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*Por Antônio Zacarias - O Renato Júnior, resolveu mostrar que não pretende ser apenas o sujeito que recebeu a chave da Prefeitura das mãos do David Almeida.
O Renato entrou na campanha estadual disposto a falar alto, escolher aliados e deixar claro que também possui projeto político próprio.
Para o Governo do Amazonas, ele apoia o David Almeida, claro, seu antecessor, aliado e companheiro de Avante.
Para as duas vagas ao Senado, o Renato escolheu o Eduardo Braga e o Plínio Valério.
O Braga integra a coligação do Omar Aziz, adversário direto do David na corrida pelo governo, como todos já sabem. O Plínio mantém independência na disputa estadual e, segundo ele próprio, não assumiu qualquer compromisso de apoiar o David em troca do voto do Renato.
Traduzindo: O Renato apoia o David, ajuda um candidato da chapa do Omar e abre uma ponte com um senador que não está amarrado a nenhum dos dois.
É tanto palanque cruzado que o eleitor vai precisar de mapa para saber quem está com quem.
O QUE ESTÁ CONFIRMADO
Na sexta-feira, 28 de agosto, o Renato oficializou apoio à reeleição do Plínio Valério. No início do mês, já havia anunciado o Eduardo Braga como seu primeiro voto para o Senado.
O Plínio afirmou publicamente que o Renato não lhe pediu apoio para o David Almeida.
“Não me pediu nada, não me impôs nada, não me cobrou nada”, declarou o Plínio.
O Renato, por sua vez, reafirmou que apoia o David para governador e disse que suas articulações buscam somar, não dividir.
Portanto, o fato confirmado é este: o Renato formou uma composição eleitoral própria, com o David para o governo e o Braga e o Plínio para o Senado.
O restante pertence ao campo da interpretação política. E interpretação, meu amigo, minha amiga, é justamente o prato principal servido nos bastidores.
RENATO NÃO QUER SER TRATADO COMO HERDEIRO DECORATIVO
O Renato Júnior chegou à Prefeitura porque oDavid Almeida deixou o cargo para disputar o Governo do Amazonas.
No roteiro imaginado inicialmente, ele seria o grande cabo eleitoral do David em Manaus, cuidaria da máquina municipal e ajudaria o antigo prefeito a conservar seu eleitorado na capital.
Só que o Renato parece ter decidido ir além. Ao escolher pessoalmente os dois candidatos ao Senado, passou a sinalizar que possui votos, estrutura e autonomia. Não quer ser visto apenas como administrador temporário do patrimônio político deixado pelo David.
Diante de tais movimentos? a conclusão a que chego é de que o Renato já trabalha para construir sua própria rede de sustentação visando 2028, quando poderá disputar a Prefeitura de Manaus pelo voto direto.
Concorda com a minha análise?
O Braga e o Plínio são senadores com mandato, emendas e trânsito em Brasília. Manter portas abertas com os dois pode ser muito útil para qualquer prefeito.
Na política, gratidão costuma durar até a próxima eleição. Emenda parlamentar, quando chega, dura um pouco mais.
DAVID ACEITA, MAS QUEM LUCRA É RENATO
O David Almeida já havia afirmado que acompanharia as indicações do Renato para o Senado. Portanto, não há, pelo menos publicamente, uma ruptura entre os dois.
A composição, no entanto, cria uma situação curiosa. Vejamos:
Se o David vencer o governo, o Renato poderá dizer que ajudou a eleger o aliado.
Se o Braga vencer, o Renato continuará com uma ponte direta para o grupo do Omar.
Se o Plínio for reeleito, o Renato terá um senador declaradamente grato pelo apoio.
É uma jogada com três possibilidades de ganho.
O David, por outro lado, precisa impedir que sua candidatura pareça dependente demais das decisões tomadas pelo sucessor. Candidato a governador que não consegue organizar o próprio palanque corre o risco de passar a imagem de passageiro dentro do ônibus da campanha.
