A dermatite atópica é uma doença inflamatória alérgica que provoca ressecamento, coceira, erupção e vermelhidão na pele
A dermatite atópica, também chamada de eczema atópico, é uma doença inflamatória alérgica que provoca lesões na pele, como ressecamento, coceira, erupção cutânea e vermelhidão. Ela é o tipo mais comum de dermatite e pode estar associada à asma e à rinite. Por ser uma doença com fator hereditário, ela não é contagiosa.
Na maioria dos casos, a dermatite atópica se manifesta na população infantil. Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), cerca de 20% das crianças têm a doença, mas, desse percentual, apenas 5% apresentam a sua forma mais grave. Apesar de não haver cura, ela é uma doença leve que não oferece grandes riscos à saúde do paciente. Além disso, seu tratamento consegue controlar os sintomas.
O especialista do serviço de dermatologia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF/UFRJ), professor José Marcos Telles Cunha, alerta que é importante que o diagnóstico seja feito para confirmar que as lesões na pele são de fato causadas pela dermatite atópica, e não por outra doença mais grave.
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— Em alguns casos a gente recomenda que se procure um dermatologista porque outras doenças também podem provocar ressecamento, coceira e vermelhidão na pele. Mas, na criança, por exemplo, o próprio pediatra pode fazer esse diagnóstico e tomar as medidas iniciais em casos mais brandos. Nos casos mais graves, é recomendado um dermatologista ou alergista — explica o especialista.
Confira como identificar os principais sintomas da dermatite atópica, quais são as possíveis causas, tratamentos indicados e maneiras de prevenir a doença.
QUAIS SÃO OS SINTOMAS DE DERMATITE ATÓPICA?
Os principais sintomas relacionados à dermatite atópica são:
Áreas avermelhadas;
Pele áspera;
Coceira;
Vermelhidão;
Erupção cutânea;
Inflamação da pele;
Descamação da pele.
Os sintomas aparecem geralmente nas dobras dos braços, na parte de trás dos joelhos e, em crianças menores, também no rosto. Já em crianças maiores e em adultos, outros pontos do corpo podem ser afetados, como o tronco, os braços, as pernas e, especialmente no adulto, o pescoço, as mãos e os pés.
As lesões costumam ser passageiras e estarem ligadas a situações que estimulam a resposta alérgica. Por isso, trata-se de um quadro inflamatório que vai e volta, em que os intervalos entre uma crise e outra podem ser de meses ou anos.
A médica da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) Ana Carolina Sumam explica que esse é um fator que ajuda a diferenciar a dermatite atópica de outras dermatites:
— O dermatologista consegue fazer a diferenciação pela localização e pela história do paciente, que normalmente apresenta lesões recorrentes em momentos quando está mais frio, quando ele sua, momentos de maior estresse, ou seja, são alguns gatilhos que desencadeiam as lesões.
O QUE CAUSA A DERMATITE ATÓPICA?
A dermatite atópica é predominante alérgica e, por isso, é relacionada a uma resposta imunológica alterada contra uma série de componentes, principalmente contra os ácaros da poeira. Assim como esses elementos podem, na parte respiratória, causar a rinite a asma, na pele eles desencadeiam a dermatite atópica.
Além disso, a doença pode estar ligada a fatores como predisposição genética e uma dificuldade na capacidade da pele de produzir a camada protetora que protege tanto do ressecamento, como das bactérias.
Professora da residência em dermatologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Natasha Crepaldi ressalta que pele seca, estresse, pelos de animais, alergia a pólen de plantas, fumaça de cigarro, mofo, ácaros ou animais são alguns dos principais fatores que provocam essa resposta alérgica.
A DERMATITE ATÓPICA TEM TRATAMENTO ?
Por se tratar de uma doença crônica, não há uma cura definitiva para a dermatite atópica. No entanto, há tratamentos que aliviam os sintomas em momentos de crise, ou seja, que reduzem a coceira e a inflamação da pele e previnem as recorrências.
Em casos mais leves, especialistas orientam a utilização de hidratantes, pois eles podem reconstruir a barreira cutânea danificada pelas lesões. Além disso, o paciente deve optar por banhos frios e curtos e pouco uso de sabonetes que não sejam hidratantes.
— A gente recomenda que sejam evitados aqueles sabonetes anunciados como bactericidas, que eliminam mais de 90% das bactérias da pele, porque eles eliminam até mesmo aqueles microrganismos que são importantes para o equilíbrio de nossa barreira cutânea — acrescenta o professor José Marcos Telles Cunha.
Em casos moderados a graves, poderão ser utilizados medicamentos com ações anti-inflamatórias, tanto os com uso de corticóide, como sem. No entanto, especialistas reforçam que o paciente não deve se automedicar, e sim procurar a ajuda médica especializada nestes casos, como alergistas e dermatologistas.
Caso o quadro não melhore com o tratamento inicial, o médico pode optar pelo uso de imunomoduladores, comprimidos ou injetáveis, para controlar a resposta alérgica. A professora Natasha Crepaldi ressalta que é importante o acompanhamento médico em casos moderados a graves, pois a dermatite atópica pode deixar a pele mais suscetível a outros problemas.
— Nesse quadro a paciente acaba tendo mais facilidade de adquirir mais infecções bacterianas, fúngicas, virais, verrugas, porque é uma pele desprotegida e com a barreira ruim.
Para evitar o aparecimento das lesões causadas pela dermatite atópica, especialistas recomendam práticas que ajudam a fortalecer a barreira da pele e evitar a resposta alérgica.
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Assim, a rotina de banhos mais frios e uso de hidratantes, além de evitar o ressecamento da pele, situações de estresse e fatores que estimulem a alergia — como mofo, ácaros e pólen — ajudam a prevenir a dermatite atópica.
Fonte: O Globo