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SEGREDOS DE BASTIDORES
*Por Antônio Zacarias - Minha gente, a campanha eleitoral começou, e a primeira fotografia da disputa pelo Governo do Amazonas revela uma situação que deve estar tirando o sono de muita gente.
O Omar Aziz aparece isolado na liderança. Enquanto isso, a Maria Enxofre do Carmo, o Roberto Cidade e o David Almeida estão amontoados na disputa pelo segundo lugar.
Traduzindo para o português claro: neste momento, a eleição no Amazonas tem um candidato correndo na frente e três adversários praticamente se engalfinhando para descobrir quem sobreviverá até o segundo turno.
OMAR OLHA A BRIGA DE LONGE
A pesquisa DMP/Rede Tiradentes, divulgada no dia 17 deste mês, mostra o Omar Aziz com 33,7% das intenções de voto.
A Maria Enxofre aparece com 20,6%, o Roberto Cidade com 18,8% e o David Almeida com 16,3%.
Considerando a margem de erro de 2,2 pontos percentuais, a Maria Enxofre, o Cidade e o David estão tecnicamente empatados. Os números foram repercutidos nacionalmente pelo Congresso em Foco?.
Portanto, o Omar começa oficialmente a campanha numa posição confortável.
A bem da verdade é bom que se diga que confortável não significa definitiva.
Pesquisa não é urna, não é verdade. Campanha serve exatamente para mudar cenários. Só que, neste momento, quem precisa correr desesperadamente atrás do prejuízo não é o Omar, são os outros três.
TRÊS CANDIDATOS PARA UMA ÚNICA CADEIRA
Se a eleição caminhasse exatamente como mostram os números atuais, sobraria apenas uma vaga no segundo turno para a Maria Enxofre, o Cidade ou o David.
É aí que começa a guerra de verdade. A partir de agora, cada ponto conquistado por um desses candidatos poderá ser retirado diretamente de outro.
A Maria Enxofre precisa crescer sem ser esmagada pela própria rejeição. O Roberto Cidade precisa transformar a máquina do governo em voto sem parecer que está utilizando o cargo apenas para sobreviver eleitoralmente.
O David Almeida precisa provar que não abandonou a Prefeitura de Manaus em troca de uma aventura política que pode terminar ainda no primeiro turno.
Todos possuem força, todos possuem estrutura, todos possuem dinheiro, partidos, marqueteiros e grupos políticos.
Apenas um deles, porém, poderá ocupar a segunda vaga se o Omar mantiver a liderança.
MARIA ENXOFRE TEM DINHEIRO, MAS TEM VOTO?
A campanha da Maria Enxofre será cercada de publicidade, vídeos bem produzidos, promessas grandiosas e discursos cuidadosamente ensaiados.
Dinheiro aparentemente não será problema; o problema é outro: dinheiro compra propaganda, mas não compra espontaneamente confiança, experiência política nem carinho popular.
A Maria Enxofre tenta vender a imagem de administradora eficiente, o que não é. Se o fosse, o curso de Medicina da Fametro não teria tirado 1 no Enamed. Que vergonha!
Alem do mais. administrar um grupo empresarial familiar é muito diferente de governar um estado com 62 municípios, hospitais em crise, estradas precárias, escolas abandonadas e comunidades isoladas.
Além disso, quanto mais ela falar, mais terá de explicar suas propostas.
A avenida bilionária pela orla é apenas um exemplo. Bonita na maquete, grandiosa no vídeo e cercada de perguntas quando submetida à realidade.
A Maria Enxofre precisa provar que sua candidatura possui conteúdo além do patrimônio familiar, do marketing e do apoio bolsonarista.
CIDADE TEM A MÁQUINA, MAS CARREGA O GOVERNO NAS COSTAS
O Roberto Cidade vive uma situação curiosa. Foi escolhido governador por pelos deputados estaduais numa eleição indireta. Agora precisa convencer milhões de amazonenses a fazerem aquilo que os deputados fizeram dentro da Assembleia Legislativa.
Só que voto parlamentar e voto popular são bichos completamente diferentes.
Na Assembleia, o Cidade tinha articulação, controle político e maioria.
Nas ruas, terá de encarar hospitais, servidores insatisfeitos, problemas no transporte, cobranças do interior e todas as dificuldades acumuladas pelo governo que herdou.
O Cidade possui a caneta, a máquina e a estrutura institucional.
Pode inaugurar, anunciar, viajar, entregar benefícios e aparecer diariamente como governador. Entretanto, cada problema do Estado também terá a digital dele.
Governar durante a campanha pode ser — é é — uma vantagem gigantesca, mas também pode transformar o candidato no alvo preferencial de todos os adversários.
