NOTÍCIAS
Saúde
Câncer de pâncreas: cientistas manipulam proteína para reverter agressividade do tumor; entenda
Foto: Reprodução

Descoberta possibilita reverter o processo que permite que as células do câncer de pâncreas cresçam e se espalhem pelo corpo por meio da proteína GREM1

Pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Câncer de Londres identificaram um mecanismo capaz de reverter o processo que permite que as células do câncer de pâncreas cresçam e se espalhem pelo corpo. De acordo com um estudo publicado na revista científica Nature, a manipulação dos níveis da proteína GREM1 é reverter a capacidade desse tumor se transformar em um subtipo mais agressivo.

 
“Esta é uma descoberta importante e fundamental que abre um novo caminho para descobrir tratamentos para o câncer de pâncreas. Mostramos que é possível reverter o destino das células no câncer de pâncreas no laboratório – voltando o relógio em tumores agressivos e mudando-os para um estado que os torna mais fáceis de tratar”, disse Axel Behrens, líder da equipe de células-tronco do câncer no Instituto de Pesquisa do Câncer e autor sênior do estudo, em comunicado.

 

No trabalho, a equipe desativou a proteína GREM1 em camundongos e em "mini-tumores" pancreáticos, também conhecidos como organoides. Isso fez com que as células tumorais mudassem rapidamente de forma e desenvolvessem propriedades que as ajudaram a invadir novos tecidos e migrar pelo corpo. Em apenas 10 dias, todas as células tumorais se tornaram perigosas e invasivas.

 

Veja também

 

População pode atualizar esquema vacinal contra Covid-19 em 74 pontos nesta semana

 

Anvisa aprova primeiro medicamento injetável contra o HIV

Desligar o gene também tornou os tumores em camundongos mais propensos a se espalhar. Por outro lado, aumentar os níveis de GREM1 poderia reverter esse processo e fazer com que os tipos de células invasivas voltassem a uma forma menos perigosa. Além disso, eles descobriram que outra proteína, chamada BMP2, está envolvida na regulação da primeira, sugerindo que, juntas, elas são responsáveis pelo comportamento das células de câncer de pâncreas.


Os pesquisadores estudaram um modelo de rato com adenocarcinoma ductal pancreático (PDAC) – a forma mais comum e agressiva da doença. Cerca de 90% dos camundongos sem GREM1 funcional desenvolveram tumores que se espalharam para o fígado, em comparação com 15% dos camundongos onde o GREM1 estava funcionando normalmente.

 

O câncer de pâncreas é o 13ª câncer com maior incidência no Brasil, com 10.980 casos anuais estimados nos próximos três anos, segundo informações do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Além disso, esse é o sexto tumor mais comum entre as mulheres na região Sul.

 

Seu desenvolvimento está associado à obesidade, sedentarismo e tabagismo. Segundo informações do Ministério da Saúde, a demora no aparecimento dos sintomas e o comportamento agressivo são fatores que levam o problema a apresentar uma alta taxa de mortalidade. Enquanto, no Brasil, o tipo de câncer representa 2% do total, em relação aos óbitos ocupa 4% de todos os registros.

 

Entre os principais sintomas, o amarelecimento da pele, conhecido como icterícia, e sangramento no estômago ou intestino são os mais graves associados ao câncer. Outros sinais mais comuns incluem aumento da sede e urina amarela escura, diarreia, mudança nos hábitos intestinais, vômitos ou indigestão.

 

Dor abdominal também pode ser um indicador, assim como perda de peso, constipação, gordura nas fezes, náusea, flatulência, azia, febre, cansaço, perda de apetite, coceira e dor nas costas. Um estudo recente descobriu que milhares de pacientes morrem precocemente de câncer de pâncreas e 36% das mortes por câncer de pâncreas poderiam ter sido evitadas se tratadas mais cedo. 

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no FacebookTwitterYoutube e no Instagram.

Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram

 

Fonte: O Globo

LEIA MAIS
Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.