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*Por Antônio Zacarias - Minha gente, vamos direto ao ponto. Se existe um candidato ao Governo do Amazonas que pode explorar eleitoralmente o avanço anunciado pelo Governo Federal na BR-319, esse candidato é o Omar Aziz.
Aí você me pergunta: Por que, Zaca?
Por uma razão é simples: o Omar é o candidato apoiado pelo PT e pela Federação Brasil da Esperança no Amazonas. Portanto, é o nome estadual ligado ao palanque do presidente Lula nesta eleição.
Foi justamente o governo Lula que colocou dinheiro, máquinas e ministro na estrada que talvez seja a reivindicação de infraestrutura mais simbólica do Amazonas.
Na sexta-feira, 18 de setembro, o ministro dos Transportes, George Santoro, esteve pessoalmente na BR-319 para vistoriar as obras.
O Ministério dos Transportes informou que somente o Lote 4 envolve 120,5 quilômetros de intervenções e contrato de R$ 362 milhões, com recursos do Novo PAC. Considerados quatro lotes, os investimentos previstos chegam a R$ 1,36 bilhão. Muita grana, né?
Depois da vistoria, Santoro falou na perspectiva de alcançar 150 quilômetros de pavimentação em trechos prioritários.
Agora juntem as peças. Lula governa. O ministro de Lula aparece na BR-319. O dinheiro federal está sendo aplicado na rodovia.
Agora eu pergunto: quem é o candidato ao Governo do Amazonas apoiado pelo grupo político do Lula?
O Omar Aziz. Acho que todo mundo sabe disso, não é mesmo?
É aí que começa o jogo eleitoral.
OMAR NÃO PRECISA INVENTAR NADA
Durante décadas, candidatos amazonenses precisaram prometer a BR-319.
O Omar ganhou a possibilidade de fazer outra coisa: apontar para uma obra federal em andamento e associar politicamente esse avanço à sua influência como senador e aliado do Lula.
Creio não ser novidade pra ninguém que essa ligação não nasceu ontem.
Em abril, meses antes da campanha oficial, o Omar e o Eduardo Braga estiveram reunidos com o Lula em Brasília tratando, entre outros assuntos, justamente de obras da BR-319.
Portanto, existe uma história política que a campanha do Omar poderá explorar.
Seria mais ou menos assim: “Eu converso com o presidente. Eu trato da BR-319 com o Governo Federal. E o Governo Federal está investindo na estrada”.
Uma bela narrativa, né? Não significa que o Omar seja responsável pelas obras federais.
Também não significa que os 150 quilômetros estejam concluídos.
Mas significa que existe uma coincidência politicamente relevante entre quem executa a obra em Brasília e quem apoia Omar no Amazonas.
Em campanha eleitoral, isso vale muito.
O FATOR LULA ENTRA NA ESTRADA
Até agora, o apoio do Lula ao Omar poderia parecer abstrato para parte do eleitorado.
Afinal, é bastante comum candidato colocar presidente no programa eleitoral.
Foto, vídeo, jingle, discurso. Tudo absolutamente previsível.
A BR-319 muda a natureza dessa associação, pois transforma apoio político em argumento administrativo.
O Omar pode perguntar na TV: “Quem terá mais facilidade para sentar com o Governo Federal e cobrar a continuidade dessas obras?”.
Entre todos os candidatos ao Governo do Amazonas, o Omar é, sem dúvida, o que mantém maior interlocução com o Lula.
ADVERSÁRIOS TERÃO QUE TER CUIDADO
Aqui aparece uma situação interessante.
O Roberto Cidade, o David Almeida e a Maria Enxofre do Carmo podem criticar o Lula, podem cobrar velocidade nas obras, podem dizer que 150 quilômetros são insuficientes.
Tudo o que citei eles podem. O que eles não podem — talvez a Maria Enxofre o faça por pura burrice — é atacar politicamente o anúncio, pois se o fizerem vão parecer contrários à obra.
Essa é a sinuca.
Se o adversário disser que não significa nada, Omar poderá responder: “Então R$ 1,36 bilhão em investimentos previstos não significa nada?”.
Se disser que é pouco, poderá ouvir: “E quanto vocês conseguiram?”
Se disser que é eleitoral, o Omar poderá responder: “Mas as máquinas estão trabalhando.”
Percebam a diferença. Discussão sobre promessa é fácil. Discussão sobre obra física é mais complicada.
A MARIA ENXOFRE TEM UM PROBLEMA PARTICULAR
Talvez a Maria Enxofre do Carmo seja quem enfrente o maior desafio nesse assunto.
A direita amazonense transformou a BR-319 numa de suas principais bandeiras.
A rodovia aparece constantemente associada ao discurso de abandono do Amazonas pelo Governo Federal e às críticas às restrições ambientais.
