NOTÍCIAS
Manchete
'SEGREDOS DE BASTIDORES': OMAR AZIZ LEVANTA A BANDEIRA DO TRABALHADOR E LIDERA NO SENADO A LUTA PELO FIM DA ESCALA 6X1
Foto: Divulgação

 

*Por Antônio Zacarias - Enquanto o Roberto Cidade percorre obras, o David Almeida tenta recuperar terreno em Manaus e a Maria Enxofre do Carmo aposta na força da direita, o Omar Aziz encontrou um palanque que atravessa as fronteiras do Amazonas. E não é palanque pequeno, não.

 

Que palanque é esse, Zaca?, me pergunta você.

 

O Omar, minha gente, é o relator da proposta que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas e assegura dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial. É a chamada PEC do fim da escala 6x1.

 

O relatório favorável do Omar está pronto, e a votação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado está prevista para esta quarta-feira, 2 de setembro.

 

A pauta interessa ao Governo Lula, mobiliza trabalhadores, preocupa empresários e aparece no meio da campanha eleitoral com força suficiente para entrar no horário eleitoral.

 

Em outras palavras: enquanto os adversários disputam palanque no Amazonas, o Omar ganhou microfone nacional em Brasília. É mole ou quer mais?

 

O QUE ESTÁ CONFIRMADO

 

O Omar apresentou, em 27 de agosto, parecer favorável à PEC 221/2019.

 

Defensor incondicional dos interesses e aspirações dos trabalhadores, o Omar rejeitou as 12 emendas apresentadas no Senado e manteve integralmente o texto aprovado pela Câmara dos Deputados. Se o Senado modificar a proposta, ela precisará voltar para nova análise dos deputados, atrasando uma eventual promulgação.

 

A PEC prevê inicialmente a redução da jornada semanal para 42 horas, dois meses depois de sua promulgação. Após 12 meses, o limite cairia definitivamente para 40 horas.

 

O texto também garante dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos, sem corte de salário.

 

Outro fato confirmado: o Governo Lula trabalha para acelerar a tramitação e gostaria de ver a proposta votada antes do segundo turno das eleições.

 

Segundo levantamento do Datafolha citado pela Folha de S.Paulo, 71% dos brasileiros apoiam a redução da escala de trabalho. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, entretanto, resiste a atropelar etapas regimentais.

 

Isso é o que está documentado. Não há prova pública de que o Omar tenha recebido a relatoria para beneficiar sua candidatura ao Governo do Amazonas. A conclusão de que o tema poderá favorecê-lo eleitoralmente pertence ao campo da análise política.

 

UMA PAUTA QUE FALA DIRETO COM O ELEITOR

 

A escala 6x1 não é discussão distante, daquelas que só empolgam advogado, economista e assessor parlamentar.

 

Ela entra no supermercado, no shopping, na farmácia, no restaurante, no comércio e na casa do trabalhador que passa seis dias batendo ponto para descansar apenas um.

 

No Amazonas, onde milhares de famílias dependem do comércio e dos serviços, o assunto possui enorme capacidade de mobilização.

 

O Omar não precisa explicar ao eleitor o que significa trabalhar seis dias e folgar um. O eleitor já sabe. Sabe no corpo e na alma.

 

A leitura que faço é que o senador ganhou uma pauta com forte apelo popular justamente quando aparece na liderança das pesquisas para o governo.

 

Na pesquisa Quaest divulgada em 25 de agosto, o Omar tinha 26% das intenções de voto, o Roberto Cidade aparecia com 18%, a Maria Enxofre do Carmo com 16% e o David Almeida com 15%.

 

Agora imagine esse eleitor ouvindo diariamente que o Omar é o responsável pelo relatório que promete mais descanso sem redução salarial. É o tipo de propaganda que nenhum marqueteiro consegue fabricar do zero. A pauta já vem pronta.

 

LULA TAMBÉM ESTÁ NESSA CANOA

 

O Governo Federal tem interesse evidente na aprovação da PEC antes da eleição.

 

Uma proposta apoiada por ampla maioria da população pode render discurso, propaganda e confronto direto com os parlamentares que tentarem barrá-la.

 

O Omar é aliado do Lula e, ao manter o texto aprovado pela Câmara, ajuda o governo a evitar atraso na tramitação.

 

É bom que se diga, no entanto, que essa proximidade cria bônus e risco.

O bônus é evidente: se a PEC avançar, o Omar poderá apresentar-se no Amazonas como o senador que ajudou a transformar uma reivindicação nacional em mudança constitucional.

 

O risco também existe: os adversários poderão acusá-lo de usar uma proposta trabalhista como trampolim eleitoral e de colocar sua candidatura a serviço da campanha de Lula.

 

Essa acusação, se vier, será discurso político, não fato comprovado.

