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'SEGREDOS DE BASTIDORES': ROBERTO CIDADE, O 'COCÔ DE OURO', FAZ PROPAGANDA DE CIRURGIAS, MAS MÉDICOS CONTINUAM SEM RECEBER
Foto: Divulgação

 

SEGREDOS DE BASTIDORES

 

*Por Antônio Zacarias - O governador-tampão Roberto Cidade, o famoso “Cocô de Ouro”, tem intensificado sua agenda de visitas a mutirões de saúde, numa inequívoca demonstração de que será candidato a reeleição.

 

Quase diariamente, as redes sociais do governo exibem imagens de pacientes sendo atendidos, cirurgias sendo realizadas e promessas de que as filas da saúde serão reduzidas ou até eliminadas.

 

Ontem, quarta-feira, o roteiro se repetiu.

 

O “Cocô de Ouro” esteve no Hospital Delphina Aziz acompanhando pacientes que aguardavam procedimentos cirúrgicos, entre eles cirurgias de catarata.

 

O mutirão é positivo, claro, mas existe um detalhe que as câmeras não mostram: enquanto o governo promove mutirões, médicos e prestadores de serviço continuam denunciando atrasos de pagamento que, em alguns casos, já duram meses.

 

DUAS REALIDADES

 

De um lado, Roberto Cidade fala em ampliação dos atendimentos, recordes de cirurgias e redução das filas.

 

Do outro, profissionais da saúde afirmam estar enfrentando dificuldades para receber pelos serviços que já prestaram.

 

É um contraste que chama atenção, pois toda cirurgia realizada depende justamente dos profissionais que hoje cobram aquilo que deveria ser uma obrigação básica do Estado: o pagamento em dia.

 

A CONTRADIÇÃO

 

Ninguém questiona a importância dos mutirões.

 

Muito menos a necessidade de ampliar o acesso da população às cirurgias de catarata, consultas e exames.

 

O problema surge quando o governo parece mais preocupado em divulgar os procedimentos do que em resolver os problemas que ameaçam a própria continuidade desses serviços.

 

Afinal, como sustentar uma política permanente de mutirões se parte dos profissionais responsáveis pelos atendimentos continua trabalhando sob a incerteza dos pagamentos?

 

É uma pergunta simples. E ainda sem resposta convincente.

 

A SAÚDE DA PROPAGANDA

 

Desde que o “Cocô de Ouro”assumiu o governo, a saúde se transformou em uma das principais vitrines da gestão tampão.

 

As agendas são frequentes; as fotos são constantes; os vídeos são produzidos diariamente.

 

Tudo isso ajuda a construir uma narrativa de eficiência administrativa, mas a propaganda tem um limite.

 

Quando médicos passam meses esperando receber, a realidade acaba invadindo o discurso oficial.E a conta política começa a aparecer.

 

OS BASTIDORES FALAM

 

Nos corredores dos hospitais e entre os prestadores de serviço, o assunto continua sendo o mesmo: pagamentos atrasados; insegurança financeira; e falta de previsibilidade.

 

São problemas que não aparecem nos eventos oficiais, mas que impactam diretamente quem faz a máquina da saúde funcionar.

 

Sem médicos, não existe mutirão. Sem equipes, não existe recorde de cirurgias. Sem pagamento, não existe gestão eficiente.

 

A HORA DA PRIORIDADE

 

O governo precisa decidir qual mensagem deseja transmitir.

 

Se a prioridade é mostrar resultados, o primeiro resultado deveria ser a regularização dos pagamentos, porque não existe política pública sustentável quando aqueles que executam o serviço precisam recorrer a cobranças públicas para receber.

 

A população merece atendimento, mas os profissionais também merecem respeito.

 

CONCLUSÃO DE BASTIDOR

 

Roberto Cidade tem aparecido cada vez mais em hospitais, centros cirúrgicos e mutirões de saúde.

 

A pergunta que permanece é outra: quando o governo dedicará a mesma energia para resolver a situação dos médicos e prestadores que continuam aguardando pagamento?

 

Afinal, uma gestão não se mede apenas pelo número de cirurgias que anuncia.

 

Também se mede pela forma como trata os profissionais responsáveis por realizá-las.

 

* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.


Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.


Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.


Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.

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