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BASTIDORES DO PODER
*Por Antônio Zacarias - Na política, existe uma fronteira delicada.
De um lado, o governante.
Do outro, o candidato.
O problema surge quando os dois papéis começam a se confundir.
O CONTEXTO
Desde que assumiu o comando do Estado, Roberto Cidade, o “ Cocô de Ouro”, ampliou sua presença em agendas públicas, viagens institucionais, inaugurações e eventos oficiais.
Nada disso é ilegal por si só. Governar exige presença.
Mas a política não vive apenas de legalidade.
Vive também de percepção.
A PERCEPÇÃO
Nos bastidores, cresce a leitura de que o governo-tampão se transformou numa poderosa vitrine de exposição pessoal.
Cada agenda gera imagens.
Cada evento produz manchetes.
Cada entrega amplia visibilidade. E visibilidade, em ano pré-eleitoral, é um ativo valioso.
A DÚVIDA
Onde termina a obrigação institucional? E onde começa a construção eleitoral?
Essa é a pergunta que observadores da cena política fazem diariamente.
Nem sempre existe uma resposta simples.
O DESCONFORTO
O problema não está apenas no que é feito.
Está na aparência do que está sendo feito.
Quando um governante potencialmente interessado em disputar uma eleição futura concentra grande parte do debate público em torno de sua própria imagem, inevitavelmente surgem questionamentos.
A oposição enxerga promoção política.
Os aliados enxergam trabalho.
A disputa de narrativas está instalada.
O RISCO
A história política brasileira mostra que governos provisórios costumam enfrentar um desafio permanente: demonstrar que governam para administrar o presente, e não para construir uma campanha.
Quanto maior a exposição.
Quanto mais frequentes as agendas.
Quanto mais intensa a publicidade.
Maior tende a ser o escrutínio público.
O FATOR ELEITORAL
Em política, coincidências raramente são tratadas como coincidências.
Quando viagens se multiplicam.
Quando eventos ganham destaque.
Quando a presença institucional se torna constante.
Os adversários rapidamente associam tudo ao calendário eleitoral. Mesmo que o governo sustente outra versão.
O BASTIDOR
Prefeitos observam.
Deputados observam.
Partidos observam. E todos tentam responder à mesma pergunta: estão diante de um governo em exercício ou de uma pré-campanha em construção?
A resposta pode definir alianças, apoios e posicionamentos nos próximos meses.
A LEITURA POLÍTICA
Governar e aparecer fazem parte do cargo.
Mas a política cobra um preço alto quando a exposição passa a parecer mais importante que a gestão, pois, em democracia, não basta agir.
É preciso convencer a sociedade de que a ação tem finalidade pública e não finalidade eleitoral.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
O maior desafio de qualquer governante que chega ao poder às vésperas de uma eleição não é apenas administrar.
É demonstrar que está administrando.
Quando a imagem cresce mais rápido que os resultados, surgem dúvidas. E, na política, poucas coisas são mais perigosas do que dúvidas que começam a ganhar força nos bastidores.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.