Condição é caracterizada por flutuações bruscas de humor e hipersensibilidade em suas relações pessoais
Muitas vezes confundido com doenças semelhantes, o Transtorno de Personalidade Borderline, mais conhecido apenas como "Borderline" — palavra do inglês que significa "limítrofe" ou "fronteiriço" —, é um problema referente à psicologia e à psiquiatria que se manifesta com sintomas de um comportamento instável e mudança de humor em um curto período de tempo. Além disso, pessoas com Borderline tendem a demonstrar hipersensibilidade em suas relações pessoais e sentem medo intenso do abandono. O tratamento é feito com remédios para ansiedade e depressão, associados à psicoterapia.
A condição faz parte do espectro dos transtornos de personalidade e necessita de avaliação cuidadosa até chegar ao diagnóstico, que é complexo, já que suas características clínicas são parecidas com as do Transtorno Afetivo Bipolar, por exemplo.
Dentre os principais sintomas apresentados por pacientes com o transtorno, um dos mais marcantes é a idealização da figura das pessoas, com oscilações entre o amor e o ódio. Neste quadro, são comuns:
Veja também

Dieta mediterrânea: os outros segredos além da comida que a tornam a mais recomendada para saúde
Governo do Estado aumenta em 40,5% o número de cirurgias no primeiro semestre de 2023
Após agravamento do quadro de insuficiência cardíaca: Entenda como funciona a fila do transplante de coração do SUS, na qual Faustão entrou?
Em uma publicação do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo (SP), sobre a doença, o psiquiatra Sérgio Ricardo Hototian enumera algumas das características mais gerais do transtorno de personalidade Borderline:
Apesar da conclusão de um diagnóstico ser possível apenas após os 20 anos de idade, aproximadamente, o Borderline pode dar sinais não conclusivos ainda na infância ou na adolescência. De acordo com psiquiatras da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), enquadram-se nessa situação crianças com descontrole de impulsos, dificuldade de lidar com a raiva, irritabilidade e dificuldade de construir boas relações com colegas e familiares. Na adolescência, podem acontecer tentativas de suicídio e automutilação.
Para traçar as principais diferenças entre o Transtorno de Personalidade Borderline e o Transtorno Bipolar, além da avaliação minuciosa de um profissional, é necessário observar o tempo da crise. Pessoas com Borderline, por exemplo, tendem a passar por variações entre a euforia e a depressão no mesmo dia, ou em períodos curtos de tempo. Enquanto isso, aqueles que sofrem com o Transtorno Bipolar passam por períodos mais longos de estabilidade — dias ou semanas. Além disso, no Transtorno Bipolar as crises podem ser muito mais intensas. No entanto, os dois quadros podem coexistir.
Ainda de acordo com o psiquiatra Sérgio Hototian, do Hospital Sírio Libanês, o surgimento do Transtorno de Personalidade Borderline pode estar associado a experiências traumáticas no decorrer da formação do indivíduo. Traumas como mortes, brigas, separações, abuso sexual e crescimento em ambientes conturbados podem estar entre as causas do desenvolvimento desse transtorno.
De acordo com o Instituto de Psiquiatria Paulista, o tratamento mais adequado para pessoas com Borderline é a conciliação entre o atendimento psicológico e o psiquiátrico. Os dois tipos de profissionais são aptos para realizar o diagnóstico da doença. Apesar de não ter cura, o uso de medicamentos pode ser indicado para minimizar os sintomas, fazendo com que o indivíduo possa seguir a vida sem maiores prejuízos. A ideia da utilização de medicamentos é tratar dos sintomas de maneira isolada, com combinação de antidepressivos, estabilizadores de humor e antipsicóticos, por exemplo, sempre conciliados ao tratamento psicoterapêutico.
Por outro lado, o instituto recomenda que o paciente aceite o transtorno e conviva com ele de maneira pacífica, assim como reduza o consumo de álcool e substâncias psicoativas. Cuidados com o sono, a alimentação e a prática de exercícios físicos também são importantes para o efeito do tratamento.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram
O primeiro passo para conviver harmoniosamente com uma pessoa com Borderline é ter paciência. De acordo com o Instituto de Psiquiatria Paulista, é importante manter clareza na comunicação, demonstração de importância com a pessoa e empatia. Além disso, é preciso estar atento aos sinais que a pessoa emite quando se depara com algum gatilho. Por fim, é recomendável não entrar no jogo ao lidar com um paciente em crise. Apesar das reações exageradas, palavras de acusação e embate somente tendem a agravar o momento de crise.
Fonte: O Globo