliado (ainda que curto), Cidade atua para reduzir tensões e ampliar seu campo de diálogo. O Feclam foi a vitrine desse movimento.

 

A DISPUTA PELO GOVERNO EM MODO SILENCIOSO

 

O ponto mais sensível do encontro está na relação entre Omar Aziz e Roberto Cidade.Ambos têm o mesmo objetivo: o Governo do Amazonas.

Em condições normais, isso significaria tensionamento, marcação de território e início precoce de confronto.Mas o que se viu foi o oposto: alinhamento de discurso, ausência de mal-estar e convivência civilizada.

Esse comportamento indica duas hipóteses clássicas de bastidor:ou há construção de entendimento futuro, com possibilidade de composição ou rearranjo de candidaturas,
ou estamos diante de uma disputa que já começou, mas que será travada longe dos holofotes.

 

A TRÉGUA ENTRE RIVAIS

 

Se a relação entre Cidade e Omar chama atenção, o mesmo vale, talvez até mais, para o encontro entre Wilson Lima e Eduardo Braga.
Os dois protagonizaram embates duros desde 2018, com ápice na eleição de 2022.

A ausência de confronto direto, a linguagem neutra e o ambiente sem hostilidade indicam uma trégua. E, em ano eleitoral, trégua não é reconciliação, é pragmatismo.

 

O “CALMANTE”

 

Nos corredores, a pergunta é inevitável: o que mudou?A ascensão de Cidade ao governo parece ter funcionado como elemento moderador. Há sinais de que pontes foram construídas, ainda que o conteúdo dessas negociações permaneça fora do alcance público.

Na política, gestos antecedem acordos. E o gesto foi dado.

 

A PEÇA QUE OBSERVA DE FORA

 

A presença de Maria do Carmo Seffair, fora do palco principal, também carrega simbolismo. Ela está no jogo, mas ainda não integrada ao núcleo de articulação que dominou o evento.

Isso indica que, enquanto um bloco ensaia convergência, outros ainda operam de forma paralela.

 

O EFEITO DA RENÚNCIA

 

A saída de Wilson Lima do governo foi o movimento que desmontou o tabuleiro original. Ao abrir espaço para Cidade, criou-se um novo centro de poder? menos polarizado, mais negociador.

Esse novo eixo altera dinâmicas, reposiciona adversários e cria oportunidades de alianças improváveis.

 

A GUERRA DE NARRATIVAS

 

O silêncio público não significa ausência de disputa. Pelo contrário. O confronto deixou o palco e foi para os bastidores, onde acordos são testados, alianças são sondadas e estratégias são recalibradas.

O Feclam não foi o fim da disputa, foi a suspensão temporária dela em público.

 

O TEMPO COMO ARMA POLÍTICA

 

Os meses de gestão de Cidade têm peso desproporcional.Cada agenda, cada evento e cada imagem construída passam a funcionar como peça eleitoral.

Manter esse ambiente de estabilidade e diálogo pode ser tão estratégico quanto qualquer obra ou entrega administrativa.

 

OS ADVERSÁRIOS NÃO DORMEM

 

Apesar da aparência de unidade, todos os atores seguem em estado de alerta.
O mesmo palanque que hoje abriga sorrisos pode, amanhã, ser palco de ataques.

Na política, a convivência é, muitas vezes, apenas uma fase da disputa.

 

CAPITAL POLÍTICO EM RECONFIGURAÇÃO

 

O que está em curso é uma redistribuição de forças:

Cidade busca se consolidar como articulador e gestor;

Omar preserva seu capital enquanto avalia o terreno;

Braga mede riscos e oportunidades; Wilson reposiciona sua influência fora do cargo.

E, ao redor deles, outros nomes tentam encontrar espaço nesse novo desenho.

 

O JOGO DUPLO

 

Há um risco evidente: o eleitor interpretar essa aproximação como incoerência ou excesso de pragmatismo. Mas também há uma oportunidade: construir uma frente ampla que redesenhe completamente o cenário eleitoral no Amazonas.

Tudo depende de como esses movimentos serão explicados, ou escondidos.

 

CONCLUSÃO DE BASTIDOR

 

O que o Feclam revelou não foi um momento de unidade, mas um momento de transição. As rivalidades continuam existindo, apenas foram colocadas em modo de espera.

No Amazonas, o jogo não ficou mais simples. Ficou mais sofisticado. E, quando a política se torna silenciosa demais, é sinal de que as decisões mais importantes estão sendo tomadas longe do público.

 

* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.

Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.

Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.

Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.

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