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*Por Antônio Zacarias - Na política, às vezes a decisão mais difícil não é atacar o adversário.
É escolher qual caminho abandonar.
O governador Wilson Lima está diante de um daqueles momentos raros em que qualquer movimento traz ganhos — e riscos.
Até abril, ele precisa decidir se deixa o governo para disputar o Senado ou se permanece no cargo até o último dia do mandato.
Não é uma escolha simples.
É um cálculo de poder.
Nos corredores da política amazonense, a pergunta já virou mantra:
O que Wilson ganha se sair?
E o que ele perde se ficar?
O QUE WILSON GANHA SE SAIR PARA O SENADO?
O primeiro ganho é liberdade política.
Deixando o governo, Wilson se livra do peso da administração diária — crises, greve de servidores, hospitais lotados, segurança pública e todas as bombas que estouram no colo de quem governa.
Campanha para o Senado exige presença, corpo a corpo e articulação.
Fora do Palácio, ele pode se dedicar 100% à eleição.
Outro ganho é ocupar um espaço natural do poder.
Governadores costumam disputar o Senado quando encerram o ciclo no Executivo.
Se vencer, Wilson garante oito anos de mandato, algo raro na política brasileira.
É estabilidade, visibilidade nacional e foro privilegiado no grande tabuleiro de Brasília.
E há ainda um terceiro ganho:
evitar o desgaste do final de governo.
Todo governo, mesmo os bem avaliados, sofre no último ano.
A máquina cansa, as cobranças aumentam e os adversários intensificam o ataque.
Sair antes pode ser, estrategicamente, pular fora do barco antes das últimas ondas.
O QUE WILSON PERDE SE SAIR?
Ele perde a principal arma da política: o poder da caneta.
Governador em exercício é governador em campanha permanente.
Obras inauguradas, programas sociais, convênios com prefeitos, presença institucional — tudo isso constrói capital político.
Fora do cargo, Wilson vira apenas candidato.
Outro risco é entregar o governo a outro comando político.
Dependendo de quem assumir a cadeira, a máquina estadual pode mudar de rumo — e isso pode afetar diretamente a sua própria campanha.
Há ainda o fator psicológico do eleitor.
No imaginário popular, abandonar o mandato para disputar outro cargo pode ser interpretado como projeto pessoal acima da missão de governar.
Em tempos de redes sociais, esse discurso costuma ganhar força.
O QUE WILSON GANHA SE FICAR NO GOVERNO?
Ele preserva o controle total do tabuleiro.
Governador até o último dia, Wilson continua sendo o centro da política amazonense.
Prefeitos dependem dele.
Deputados orbitam ao redor do governo.
Secretarias e programas seguem sob seu comando.
Isso significa capacidade de influenciar diretamente a eleição de 2026.
Ficar também permite construir um final de mandato forte.
Grandes obras, entregas estratégicas e políticas públicas podem reforçar a narrativa de um governo que termina deixando marca.
E há um ganho institucional: cumprir o mandato até o fim costuma ser visto pelo eleitor como sinal de responsabilidade.
O QUE WILSON PERDE SE FICAR?
Ele perde tempo de campanha.
Enquanto seus adversários percorrem o estado em busca de votos, o governador continuará preso às agendas administrativas.
Em política, presença é tudo.
E há um segundo risco: o desgaste inevitável da máquina pública.
Problemas na saúde, na segurança ou na economia podem virar munição eleitoral.
Quem está no governo sempre paga a conta.
E, em ano eleitoral, cada crise ganha proporções maiores.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
O dilema de Wilson Lima não é apenas eleitoral.
É estratégico.
Sair pode significar apostar no futuro e garantir oito anos em Brasília.
Ficar pode significar manter o controle do poder até o último minuto.
No fundo, a decisão revela duas formas de jogar o mesmo jogo.
A política do salto — quando se deixa o cargo para buscar outro.
Ou a política da trincheira — quando se permanece no posto até o fim.
Nos bastidores, aliados dizem que o governador ainda pesa cada variável.
Porque na política amazonense, como no xadrez, não é a peça que se move primeiro que decide a partida.
É quem calcula melhor o próximo movimento.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.