Enquanto o rendimento médio chega a R$ 3.738, levantamento baseado na Pnad Contínua
Sete em cada dez trabalhadores brasileiros ganham no máximo R$ 3.242 por mês, segundo levantamento feito a partir dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo considera trabalhadores dos setores formal e informal e mostra que 69,1% da população ocupada está nessa faixa de renda.
O levantamento, realizado pelo economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, e divulgado pelo Valor Econômico, contrasta com o rendimento médio nacional de R$ 3.738 registrado pelo IBGE no segundo trimestre de 2026.
A faixa mais numerosa é a de trabalhadores que recebem entre um e dois salários mínimos, correspondente a 36,9% da população ocupada. Outros 32,2% ganham até um salário mínimo. Somadas, as duas faixas representam 69,1% dos trabalhadores brasileiros.
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Do total, 11,2% recebem até meio salário mínimo, considerando também os 1,8% que não têm rendimento. Outros 21% ganham entre meio e um salário mínimo. Já 30,9% dos trabalhadores recebem acima de dois salários mínimos, enquanto apenas 0,5% têm rendimentos superiores a 20 salários mínimos.
A desigualdade também aparece na comparação entre as regiões do país. No Nordeste, 55,9% da população ocupada recebe até um salário mínimo. No Sul, o percentual é de 17,3%. Entre os estados, o Maranhão apresenta a maior proporção, com 58,5%, enquanto Santa Catarina registra a menor, com 11,6%.
A parcela de trabalhadores que recebe até um salário mínimo aumentou entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026, passando de 30% para 32,2%. Apesar da alta, o índice ficou abaixo dos 33,3% registrados no mesmo período de 2025.
O rendimento médio de R$ 3.738, segundo o levantamento, precisa ser analisado com cautela. O cálculo inclui trabalhadores com rendimentos muito diferentes, desde pessoas sem renda ou com valores abaixo do salário mínimo até uma parcela com salários elevados. Os maiores rendimentos acabam elevando a média nacional.
"O salário mínimo é balizador para o mercado de trabalho como um todo e não só o formal. E o que vemos é que a grande maioria ganha no máximo dois salários mínimos, então o reajuste dita a regra do jogo da renda no país", explicou Bruno Imaizumi ao Valor Econômico.
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Para 2027, o salário mínimo está projetado em R$ 1.717. O valor ainda depende do comportamento da inflação até novembro e terá impacto também sobre aposentadorias e benefícios vinculados ao piso nacional.