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'SEGREDOS DE BASTIDORES': OS R$ 100 MILHÕES DO 'COCÔ DE OURO' E A SAÚDE QUE CONTINUA NA UTI
Foto: Reprodução / PORTAL DO ZACARIAS

 

SEGREDOS DE BASTIDORES

 

*Por Antônio Zacarias - Na política, promessa tem prazo de validade.

 

Quando é feita no microfone, diante das câmeras, ela vira compromisso. E quando o compromisso não se materializa, sobra apenas a frustração.

 

É exatamente isso que está acontecendo na saúde pública do Amazonas.

 

O ANÚNCIO

 

Assim que assumiu o Governo do Estado, Roberto Cidade, o famoso “Cocô de Ouro”, anunciou uma força-tarefa para enfrentar o caos na saúde.

 

A principal vitrine da iniciativa era o pagamento de R$ 100 milhões em atrasados para médicos e empresas prestadoras de serviço.

 

O discurso era bonito. Transmitia urgência. Passava a impressão de que o problema finalmente começaria a ser resolvido.

 

Mas bastou sair dos gabinetes e ouvir quem está dentro dos hospitais para a realidade aparecer.

 

A CONTA NÃO FECHA

 

Enquanto o Cocô de Ouro afirma que mais de R$ 100 milhões foram pagos, médicos e demais profissionais continuam denunciando atrasos de três, quatro, seis e até oito meses.

 

A pergunta é simples: se os R$ 100 milhões resolveram o problema, por que ainda existe tanta gente sem receber?

 

Se o dinheiro chegou, por que os protestos continuam?

 

Se a crise acabou, por que os sindicatos ainda estão convocando manifestações?

 

Os fatos sugerem que alguma coisa não está batendo.

 

O DESCOMPASSO

 

A situação ficou ainda mais constrangedora quando profissionais do Delphina Aziz e da UPA Campos Salles afirmaram que continuavam sem receber mesmo após promessas públicas de regularização.

 

É o típico caso em que a propaganda anda numa velocidade e a realidade caminha em outra.

 

Nos discursos do Cocô de Ouro, a crise estaria sob controle.

 

Nos corredores dos hospitais, a conversa é diferente.

 

Ali ninguém fala em alívio. Fala-se em atraso. Fala-se em incerteza. Fala-se em contas vencendo.

 

O PROBLEMA POLÍTICO

 

A crise salarial deixou de ser apenas um problema administrativo.

 

Virou um problema político, pois não existe área mais sensível para um governo do que a saúde.

 

O cidadão pode até tolerar buracos na rua.

 

Pode até reclamar da demora de uma obra.

 

Mas dificilmente aceita saber que médicos, enfermeiros e trabalhadores da saúde estão meses sem receber enquanto continuam atendendo a população.

 

A imagem é devastadora, principalmente para um governo que tenta vender eficiência.

 

O SILÊNCIO DOS PALÁCIOS

 

Nos bastidores, muita gente já percebeu que a principal dificuldade não é fazer anúncios. É entregar resultados.

 

Toda semana surge uma nova explicação. Toda semana aparece uma nova justificativa. Mas quem está sem salário não vive de justificativa. Vive de pagamento. E salário atrasado não é detalhe burocrático.É comida na mesa.É aluguel. É escola dos filhos. É sobrevivência.

 

A SAÚDE NA UTI

 

Enquanto o governo divulga novos investimentos e novas liberações de recursos, sindicatos e profissionais seguem denunciando atrasos e cobrando providências.

 

Isso cria uma situação desconfortável para a administração estadual, pois a percepção pública passa a ser de que existe dinheiro para anunciar, mas não para resolver.

 

Existe recurso para propaganda, mas não para encerrar uma crise que se arrasta há meses.

 

CONCLUSÃO DE BASTIDOR

 

Roberto Cidade assumiu prometendo colocar ordem na casa.

 

Prometeu enfrentar o caos da saúde. Prometeu quitar atrasados. Prometeu virar a página.

 

O problema é que, até agora, os relatos vindos dos hospitais indicam que a página continua a mesma.

 

Quando médicos denunciam oito meses sem receber, quando trabalhadores vão às ruas cobrar salários e quando o governo precisa anunciar novas liberações de recursos para tentar conter a crise, fica difícil sustentar a narrativa de que o problema foi resolvido.

 

Na política, números impressionam, mas salários pagos impressionam muito mais. E, neste momento, o que mais se ouve nos corredores da saúde não é gratidão. É cobrança.

 

* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.


Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.


Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.


Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.

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