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*Por Antônio Zacarias - Quem corre por fora no tabuleiro majoritário precisa de barulho.
E, no manual da nova política, o barulho mais fácil é o da vidraça quebrada.
Maria Enxofre do Carmo PL) subiu o tom contra o governador Wilson Lima.
Não é apenas uma crítica; é a busca desesperada pelo "clique" da indignação.
O CENÁRIO
Maria Enxofre do Carmo tenta se viabilizar em um campo congestionado.
Sem o controle da máquina estadual e buscando herdar o espólio conservador.
A solução encontrada? O ataque frontal como atalho para o reconhecimento.
O alvo escolhido é o inquilino do bumbódromo, Wilson Lima.
A ESTRATÉGIA DO "QUANTO PIOR, MELHOR"
O vídeo que circula nas redes não foca em propostas, mas em desconstrução.
Maria usa termos pesados, tentando colar no governador a pecha de "gestão omissa".
É o discurso clássico de quem observa de longe as dificuldades de governar.
Nas redes, ela se coloca como a "voz da verdade" contra o "sistema".
O TRUNFO DA POLARIZAÇÃO
O PL aposta no engajamento orgânico que o conflito gera.
Se a gestão estadual apresenta números, Maria Enxofre apresenta adjetivos.
A estratégia é clara: forçar Wilson Lima ao erro ou ao direito de resposta.
Cada crítica ácida é fatiada em cortes de 30 segundos para o Reels e TikTok.
O BASTIDOR SENSÍVEL
Segundo fonte que circula nos corredores da direita amazonense.
— Das que entendem que o radicalismo tem teto —
A ordem é "bater para aparecer".
A avaliação interna é que a pré-candidata precisa de um inimigo comum para unir a base.
Mesmo que isso signifique ignorar avanços reais em áreas sensíveis do estado.
O RISCO CALCULADO
O ataque agressivo é uma faca de dois gumes.
Ao subir o tom excessivamente, Maria Enxofre do Carmo corre o risco de se isolar.
O eleitor amazonense, historicamente, castiga quem foca apenas no "atacar por atacar".
É a tática do desgaste: tentar diminuir a estatura do adversário para parecer maior.
O ATAQUE AO GOVERNADOR
No vídeo, a narrativa é de confronto direto e pessoal.
Ela ignora as complexidades da gestão e a parceria com o governo federal e prefeituras.
Tenta transformar desafios estruturais em falhas de caráter político.
A rede social virou o palco onde ela encena uma oposição que beira o personalismo.
A LEITURA POLÍTICA
Wilson Lima mantém a linha da entrega e do silêncio estratégico.
Maria Enxofre do Carmo joga o jogo do ruído e da fragmentação.
O perigo para a pré-candidata é a imagem de "justiceira de teclado".
Ataques sem fundamentação técnica podem aumentar a rejeição antes mesmo da campanha oficial.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
No Amazonas,
O governo vai mostrar entregas, obras e programas sociais.
No celular de Maria Enxofre do Carmo, o eleitor verá um estado em ruínas (na narrativa dela).
É a guerra da entrega contra a narrativa.
Do fato contra a versão editada.
Da responsabilidade contra o oportunismo digital.
Quem não tem densidade eleitoral hoje, precisa fabricar crises para ser notado.
E Maria Enxofre do Carmo decidiu que, para subir nas pesquisas, vai tentar derrubar quem está trabalhando.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.