Logo no começo da pandemia de Covid-19, a comunidade científica percebeu que a maior parte dos pacientes com quadro grave da infecção pelo coronavírus eram pessoas do sexo masculino. Várias explicações já foram cogitadas, mas pesquisadores da Universidade de Osaka, no Japão, descobriram que diferenças importantes na resposta imunológica dos dois sexos podem ajudar a responder a questão.
O artigo foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences no dia 20 de janeiro. Os cientistas encontraram diferenças na produção de anticorpos de cada sexo e nas células T regulatórias (Tregs), um tipo de célula imunológica que age parando a ação das células de defesa quando a infecção está resolvida e controlando a força da resposta imunológica.
O levantamento mostrou que a principal diferença está nas células TRF, um subtipo das Tregs que é responsável por controlar a produção de anticorpos. Foi observado que pacientes do sexo masculino perdem as células muito mais rápido do que mulheres.
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Com as Tregs desreguladas, é comum que pacientes graves de Covid-19 acabem produzindo auto-anticorpos, um tipo de célula de defesa que ataca o próprio corpo, neutralizando as defesas do organismo e permitindo que a infecção evolua. “A regulação do sistema imunológico pelas células Treg pode, então, ser a chave para entender a susceptibilidade dos homens à Covid-19 e a sua dificuldade de recuperação”, explica o principal autor do estudo, o pesquisador Jonas Nørskov Søndergaard.
OUTRAS EXPLICAÇÕES
Estudos anteriores já haviam mostrado que fatores hormonais, de imunidade e até mesmo genéticos contribuem para que os homens corram maior risco com o vírus da Covid-19. Um artigo publicado na revista Science, por exemplo, explicou que uma das razões para essa diferença é o sistema hormonal distinto de ambos os sexos.
Alguns hormônios importantes para o funcionamento do organismo feminino, como o estrogênio, tendem a aumentar a eficácia do sistema imune. Já a testosterona, essencial para o corpo masculino, tem efeito contrário, e retrai as defesas do organismo.
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Quanto a fatores genéticos, pesquisas anteriores mostram que o cromossomo X carrega moléculas capazes de reconhecer o vírus e estimular certas formas de defesa contra os invasores. Como as mulheres carregam duas cópias do cromossomo, elas têm uma resposta melhor a invasões.
Fonte: Metrópoles