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Segredos de Bastidores
'SEGREDOS DE BASTIDORES': ROBERTO CIDADE, O 'COCÔ DE OURO', TRANSFORMA GOVERNO-TAMPÃO EM PLATAFORMA ELEITORAL
Foto: Reprodução / PORTAL DO ZACARIAS

 

BASTIDORES DO PODER

 

*Por Antônio Zacarias - Governos provisórios costumam administrar o presente. Governos eleitorais começam a construir o futuro.

 

Nos corredores do poder em Manaus, cresce a percepção de que o governo-tampão de Roberto Cidade, o Cocô de Ouro’, já ultrapassou a primeira fase e entrou definitivamente na segunda.

 

Oficialmente, o discurso é de responsabilidade fiscal, reorganização administrativa e continuidade da gestão.

 

Nos bastidores, porém, a leitura é diferente. Cada nomeação, cada movimentação administrativa e cada decisão envolvendo recursos públicos passou a ser observada sob uma pergunta que domina as conversas políticas: Roberto Cidade está governando para encerrar um mandato ou para construir um projeto de poder?

 

A dúvida não surgiu por acaso. Ela nasce da própria dinâmica da política amazonense.

 

Quem ocupa a cadeira principal do Estado, ainda que temporariamente, passa automaticamente a controlar a máquina pública mais poderosa do Amazonas. E máquina pública, em ano eleitoral, nunca é apenas administração. Também é influência.

 

O PODER DA CANETA

 

Na política brasileira existe uma regra não escrita. Poucos instrumentos geram mais poder do que a caneta de um governador.

 

Secretarias, fundações, autarquias, cargos estratégicos, convênios, liberação de recursos, apoio institucional.

 

Tudo isso passa a orbitar em torno do centro do governo.

 

Por essa razão, lideranças políticas, prefeitos e deputados acompanham atentamente os movimentos do Palácio.

 

Ninguém quer ficar distante de quem controla o orçamento. E ninguém ignora que, em 2026, muitos dos atuais aliados precisarão escolher um lado.

 

O RECADO AOS FORNECEDORES

 

A recente declaração de que fornecedores com pendências anteriores a 2026 não terão prioridade de pagamento produziu um efeito que vai além da questão financeira.

 

A medida foi apresentada como necessária para organizar as contas públicas, mas, nos bastidores, muitos interpretaram o gesto como um sinal político.

 

Na prática, estabelece-se uma linha divisória entre o passado e o presente.

 

Entre compromissos herdados e compromissos assumidos sob a nova gestão.

 

A mensagem que circula nos corredores do poder é simples: o governo pretende estabelecer suas próprias prioridades. E isso tem reflexos diretos na formação de apoios políticos.

 

A CORRIDA JÁ COMEÇOU

 

Embora a campanha eleitoral ainda não tem começado oficialmente, a disputa pelos espaços de poder já está em andamento.

 

Prefeitos procuram aproximação; deputados ampliam conversas; partidos observam; empresários calculam cenários.

 

Todos sabem que os próximos passos serão decisivos para definir quem chegará forte no dia da eleição. E quem ficará pelo caminho.

 

O que se vê hoje não é apenas uma administração de transição. É uma estrutura de poder em formação.


O DILEMA DO COCÔ DE OURO’

 

O maior desafio político do governador-tampão talvez seja justamente esse.

 

Quanto mais exerce o poder, mais aumenta a expectativa sobre seus planos futuros, pois, na política, nem sempre importa apenas o que se faz.

 

Importa também a percepção criada em torno das decisões. E a percepção que começa a ganhar força é a de que o Cocô de Ouro já não atua como um gestor transitório.

 

Atua como alguém consciente de que ocupa uma posição estratégica no tabuleiro eleitoral.

 

CONCLUSÃO DE BASTIDOR

 

Nos bastidores do poder, ninguém mais fala de 2026 como um evento distante.

 

A eleição está marcada para outubro e o relógio político já corre em velocidade máxima.

 

O que ainda parece pré-campanha para parte do eleitorado, nos gabinetes já é tratado como disputa eleitoral em curso.

 

Por isso, cada nomeação é observada com atenção.

 

Cada decisão financeira é analisada sob uma lente política.

 

Cada movimento do governo produz efeitos que podem repercutir diretamente nas urnas.

 

É nesse contexto que cresce uma percepção entre deputados, prefeitos e lideranças partidárias: Roberto Cidade dispõe hoje da estrutura mais poderosa da política amazonense e tem pouco mais de quatro meses para definir como ela será utilizada.

 

A grande discussão nos corredores do poder já não é sobre a duração do mandato-tampão. A pergunta que circula é outra: o Cocô de Ouro está apenas administrando a transição ou utilizando o cargo para consolidar um projeto político que poderá influenciar decisivamente a eleição de outubro?

 

No Amazonas, a resposta para essa pergunta pode ajudar a explicar muitos dos movimentos que ainda veremos até o dia da votação.

 

* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.

Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.

Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.

Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.

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