 

Até agora, o que se pode afirmar é que os interesses se encontraram: o Lula quer aprovar uma pauta popular; o Omar quer voltar ao Governo do Amazonas; e ambos podem obter dividendos políticos com o mesmo resultado.

 

CIDADE TEM A MÁQUINA; OMAR TEM O MICROFONE

 

O Roberto Cidade possui a estrutura estadual, a agenda de entregas e a visibilidade diária do cargo de governador.

 

O Omar não possui a caneta do Palácio da Compensa, mas possui a tribuna do Senado, a relatoria de uma proposta nacional e a possibilidade de aparecer como protagonista num tema que fala diretamente com milhões de trabalhadores.

 

O Cidade inaugura obra, o Omar promete inaugurar o fim do único domingo livre.

 

É uma disputa de vitrines, concorda comigo? A do Cidade é administrativa e local; a de Omar é legislativa e nacional.

 

O desafio do Roberto Cidade será impedir que o adversário transforme o debate trabalhista numa comparação moral simplificada: de um lado, quem quer dar mais descanso ao trabalhador; do outro, quem estaria próximo de grupos empresariais preocupados com os custos da mudança.

 

A realidade econômica é muito mais complexa. A redução da jornada poderá exigir adaptação, contratação e reorganização das empresas. Esse debate é legítimo e precisa acontecer.

 

Sabemos, no entanto, que campanha eleitoral não gosta de explicação longa, gosta de frase curta. E “dois dias de descanso sem redução salarial” cabe perfeitamente num vídeo de 30 segundos.

 

MARIA DO CARMO VAI TER DE ESCOLHER O TOM

 

A situação também coloca a Maria Enxofre do Carmo diante de uma escolha delicada.

 

Como candidata ligada à direita, ela poderá defender os empresários que alertam para aumento de custos e dificuldades principalmente entre pequenos negócios.

 

É aí que o bicho pode pegar. Se ela atacar frontalmente a PEC, isso pode afastá-la de trabalhadores que apoiam o fim da escala 6x1. Se apoiar a proposta, permitirá que Omar diga que até os adversários reconheceram a importância de seu relatório.

 

Se criticar, poderá ser apresentada como candidata contrária à redução da jornada.

 

É uma armadilha política daquelas em que cada saída tem um buraco.

 

O David Almeida enfrenta problema semelhante. Como ex-prefeito e candidato que precisa reconstruir sua ligação com o eleitorado popular de Manaus, dificilmente poderá ignorar uma proposta com tamanho apelo social.

 

O Omar colocou os adversários para discutir uma pauta escolhida em Brasília, mas com endereço eleitoral no Amazonas.

 

A VOTAÇÃO PODE VIRAR PALANQUE — OU FRUSTRAÇÃO

 

A PEC ainda tem caminho pela frente. Precisa passar pela CCJ e depois obter, no plenário do Senado, pelo menos 49 votos em dois turnos. Como se trata de alteração constitucional, não basta uma maioria simples.

 

O presidente do Senado também controla o ritmo da tramitação. Portanto, o Omar pode ter relatório favorável, apoio popular e interesse do Governo Federal, e, mesmo assim, não conseguir entregar a aprovação antes da eleição.

 

Se o texto avançar, o senador ganhará uma poderosa bandeira eleitoral. Se ficar parado, poderá acusar resistências dentro do Congresso.

 

Se a população, entretanto, entender que tudo não passou de movimentação eleitoral, a vitrine poderá virar cobrança.

 

O Omar precisará mostrar resultado. Afinal, trabalhador não descansa com relatório. Descansa com a mudança aprovada.

 

CONCLUSÃO DE BASTIDOR

 

A sucessão do Amazonas ganhou um novo endereço.

 

Não está apenas nos municípios, nas carreatas, nos programas de televisão ou nas obras do Governo do Estado.

 

Agora também passa pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

 

O Omar Aziz já liderava as pesquisas. Com a PEC do fim da escala 6x1, ganhou uma pauta popular, um palco nacional e uma oportunidade de apresentar-se como defensor direto dos trabalhadores.

 

Tudo isso, claro, é vantagem política, mas ainda não é vitória legislativa nem eleitoral.

 

A proposta precisa ser aprovada, e o Omar precisará convencer o eleitor de que sua atuação não é apenas um capítulo bem calculado da campanha.

 

Os adversários terão de decidir se apoiam a PEC, se criticam seus impactos ou se atacam o uso eleitoral da relatoria.

 

Enquanto eles escolhem o discurso, o Omar ocupa o centro das atenções.

 

No Amazonas, o Cidade tem a máquina, a Maria Enxofre tem a direita e o David tem a Prefeitura. O Omar, agora, quer mostrar que tem algo ainda mais valioso: o fim da folga de apenas um dia como cabo eleitoral.

 

*Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.


Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.


Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.


Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.

LEIA MAIS
DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Mensagem:

Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.