DAVID ARRISCOU TUDO
O David Almeida fez a aposta mais arriscada desta eleição: renunciou à Prefeitura de Manaus para disputar o Governo do Amazonas.
Entregou o cargo e colocou todo o seu futuro político sobre a mesa. Se for para o segundo turno, poderá dizer que tomou uma decisão corajosa. Se ficar de fora, será inevitavelmente questionado: valeu a pena abandonar uma prefeitura conquistada duas vezes para terminar em terceiro ou quarto lugar?
O David possui um eleitorado conhecido em Manaus, experiência administrativa e capacidade de comunicação, mas precisa sair da estagnação.
Ele não pode passar a campanha inteira vivendo das lembranças da Prefeitura. Precisa apresentar uma razão concreta para o eleitor acreditar que trocar David prefeito por David governador seria uma boa decisão.
A SEGUNDA VAGA VALE OURO
O Omar lidera, mas a eleição não está encerrada.
A grande questão é que seus adversários não podem concentrar todos os ataques nele.
Antes de tentar derrubar o primeiro colocado, a Maria Enxofre, o Cidade e o David precisam sobreviver uns aos outros.
É por isso que a campanha deverá ficar cada vez mais agressiva.
A Maria Enxofre tentará arrancar votos conservadores do Cidade; o Cidade tentará usar o governo para ocupar o centro político e mostrar força no interior; o tentará recuperar o eleitorado de Manaus e se apresentar como alternativa aos dois.
Será uma batalha por espaço, apoios, prefeitos, lideranças, tempo de televisão e, principalmente, pelo chamado voto útil.
Quando o eleitor perceber que três candidatos disputam apenas uma vaga, começará a perguntar: Qual deles realmente possui condições de chegar ao segundo turno? E essa pergunta pode produzir uma migração rápida de votos nas últimas semanas.
O PERIGO DO FOGO AMIGO
Existe ainda outro detalhe: os ataques entre os três concorrentes podem beneficiar diretamente o Omar.
Quanto mais a Maria Enxofre bater no Cidade, mais o Cidade poderá perder.
Quanto mais o Cidade atacar o David, mais oDavid poderá enfraquecer.
Quanto mais o David expuser a Maria Enxofre, mais ela poderá cair.
Enquanto os três trocam golpes, o Omar pode permanecer acima da confusão, protegendo sua liderança e ampliando alianças.
É a velha história da política: quando três adversários brigam pelo mesmo pedaço do eleitorado, o candidato que está na frente agradece.
O Omar não precisa impedir que eles briguem, precisa apenas cuidar para não cometer erros e não entrar desnecessariamente no meio da pancadaria.
DINHEIRO, MÁQUINA E MEMÓRIA
A disputa pela segunda colocação reúne três tipos diferentes de força.
A Maria Enxofre possui poder econômico e uma estrutura empresarial poderosa.
O Roberto Cidade dispõe da máquina estadual e de uma ampla articulação política.
O David Almeida carrega a memória recente de dois mandatos conquistados na Prefeitura de Manaus.
No entanto, nenhum deles, até agora, conseguiu transformar essas vantagens numa segunda colocação tranquila. Esse é o drama.
A Maria Enxofre tem dinheiro, o Cidade tem governo e o David tem votos acumulados em Manaus. Mesmo assim, os três continuam embolados. Portanto, ninguém pode subir no salto.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
Minha gente, a campanha acabou de começar, mas o desenho inicial é cristalino.
O Omar Aziz ocupa a liderança; a Maria Enxofre do Carmo, o Roberto Cidade e o David Almeida disputam ferozmente a segunda vaga.
Um deles poderá enfrentar o Omar no segundo turno. Os outros dois terão investido dinheiro, estrutura, reputação e futuro político para morrer na praia.
Tô certo ou tô errado?
A partir de agora, não prestem atenção apenas nos ataques contra oOmar. Observem principalmente os golpes trocados entre s Maria Enxofre, o Cidade e o David.
É nessa guerra paralela que poderá ser decidido o segundo turno.
Quem conseguir convencer o eleitor de que é o único capaz de enfrentar o Omar crescerá; quem hesitar poderá ser abandonado pelo voto útil. E quem continuar acreditando apenas em dinheiro, máquina pública ou lembranças de eleições passadas poderá descobrir, tarde demais, que urna eletrônica não aceita cheque, cargo nem arrogância.
A campanha começou. O Omar está na frente, e atrás dele há três candidatos, mas somente uma cadeira.
Aguardemos os próximos capítulos…
Quem viver verá, como diria o grande Paulo Francis.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.