*Por Antônio Zacarias - A escolha que pesa
Nos bastidores da pré-campanha de David Almeida ao Governo do Amazonas, uma decisão específica tem causado mais ruído do que avanço: a aposta no ex-governador José Melo como operador político no interior.
Experiência ou passado mal resolvido
A defesa interna é conhecida: Melo “conhece o interior”, “sabe operar”, “tem estrada”. O problema é que também carrega cassação, prisão e um legado associado a escândalos, especialmente na saúde.
Operador marcado
Não se trata de desconhecimento. Todos sabem quem é José Melo. A opção, portanto, não é técnica — é política. E escolhas políticas carregam símbolos.
Interior não esquece
A leitura de quem acompanha o interior é simples: o eleitor pode perdoar, mas não esquece. E Melo não é uma lembrança neutra.
O peso da cassação
Ser cassado pelo TSE não é detalhe jurídico. É uma marca institucional grave, que ressurge sempre que o nome aparece em articulações eleitorais.
O fantasma da saúde
Em muitos municípios, o período Melo ainda é lembrado como sinônimo de colapso hospitalar e denúncias de corrupção. Não é exatamente o cartão de visitas ideal.
Bastidor desconfortável
Prefeitos e lideranças locais relatam, em reservado, desconforto em serem vistos publicamente ao lado do ex-governador.
Foto que não ajuda
Em tempos de redes sociais, uma imagem com José Melo vale mais negativamente do que horas de conversa reservada.
A conta eleitoral
A pergunta que circula é objetiva: quantos votos Melo soma hoje? E quantos tira?
Passivo político
Nos bastidores, aliados admitem: Melo não é ativo. É passivo político, daqueles que exigem explicação antes mesmo de render resultado.
Contradição do discurso
David tenta se vender como alternativa, gestor moderno, nome viável para um Amazonas cansado de escândalos. A associação com Melo contradiz a narrativa.
O novo com o velho
Nada enfraquece mais um projeto que se diz renovador do que reciclar operadores de um sistema já rejeitado pela Justiça.
Articulação ou aparelhamento
A linha é tênue. E Melo, historicamente, cruzou essa linha — segundo decisões judiciais.
O alerta ignorado
Integrantes do próprio campo político de David alertaram sobre o desgaste antecipado da escolha. O aviso foi dado. A decisão, mantida.
Silêncio estratégico
Publicamente, David evita mencionar o nome de Melo. Nos bastidores, porém, a presença é conhecida e comentada.
O interior observa
Pode até não haver discurso inflamado, mas o interior sente o cheiro de repetição quando ele aparece.
Memória seletiva não cola
Reduzir Melo a “articulador eficiente” é tentar apagar capítulos que continuam vivos no imaginário político do estado.
2026 exige mais
A eleição que se aproxima não será apenas de estrutura. Será de credibilidade. E isso não se improvisa.
O risco calculado
David parece apostar que o tempo dilui o passado. Mas, no Amazonas, o passado costuma voltar em época de eleição.
Conclusão de bastidor
A política local não sofre por falta de operadores. Sofre por insistir nos mesmos. E, neste caso, a escolha de José Melo diz mais sobre o modelo que se tenta reviver do que sobre o futuro que se promete construir.
*Antônio Zacarias é fundador e proprietário do PORTAL DO ZACARIAS, atualmente no top 10 dos portais de notícias mais acessados do Brasil. Jornalista experiente, foi editor-geral de diversos jornais da Região Norte, com atuação destacada no Amazonas, onde dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério. Durante dois anos, atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte, a convite de Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral de O Globo. Antônio Zacarias é também autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra voltada à valorização do bom uso da língua portuguesa.