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*Por Antônio Zacarias - Minha gente, uma denúncia pesada entrou de vez na reta final da eleição para o Governo do Amazonas. E não veio de um adversário qualquer.
Veio do empresário Waldery Areosa, que atua no mesmo ramo da candidata Maria Enxofre, do PL: o setor da educação.
Em vídeo divulgado na terça-feira, 20 de outubro, Waldery afirmou que empresas ligadas à Maria Enxofre contraíram empréstimos de quase R$ 200 milhões, estão com parcelas atrasadas e acumulam dívidas que, segundo ele, chegam a R$ 251 milhões.
A denúncia é grave, muito grave, principalmente porque envolve uma instituição de ensino e levanta uma preocupação que vai além da disputa eleitoral: o que acontecerá com os estudantes da Fametro em razão da situação financeira descrita pelo empresário?
A ELEIÇÃO ESQUENTOU
Faltam apenas três dias para o segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro.
É justamente nesse momento que Waldery coloca na discussão eleitoral a situação financeira dos negócios ligados à Maria Enxofre.
O assunto ganhou grande repercussão justamente porque a Maria Enxofre apresenta sua experiência empresarial como uma de suas credenciais para administrar o Amazonas.
QUASE R$ 200 MILHÕES
Exibindo provas documentais, Waldery afirmou no vídeo que foram contratados empréstimos de quase R$ 200 milhões.
Segundo ele, essas operações teriam sido realizadas por meio de instituições financeiras que oferecem crédito fora dos canais bancários tradicionais.
A DÍVIDA DE R$ 251 MILHÕES
A acusação vai além. Waldery sustenta que o endividamento teria chegado a R$ 251 milhões.
Sempre exibindo documentos, Waldery também afirmou que parcelas estão vencidas e que os juros não estão sendo pagos regularmente.
E OS ALUNOS DA FAMETRO?
Aqui está uma das questões mais importantes. Se uma instituição de ensino enfrenta dificuldades financeiras graves, os primeiros a exigir explicações são seus alunos, professores e funcionários.
Afinal, estamos falando de mensalidades, salários, aulas, laboratórios e continuidade dos cursos.
DINHEIRO NA CONTA PESSOAL?
Waldery também faz uma acusação particularmente séria.
Segundo ele, empréstimos teriam sido contratados em nome da FAMETRO, mas o dinheiro teria sido direcionado à conta pessoal da Maria Enxofre.
AS MENSALIDADES NA MIRA
Um dos pontos mais delicados envolve o dinheiro pago pelos estudantes.
Reportagens publicadas sobre o caso descrevem documentos segundo os quais receitas de matrículas e mensalidades, inclusive do curso de Medicina, teriam sido oferecidas como garantias de operações financeiras.
Isso não é, por si só, ilegal. Mas, diante de dificuldades de pagamento, a utilização dessas receitas como garantia merece atenção redobrada.
A COBRANÇA DE MAIO
Segundo as informações divulgadas, uma notificação atribuída à Oliveira Trust, datada de 26 de maio, aponta o descumprimento de uma obrigação financeira vencida no dia anterior.
O documento teria estabelecido prazo de um dia útil para regularização.
É um dado relevante, embora uma notificação de atraso não comprove, sozinha, que a dívida continue vencida atualmente.
PAGAMENTO ADIADO?
Outro detalhe merece atenção. Segundo documentos descritos nas reportagens, o grupo educacional apresentou uma proposta para pagar apenas os juros em setembro, outubro e novembro, adiando o pagamento de parte do principal.
As deliberações de assembleias de credores foram suspensas e uma nova reunião foi marcada para 4 de novembro. Dez dias depois da eleição.
A coincidência chama atenção, não é verdade?
PATRIMÔNIO MILIONÁRIO
Waldery também questionou a evolução do patrimônio declarado pela Maria Enxofre.
Segundo ele, o patrimônio pessoal da Maria Enxofre teria passado de R$ 14 milhões, em 2022, para aproximadamente R$ 118 milhões, em 2026.
Um crescimento dessa dimensão pode ser analisado a partir das declarações de bens entregues à Justiça Eleitoral.
BOA GESTORA?
Aqui está o ponto político central.
Maria Enxofre apresenta sua experiência empresarial como uma credencial para governar o Amazonas.
Os fatos, porém, atestam o contrário. Basta ver os documentos mostrados pelo Waldery no vídeo.
A CONTA NÃO É DO ALUNO
Os estudantes da Fametro não podem virar personagens secundários de uma briga entre empresários ou candidatos.
Pagam mensalidades para estudar, obter formação profissional e conquistar um diploma. Não para assumir riscos financeiros de seus mantenedores.
Por isso, a direção da FAMETRO precisa esclarecer se os compromissos apontados afetam, de alguma maneira, a continuidade das atividades acadêmicas.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
Minha gente, a denúncia do Waldery Areosa é séria demais para ser tratada como simples troca de farpas eleitorais.
Estamos falando de operações financeiras próximas de R$ 200 milhões, de uma dívida total de R$ 251 milhões alegada — e comprovada — pelo empresário, de pagamentos atrasados e de receitas educacionais oferecidas como garantia.
Estamos falando também de milhares de estudantes que precisam de segurança para continuar seus cursos.
Nesse contexto, há perguntas que merecem respostas objetivas.
Qual é o saldo atualizado das operações? Os atrasos foram regularizados? Quais garantias continuam comprometidas? Os recursos captados tiveram qual destinação?
Pelo que conheço a Maria Enxofre, ela não virá a público com documentos que desmintam o que o Waldery denunciou.
Por quê? Ora, porque tudo o que o Waldery falou no vídeo — e mostrou — é a mais absoluta verdade.
*Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.