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*Por Antônio Zacarias - Nos bastidores da política do Amazonas, uma hipótese começou a circular com força: a possibilidade de o senador Omar Aziz (PSD) disputar a eleição indireta para o chamado governo tampão. Nada foi confirmado publicamente, mas a simples especulação já provocou um terremoto silencioso nas articulações políticas do estado.
A razão é simples: se Omar decidir entrar na disputa e vencer a eleição na Assembleia Legislativa do Amazonas, ele terá que renunciar ao mandato no Senado. Ou seja, a aposta envolve abandonar um cargo estratégico em Brasília para reassumir o comando direto do Executivo estadual — ainda que por um período curto.
Nos corredores do poder, a pergunta não é apenas se Omar será candidato, mas por que ele toparia correr esse risco político.
O CÁLCULO POLÍTICO
A eventual entrada de Omar na disputa pelo governo tampão seria, antes de tudo, um movimento de controle de cenário.
Hoje, mesmo liderando pesquisas para o governo do Amazonas, Omar observa o tabuleiro de fora enquanto o presidente da Assembleia, Roberto Cidade (União Brasil), ocupa interinamente o governo e é apontado como possível candidato na eleição indireta.
Se Cidade for eleito e decidir disputar a reeleição em 2026 com a máquina do Estado nas mãos, o cenário eleitoral muda radicalmente.
Nesse contexto, aliados de Omar avaliam que assumir o governo tampão poderia neutralizar essa vantagem.
O QUE OMAR GANHA
Caso vença a eleição indireta, Omar Aziz voltaria ao centro do poder estadual.
Isso significa controle da máquina administrativa.
Mesmo em um mandato curto, o governador passa a comandar orçamento, convênios e políticas públicas, o que fortalece relações com prefeitos e lideranças do interior.
VISIBILIDADE POLÍTICA IMEDIATA
Em vez de atuar apenas no plano nacional, Omar passaria a conduzir decisões diretas sobre obras, investimentos e programas estaduais.
REPOSICIONAMENTO PARA 2026
Estar no cargo poderia consolidar sua imagem como liderança executiva no momento em que o debate eleitoral começar a ganhar corpo.
O QUE OMAR ARRISCA
Mas o movimento também envolve perdas importantes.
Ao assumir o governo, Omar teria que deixar o Senado, onde construiu influência política nacional e mantém forte presença nos debates federais.
Além disso, um mandato tampão é curto — o que significa pouco tempo para gerar resultados concretos que se traduzam em capital eleitoral.
Há ainda outro fator: governar significa também assumir desgastes. Problemas administrativos, crises ou conflitos políticos que hoje recaem sobre o governo estadual passariam automaticamente para o colo do novo governador.
A INCÓGNITA DO JOGO
Nos bastidores, ninguém descarta nem confirma a possibilidade. O silêncio estratégico é parte do jogo.
O fato é que, se Omar Aziz decidir entrar na disputa pelo governo tampão, o movimento terá potencial para reorganizar todo o tabuleiro político do Amazonas.
Até lá, a pergunta que ecoa nos corredores do poder é direta:
O favorito para 2026 realmente precisa assumir o governo agora — ou o risco pode ser maior que o ganho?
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.