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BASTIDORES DO PODER
Governos provisórios servem para uma coisa simples: tocar o barco e manter as coisas em ordem até a próxima eleição. Mas no Amazonas, o plano parece ser outro.
Muita gente já percebeu que o governador provisório Roberto Cidade, conhecido como ‘Cocô de Ouro’, não está pensando no agora. O foco dele está totalmente nas urnas de outubro.
Na teoria, o discurso é de trabalho e responsabilidade, mas nos bastidores todo mundo concorda: o governo virou uma máquina de pré-campanha a todo o vapor.
Qualquer anúncio ou evento público virou pretexto para fazer política, deixando a administração real em segundo plano.
A CANETA E O PALANQUE
Todo mundo sabe que quem está na cadeira de governador tem uma vantagem gigante na política. Estar no poder dá fama diária, espaço na mídia e a chance de criar notícias positivas todos os dias.
É exatamente isso o que os analistas políticos do Amazonas estão acompanhando de perto.
Para quem entende do assunto, a estratégia do “Cocô de Ouro” é clara: ele quer parecer o administrador perfeito antes mesmo de lançar oficialmente sua candidatura.
A questão é que, quando o trabalho do governo se mistura tanto com a campanha, o povo começa a desconfiar do que realmente é prioridade ali.
A POLÍTICA DA VITRINE
Pessoas de dentro do próprio governo confessam que o foco total virou o marketing e a propaganda.
A regra é básica: anúncios viram notícias e eventos rendem vídeos para as redes sociais.
Só que essa estratégia tem um perigo: a diferença entre o que mostram e a realidade.
Enquanto a propaganda foca nas entregas e projetos novos, vários setores ainda sofrem com problemas antigos que nunca são resolvidos.
O clima em alguns setores do governo é de que as ações são escolhidas apenas se renderem curtidas e votos, e não por serem realmente urgentes para a população.
O CUSTO DA ANTECIPAÇÃO ELEITORAL
Quando a eleição vai chegando, o ritmo do governo passa a seguir o relógio das urnas. É aí que moram as decisões perigosas.
Quem entende de política avisa: governantes que usam cada ação para ganhar votos acabam fugindo de problemas difíceis que não trazem popularidade, mas que precisam ser resolvidos.
O medo é que o governo foque apenas no que dá clique e manchete rápida, esquecendo as obras e investimentos pesados que demoram a dar resultado político.
A PRESSÃO DOS RESULTADOS
A situação é ainda mais complicada porque Roberto Cidade tem pouco tempo.
Ao contrário de um governador eleito para quatro anos, ele precisa convencer o povo em poucos meses de que é a melhor opção para o futuro do estado.
Isso explica por que ele está correndo tanto e fazendo tanta política agora.
O desafio dele será provar que tudo o que está anunciando é um projeto de verdade para o Amazonas, e não apenas um comercial de TV.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
Nos bastidores da política amazonense, ninguém acredita que está ali só de passagem.
A certeza geral é que o governo provisório virou um comitê eleitoral, onde cada canetada faz parte de um plano para vencer a eleição.
O detalhe é que campanha se faz com promessas, mas governo precisa mostrar serviço real. E quanto mais ele acelerar o passo rumo a outubro, mais as pessoas vão cobrar para ver se o estado não está sendo usado apenas como trampolim político.
A pergunta que fica é bem clara: o Cocô de Ouro está governando para ajudar o Amazonas ou está usando a cadeira de governador para se manter no poder a qualquer custo?
Nos próximos meses, a resposta não virá dos discursos bonitos, mas sim do que ele realmente fizer.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.