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*Por Antônio Zacarias - Não é só uma decisão judicial.
Não é só a reabertura de um processo.
É um gatilho político, com potencial de impacto direto no jogo eleitoral.
A BOMBA NO TABULEIRO
A decisão do Tribunal de Justiça do Amazonas de derrubar a absolvição de Alexandre da Silva Salazar recoloca um caso sensível no centro do debate. justamente no momento em que o parlamentar projeta voos maiores.
Não é timing neutro. Em política, esse tipo de reviravolta sempre produz efeito colateral.
O PESO DO DIGITAL
Salazar não é um político convencional. Ele opera com uma ferramenta que poucos têm no Amazonas: alcance massivo nas redes sociais.
Milhões de seguidores. Milhões de visualizações. Capacidade de pautar debate sem depender da imprensa tradicional.
Nos bastidores, isso muda completamente a equação. Porque, diferente de outros casos, aqui há um fator novo: a disputa entre narrativa judicial e narrativa digital.
A GUERRA DE NARRATIVAS
A decisão atende a um recurso do Ministério Público do Estado do Amazonas, que apontou indícios suficientes para continuidade do processo.
Do ponto de vista jurídico, é procedimento técnico. Do ponto de vista político, é combustível.
Nos bastidores, já se desenha um cenário claro: de um lado, o avanço processual; do outro, a tentativa de construção de narrativa de perseguição ou injustiça.
E isso, em tempos de redes sociais, não é argumento pequeno, é estratégia central.
O EFEITO ELEITORAL
Salazar é pré-candidato a deputado federal. E isso muda tudo. Porque o caso deixa de ser apenas jurídico e passa a ser também eleitoral.
A reabertura do processo pode produzir três efeitos simultâneos: mobilizar sua base mais fiel; gerar rejeição em eleitores moderados; e abrir espaço para adversários explorarem o tema.
Nos bastidores, ninguém trata isso como irrelevante.
PRESSÃO POR TODOS OS LADOS
A partir de agora, o vereador passa a viver sob pressão tripla: Judicial, com o avanço do processo; Política, pelo impacto na candidatura; Pública, com a opinião sendo moldada em tempo real nas redes.
E há um detalhe importante: pressão acumulada desgasta mais do que pressão isolada.
O PONTO SENSÍVEL
O caso envolve crime doloso contra a vida. Ou seja: existe a possibilidade de julgamento pelo Tribunal do Júri.
Nos bastidores jurídicos, isso é visto como ponto sensível. Porque júri popular não decide apenas com base técnica, há também o peso da percepção social.
E, nesse cenário, imagem pública vira variável relevante.
OS ADVERSÁRIOS OBSERVAM
Enquanto a defesa se prepara, adversários políticos fazem o movimento clássico: silêncio estratégico.
Ninguém ataca de imediato.
Mas todos observam, pois, dependendo do desenrolar, o caso pode virar pauta de campanha — direta ou indiretamente. E, em eleição, timing é tudo.
CAPITAL POLÍTICO EM RISCO
Até aqui, Salazar construiu sua imagem com base em três pilares: discurso de autoridade; presença digital forte; conexão com uma base específica do eleitorado
A reabertura do processo testa justamente isso.
A pergunta nos bastidores é simples: esse capital político resiste ao desgaste?
O JOGO DUPLO
Existe um risco, e uma oportunidade. Risco: o caso virar desgaste contínuo.
Oportunidade: transformar a crise em ativo político, dependendo da narrativa construída.
Políticos com forte presença digital costumam tentar esse segundo caminho. Mas não há garantia de sucesso.
O SUBTEXTO
A decisão do TJAM não condena. Mas também não deixa esquecer. E, em política, manter um tema vivo pode ser tão impactante quanto uma decisão final.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
O caso de Sargento Salazar entra em uma nova fase, mais complexa, mais exposta e mais imprevisível.
Não é só um processo que avança. É uma candidatura que passa a ser testada em tempo real. No jogo político moderno, não basta ter votos. É preciso sustentar narrativa. E, quando Justiça e eleição se cruzam… quem não controla o enredo, corre o risco de ser engolido por ele.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.