Gato Junior
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*Por Antônio Zacarias - Não é só mais uma chapa. Não é só participação no jogo. É recado político em forma de candidatura.
O MOVIMENTO
A entrada de Cícero Alencar na disputa, ao lado de Roque Lane, não altera, de imediato, a correia principal da eleição indireta.Mas mexe — e muito — no ambiente político.
Nos bastidores, a leitura é clara: não se trata de uma candidatura para vencer. Trata-se de uma candidatura para tensionar.
A ORIGEM DA CHAPA
O próprio discurso entrega o DNA do movimento: “Candidatura de revolta.” A expressão não é casual. É estratégica.
Ela transforma uma chapa com baixa densidade eleitoral em um instrumento de crítica pública ao processo que levou à saída simultânea de Wilson Lima e Tadeu de Souza.
E, mais do que isso, joga luz sobre um incômodo que muitos preferem tratar em silêncio.
O PAPEL DO DC
Partidos pequenos raramente entram em disputas indiretas para ganhar. Entram para existir. E existir, nesse caso, significa ocupar espaço político, gerar discurso e, principalmente, não deixar o processo correr sem contestação.
Nos bastidores, a avaliação é pragmática: o DC cumpre o papel de “voz dissonante” em um colégio eleitoral altamente controlado.
A CONEXÃO COM MANAUS
O elogio público de Cícero a David Almeida não é detalhe. É sinal. Indica alinhamento político e, ao mesmo tempo, uma tentativa de ancorar a candidatura em uma liderança com peso real na capital.
Mas também levanta uma leitura paralela: até que ponto essa candidatura é apenas ideológica — e até que ponto é movimento tático dentro de um grupo maior?
O PESO REAL DA DISPUTA
A eleição não é popular. É indireta. São 24 deputados decidindo. E isso muda completamente a lógica.
Aqui, discurso não ganha voto. Relação política ganha. Nesse cenário, a própria fala de Cícero — “posso não ter nenhum voto” — revela consciência do jogo.
E mais: revela que o objetivo não é necessariamente eleitoral. É político.
O EFEITO NOS BASTIDORES
A candidatura cria desconforto. Não porque ameaça vencer, mas porque expõe.
Expõe fissuras, insatisfações e, sobretudo, a narrativa de que o processo não é consensual.
Num ambiente onde a previsibilidade é moeda forte, qualquer ruído tem valor.
O DISCURSO COMO ARMA
Ao classificar o momento como “vergonha”, Cícero eleva o tom e rompe com a liturgia tradicional dessas eleições indiretas, que costumam ser marcadas por acordos silenciosos.
Ele troca o bastidor pelo palanque. E isso obriga os demais atores a reagirem — mesmo que indiretamente.
O PAPEL DO VICE
Roque Lane adota uma linha diferente: menos confronto, mais pragmatismo. Fala em estabilidade.
E, ao fazer isso, conecta a chapa a um tema central da eleição: evitar turbulência em um governo que já nasce provisório.
É o equilíbrio interno da própria candidatura: crítica de um lado, moderação do outro.
O TABULEIRO REAL
A presença do DC reorganiza a leitura da disputa em três níveis: simbólico — mostra que há insatisfação; político — cria ruído num processo que tende ao consenso; estratégico — posiciona o partido para negociações futuras.
Porque, mesmo sem votos, uma candidatura pode gerar ativos.
O SUBTEXTO
A mensagem mais forte talvez não esteja no que foi dito, mas no que foi insinuado: há uma parcela do meio político que não engoliu a forma como o processo foi conduzido. E decidiu marcar isso publicamente.
O FATOR FUTURO
Mesmo sendo uma eleição tampão, ninguém entra completamente “de graça”. A candidatura projeta o DC para 2026. Dá visibilidade. Cria narrativa.
E posiciona o partido como crítico de um sistema que, em outros momentos, pode precisar dele.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
A chapa de Cícero Alencar não é sobre vitória. É sobre presença. É uma candidatura que não busca maioria, busca significado.
E, nos bastidores, isso é entendido com precisão: enquanto alguns jogam para governar, outros entram para registrar inconformismo. Porque, em política, às vezes perder faz parte da estratégia.
Principalmente quando o objetivo não é ganhar a eleição, é influenciar o jogo.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.