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*Por Antônio Zacarias - Na política, um número sozinho não diz nada.
O que importa é o contexto.
E o contexto da pesquisa AtlasIntel, divulgada na última quarta-feira, está gerando mais perguntas do que respostas nos bastidores.
Para quem precisa debater esses dados, aqui estão os pontos onde a "chapa esquenta":
A BOLHA DO ALGORITMO
A AtlasIntel não usa entrevistadores nas ruas.
Usa recrutamento digital (RDR).
O eleitor responde enquanto navega na internet.
O problema?
Isso tende a captar o eleitor "superengajado".
Aquele que já tem lado.
Aquele que vive a polarização.
O eleitor silencioso do interior, que não vive no Twitter ou em portais de notícias, acaba ficando de fora da amostra real.
O MISTÉRIO DOS INDECISOS
Este é o ponto mais frágil de todos.
A Atlas aponta apenas 1,7% de indecisos.
Já a Real Time Big Data, na mesma semana, mostra que 63% dos eleitores ainda não sabem em quem votar (espontânea).
A meses da eleição, ninguém tem 98% de definição.
Dizer que quase todo o Amazonas já escolheu seu governador em março de 2026 é ignorar a realidade da rua.
O "ENCOLHIMENTO" INEXPLICÁVEL DE DAVID
David Almeida aparece com 9,9%.
Em qualquer outra pesquisa (Real Time, Quaest, Perspectiva), ele flutua entre 20% e 30%.
Como um prefeito com a máquina de Manaus na mão "perde" dois terços dos seus votos de uma semana para outra?
A conta não fecha.
Ou os outros institutos estão errados há meses, ou a Atlas captou apenas uma fatia muito específica da capital.
A FORÇA DE MARIA: REALIDADE OU ONDA DIGITAL?
Maria do Carmo salta para 41,8%.
Nos outros levantamentos, ela raramente rompia o teto dos 27%.
Uma subida de quase 15 pontos sem um fato político bombástico é algo raro na estatística.
Isso sugere que a metodologia digital da Atlas pode estar "turbinando" candidatos identificados com pautas ideológicas nacionais
(Bolsonarismo), que são mais ativos na internet.
O SILÊNCIO DO INTERIOR
Pesquisa digital tem dificuldade histórica de chegar nas calhas dos rios.
Como garantir que o eleitor de Envira ou Ipixuna teve a mesma chance de responder que o morador do Vieiralves?
No Amazonas, quem não pisa no barro costuma errar a previsão.
CONCLUSÃO PARA O DEBATE
Se alguém te questionar sobre esses números, o argumento é simples:
A AtlasIntel é um "ponto fora da curva".
Ela é a única que dá empate.
A única que dá Maria no topo.
A única que diz que quase não há indecisos.
Na estatística, quando todos dizem "A" e apenas um diz "B", a carga da prova está com quem divergiu.
Até que outro instituto confirme esses dados, a Atlas continuará sendo vista nos bastidores como uma pesquisa de "bolha digital", e não de "chão de asfalto".
Gostaria que eu preparasse uma lista de perguntas "saia-justa" baseadas nesses pontos para você fazer a algum defensor desses números?
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.