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*Por Antônio Zacarias
Não foi só um cumprimento protocolar.
Não foi só cordialidade de evento público.
Foi gesto político — curto, direto e carregado de significado.
O MOMENTO
Num evento no TJAM, dois personagens centrais do jogo local: Renato Júnior e Roberto Cidade, também conhecido como ‘Cocô de Ouro’.
A cena:
Um aperto de mão.
Uma frase simples: “Vamos conversar.”
E uma reação que chamou atenção: desconforto visível.
O PESO DA FRASE
Na política, ninguém fala por acaso, muito menos em público. “Vamos conversar” pode parecer trivial. Mas, no contexto certo, vira recado.
Tradução possível nos bastidores:
1) abertura de canal
2) tentativa de distensionamento
3) ou movimento estratégico para reposicionamento
O CONTEXTO QUE IMPORTA
Por trás do gesto, existe um ruído conhecido: “Cocô de Ouro” e David Almeida.
Os dois vêm trocando acusações. O clima é de confronto, não de cooperação.
E há um detalhe-chave: David Almeida é aliado político de Renato Júnior. Ou seja: o prefeito está no meio de um fogo cruzado.
O DESCONFORTO DO “COCÔ DE OURO”
A expressão corporal de Roberto Cidade não passou despercebida. Mal-estar. Rigidez. Pouca receptividade.
Na linguagem não verbal da política, isso comunica: resistência; cautela; ou leitura de armadilha. Porque, naquele momento, não era só um diálogo. Era uma exposição.
O MOVIMENTO DE RENATO
Renato Júnior joga em duas frentes ao mesmo tempo: 1) Mantém lealdade ao seu grupo político (liderado por David Almeida); 2) Sinaliza institucionalidade ao governador interino
Esse tipo de gesto busca construir uma imagem: de equilíbrio; de maturidade política: de alguém que “conversa com todos”. Mas há risco.
O RISCO EMBUTIDO
Ao estender a mão publicamente, Renato pode parecer conciliador ou pode ser interpretado como ambíguo.
Nos bastidores, isso costuma gerar leitura dupla: aliados mais duros podem ver como concessão; adversários podem ver como tentativa de aproximação estratégica.
E o “Cocô de Ouro”? Pode ver como pressão pública.
O SUBTEXTO DO ENCONTRO
Nada ali foi neutro. O gesto de Renato Júnior cria uma situação: se Cidade aceita o diálogo, reduz tensão; se resiste, reforça a imagem de isolamento.
É um movimento que desloca o ônus da reação.
O TABULEIRO REAL
O episódio revela três camadas do jogo:
Primeira: A disputa direta entre o “Cocô de Ouro” e David Almeida.
Segunda: O papel de Renato como ponte — ou peça de equilíbrio.
Terceira: A construção de narrativa pública sobre quem dialoga e quem confronta.
E, na política, narrativa pesa tanto quanto ação.
O ALERTA DOS BASTIDORES
Esse tipo de gesto raramente é espontâneo. Ele costuma ser calculado; observado; e interpretado por todos os lados. Principalmente quando envolve atores que já estão em rota de colisão.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
No papel, foi só um cumprimento. Na prática, foi um movimento tático.
O “vamos conversar” abre uma porta, mas o rosto de desconforto do “Cocô de Ouro” mostra que ninguém entrou nela ainda.
E, no jogo político, às vezes o mais importante não é o que se diz. É quem aceita — ou recusa — a conversa.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.