Maria Enxofre ppossui ligação política com o campo bolsonarista. Portanto, seria natural que tentasse apresentar sua candidatura como aquela que realmente defenderia a pavimentação.
Só que agora existe uma máquina trabalhando sob um governo do PT. Isso, claro, não elimina as críticas, muito menos resolve a situação de toda a estrada. Mas complica a narrativa de que Lula simplesmente abandonou a BR-319.
A discussão muda. Sai de: “Quem defende a estrada?”.E passa para: “Quem consegue fazer a estrada avançar mais?”
Essa mudança interessa ao Omar.
O CIDADE TEM A MÁQUINA DO ESTADO,O OMAR TEM BRASÍLIA
O que Roberto Cidade possui outra situação. Ele governa o Amazonas, tem secretários, estrutura estadual, prefeitos aliados. Tem programas e obras estaduais para apresentar.
O Omar, por outro lado, pode tentar contrapor a isso sua articulação federal.
É uma disputa de máquinas políticas diferentes.
O Cidade pode dizer: “Eu governo aqui”.
O Omar pode responder: “Eu abro portas lá.”
Poucas coisas simbolizam tanto a importância de Brasília para o Amazonas quanto a BR-319. Afinal, a estrada é federal.
Portanto, os grandes investimentos dependem da União; o licenciamento envolve órgãos federais, os contratos principais passam pelo Governo Federal.
Portanto, para o Omar, o Lula não é apenas um cabo eleitoral nacional, mas um parceiro institucional para um dos maiores projetos de infraestrutura do Estado.
O DAVID PRECISA CRIAR UMA TERCEIRA VIA PARA O ASSUNTO
O David Almeida terá de encontrar outro caminho.
Afinal, ele não controla o Governo Federal, não controla mais a Prefeitura de Manaus e não pode deixar que a discussão vire simplesmente uma disputa entre: entre: “Omar tem Lula” e “Cidade tem o Governo.”
Sua saída é apresentar o que faria o Governo do Amazonas em torno da rodovia.
Algo como segurança, saúde, infraestrutura complementar, apoio aos municípios, regularização fundiária.
A GRANDE VANTAGEM NARRATIVA DE OMAR
Aqui chegamos ao coração político da história.
O Omar possui algo que seus adversários não têm neste episódio específico: alinhamento direto com o governo responsável pelas obras federais.
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, oficializou apoio à candidatura do Omar e vinculou seu palanque estadual ao campo político de Lula.
Meses antes, o Omar já havia discutido a BR-319 diretamente com o presidente.
Agora o ministro dos Transportes aparece na estrada vistoriando um contrato de R$ 362 milhões, dentro de um conjunto de investimentos previstos de R$ 1,36 bilhão.
Politicamente, a sequência é evidente: o Omar conversa com o Lula; o Lula apoia o Omar; o governo Lula investe na BR-319, e a BR-319 é uma das maiores reivindicações do Amazonas.
Isso oferece ao Omar uma narrativa eleitoral extremamente favorável.
Se ela produzirá votos, somente a urna dirá, mas a matéria-prima para a campanha está ali. Em forma de asfalto.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
Minha gente, neste capítulo específico da BR-319, o Omar Aziz recebeu uma oportunidade eleitoral que nenhum marqueteiro precisou fabricar.
Ela veio de Brasília. Veio com ministro. Veio com contrato. Veio com o Novo PAC. Veio com máquinas trabalhando.
O Ministério dos Transportes informa R$ 362 milhões no Lote 4 e R$ 1,36 bilhão previstos nos quatro lotes de intervenções.
O ministro fala em alcançar 150 quilômetros de pavimentação em trechos prioritários. E o Omar é justamente o candidato ao Governo do Amazonas apoiado pelo PT e pelo campo político de Lula.
Isso não torna o Omar dono da obra, mas cria uma circunstância política concreta: entre os candidatos ao Governo do Amazonas, ele é quem possui a ligação política mais direta com o governo federal responsável pelas obras.
E, numa campanha eleitoral, isso lhe entrega um argumento que os adversários terão de enfrentar.
Durante décadas, político amazonense foi à BR-319 para tirar fotografia ao lado da lama.
Agora existe uma fotografia diferente disponível: máquina, obra e dinheiro federal.
Diante de tal cenário, o Omar pode transformar sua proximidade com o Lula numa pergunta simples ao eleitor: se Brasília finalmente está colocando dinheiro na BR-319, quem terá mais interlocução para cobrar que o serviço continue?
Os adversários certamente terão suas respostas. Neste assunto específico, porém, foi o governo do principal aliado político do Omar que colocou as máquinas na estrada.
E isso, minha gente, muda o debate eleitoral em torno da BR-319.
Tô certo ou tô errado?
*Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.