Até agora, o David demonstra aceitar a estratégia. Resta saber se todos os aliados aceitarão com a mesma tranquilidade.
MARCOS ROTTA FOI O PRIMEIRO A NÃO ACEITAR
A escolha do Braga e do Plínio deixou uma baixa importante pelo caminho.
O Marcos Rotta, ex-vice-prefeito de Manaus e antigo aliado do David, esperava disputar o Senado pelo grupo. Ao ficar fora da composição, publicou um vídeo dizendo ter sido “apunhalado pelas costas”.
Eu falei sobre isso em várias “BRONCAS DO ZACA”.
O Rotta não concorre nesta eleição e acabou atravessando a rua política: passou a apoiar o Roberto Cidade e assumiu a coordenação da campanha do governador.
Não como não reconhecer que esse tipo de rompimento faz barulho.
O Rotta conhece a Prefeitura, conhece o David, conhece o Renato e conhece boa parte das engrenagens do Avante. Agora está dentro do quartel-general adversário.
Na política amazonense, aliado magoado não leva apenas a mágoa. Leva junto agenda telefônica, memória e informação.
RENATO ESCOLHEU CIDADE COMO ALVO
Apesar das pontes construídas para o Senado, o Renato deixou claro quem será seu principal adversário na campanha estadual.
Durante o ato de apoio ao Plínio, ele associou o Roberto Cidade ao ex-governador Wilson Lima e afirmou que eleger o Cidade significaria conceder, na prática, uma continuidade ao grupo do Wilson.
O Renato também acusou a gestão estadual de não pagar ninguém e chamou o Roberto Cidade de “caloteiro”.
O movimento mostra que o Renato pretende assumir o papel de atacante do David.
Enquanto o David tenta falar de propostas, o Renato parte para o confronto direto com o Cidade.
Só existe um risco: quem bate demais também passa a ser mais cobrado. O Renato administra Manaus e possui vidraça própria. Se entrar pesado na campanha, receberá de volta ataques à Prefeitura, às obras, aos contratos e aos serviços municipais.
Campanha eleitoral não tem ataque sem troco, não é verdade?
E OMAR, COMO FICA?
O Omar Aziz observa a movimentação de uma posição confortável.
Seu candidato ao Senado, Eduardo Braga, ganhou o apoio do principal aliado do David Almeida em Manaus. Isso não significa que o Renato esteja apoiando o Omar para governador, que fique bem claro.
O Renato tem dito reiteradas vezes, nos bastidores, que jamais vai fazer com o David o que “o traíra do Tadeu fez”. E que sua intenção é criar um canal político entre os dois grupos.
Se a disputa chegar ao segundo turno sem o David, essas pontes poderão ter enorme valor.
O Renato estará bem relacionado com o Braga, aliado de Omar, e com o Plínio, que mantém independência estadual.
Não é possível afirmar que exista acordo antecipado para o segundo turno. Não há prova pública disso. Mas político experiente não constrói ponte apenas para admirar o rio. Tô certo ou tô errado?
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
O Renato Júnior apoia o David Almeida, mas não colocou todo o seu futuro político dentro da candidatura do David.
Escolheu o Braga, aproximou-se do Plínio, atacou o Cidade e preservou caminhos que poderão ser úteis em qualquer cenário depois de outubro.
Pode ser apenas uma estratégia de colaboração institucional, como afirma o Renato. Pode ser também o nascimento de um projeto político próprio.
O que vocês acham, caro leitor, caríssima leitora?
A resposta acerca do projeto do Renato para 2028 aparecerá depois da eleição, quando chegar a hora de conferir quem ficou devendo favor a quem.
Por enquanto, o Renato está com o David, o Braga e o Plínio e os olhos em 2028.
Na política, isso não se chama indecisão. Chama-se seguro contra naufrágio.
*Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.