*Por Antônio Zacarias - Antes mesmo da eleição na OAB-AM, nos corredores do poder já se cochicha o nome do próximo desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas pelo Quinto Constitucional. O detalhe que chama atenção não é o currículo, mas o padrinho — um figurão de Brasília que inspira respeito, silêncio e, em alguns casos, temor.
Nome antes do voto
Nos bastidores, a vaga já teria dono. A eleição seria apenas etapa protocolar.
Padrinho pesado
O suposto escolhido é descrito como “afilhado” de um figurão nacional com trânsito livre — e influência real — no Amazonas.
Respeitado e temido
Não se trata só de prestígio institucional. O padrinho é visto como alguém que poucos ousam contrariar.
Capital político concentrado
A força do nome não vem do candidato, mas de quem o sustenta.
Estrutura diferenciada
Enquanto alguns candidatos fazem campanha no corpo a corpo, um deles opera com equipe profissionalizada.
Campanha com lastro
Segundo comentários reservados, não falta dinheiro. E não seria pouco.
Origem conhecida
Os recursos, dizem nos bastidores, viriam de doações de políticos e empresários — estimuladas pelo figurão.
Pedidos que não se negam
Quando o telefone toca em nome do padrinho, poucos fingem que não ouviram.
Quinto ou sexto poder?
A articulação levanta uma dúvida incômoda: trata-se de vaga constitucional ou de indicação informal?
OAB em silêncio
A seccional amazonense ainda não divulgou a data da eleição. O calendário segue indefinido.
Campanha a todo o vapor
Mesmo sem data, todos os candidatos já estão em plena movimentação.
Dois pesos
Enquanto alguns disputam voto, outros parecem disputar apenas a confirmação.
Currículo em segundo plano
Nos bastidores, pouco se fala em trajetória jurídica. O sobrenome pesa mais.
Jogo jogado?
Há quem diga que a eleição serve só para “legitimar” uma decisão prévia.
Desânimo silencioso
Candidatos sem padrinho admitem, em reservado, que o jogo parece desigual.
Advocacia desconfortável
Parte da classe vê o movimento como esvaziamento do espírito do Quinto Constitucional.
Independência em xeque
Se nasce afilhado, governa independente?
Brasília manda, Manaus assina
A frase corre baixa, mas recorrente, nos corredores.
Rito democrático preservado
No papel, tudo segue a regra. Nos bastidores, a regra parece outra.
Conclusão de bastidor
Antes do voto, já há nome. Antes da escolha, já há dono. E quando o padrinho é forte demais, a toga corre o risco de nascer devendo favores — não à Constituição, mas ao poder.
*Antônio Zacarias é fundador e proprietário do PORTAL DO ZACARIAS, atualmente no top 10 dos portais de notícias mais acessados do Brasil. Jornalista experiente, foi editor-geral de diversos jornais da Região Norte, com atuação destacada no Amazonas, onde dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério. Durante dois anos, atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte, a convite de Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral de O Globo. Antônio Zacarias é também autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra voltada à valorização do bom uso da língua portuguesa.