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*Por Antônio Zacarias - A poeira ainda não baixou.
Mas no tabuleiro de xadrez da política amazonense, as peças já começaram a ser contadas.
Depois do ataque frontal de David Almeida e da resposta calculada de Tadeu de Souza, a pergunta que ecoa nos corredores da Assembleia e da
Manausmed é uma só:
No final das contas, quem sai ganhando com essa briga?
A resposta, como quase tudo na política de bastidor, não é um jogo de soma zero.
Há perdas e ganhos para ambos os lados, mas o risco maior é compartilhado.
O QUE DAVID GANHA?
David Almeida joga para a sua base mais fiel.
Ao usar o termo “fracassado moral”, ele tenta retomar a narrativa da lealdade.
O ganho de David é interno.
Ele sinaliza para seus aliados históricos — como Sabá Reis e Abdala Fraxe — que o “filho pródigo” não tem mais espaço e que os antigos companheiros são os verdadeiros pilares de seu projeto.
Ele ganha ao tentar carimbar em Tadeu o selo da ingratidão, um pecado capital na política baré.
O QUE DAVID PERDE?
O prefeito perde no campo da imagem institucional.
Ao descer para o ataque pessoal, David se expõe como um líder passional, que deixa o fígado falar mais alto que a estratégia.
Para o eleitor de centro, aquele que busca estabilidade, o tom agressivo pode soar como instabilidade emocional ou política.
Além disso, ele admite publicamente um erro de julgamento grave no passado, o que levanta a dúvida: se errou com o vice-governador, onde mais pode estar errando?
O QUE TADEU GANHA?
Tadeu de Souza ganha o que nunca teve: corpo político próprio.
Até ontem, ele era a “sombra de David” ou o “vice de Wilson”.
Ao ser atacado e responder com serenidade, Tadeu ocupa o espaço do "adulto na sala".
Ele ganha musculatura para 2026 ao mostrar que não é um boneco de ventríloquo e que possui resiliência para aguentar o tranco da política pesada.
Ele sai da condição de técnico para a de player político.
O QUE TADEU PERDE?
Ele perde o conforto da discrição.
Tadeu agora é alvo.
Ao romper com o padrinho, ele perde o acesso a uma estrutura política que o ajudou a chegar onde está.
Ele terá que provar, sem o apoio de David, que possui votos e base popular — algo que ainda é uma incógnita.
A pecha de “traidor”, alimentada pelo grupo do prefeito, é uma mancha difícil de apagar e que será explorada exaustivamente pelos adversários em qualquer palanque futuro.
O TERCEIRO ELEMENTO: WILSON LIMA
Se há alguém que assiste a tudo isso com um sorriso contido, este alguém é o governador Wilson Lima.
Enquanto seus dois principais aliados de 2022 se digladiam, o governador se torna o único fiel da balança.
A briga enfraquece a união que poderia peitá-lo ou condicioná-lo em 2026.
Para Wilson, quanto mais David e Tadeu se desgastam, mais ele centraliza o poder de decisão sobre o futuro do estado.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
No curto prazo, David ganha o controle do seu grupo, mas perde a paz institucional.
Tadeu ganha uma identidade política, mas perde a proteção da retaguarda.
No fim das contas, a política é como uma arena romana: o público se diverte com o sangue, mas quem sobrevive nem sempre sai inteiro para a próxima batalha.
A briga é ruim para a gestão, péssima para a amizade, mas é o combustível que vai incendiar as urnas daqui para frente.
Quem ganha? O espectador.
Quem perde? A estabilidade que o Amazonas tanto dizia precisar.
E o próximo capítulo?
Nos bastidores dizem que o silêncio de Wilson Lima é o que mais deveria preocupar os dois combatentes.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.