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Endoscopia: como é o exame, quem deve fazer e o que ele pode indicar
Foto: Reprodução

Procedimento é utilizado para identificar problemas que acometem o sistema digestivo superior, como úlceras, gastrites, refluxo e até câncer

A endoscopia digestiva alta (EDA), conhecida popularmente apenas como endoscopia, é um exame para visualizar o sistema digestivo superior, formado pelo esôfago, o estômago e a porção inicial do intestino delgado, o duodeno. Ele não é um procedimento de rotina, é indicado pelo médico em caso de sintomas para investigar a possibilidade de problemas que acometem a região, como úlceras, gastrites, refluxo, infecções e até mesmo câncer.

 

Segundo a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), a endoscopia, cujo termo técnico é esofagogastroduodenoscopia, é feita por meio da introdução de um gastroscópio pela boca. Trata-se de um aparelho flexível de fina espessura equipado com iluminação e câmera na extremidade. Ele transmite imagens ao vivo para um monitor que é acompanhado pelo médico.

 

O profissional insere o gastroscópio aos poucos para que ele passe pelo esôfago, pelo estômago e chegue até, no máximo, à parte inicial do intestino delgado, o duodeno. Durante esse trajeto, o médico avalia a presença de possíveis alterações, como a formação de lesões elevadas, os pólipos.

 

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Em alguns casos, quando identificado um pólipo, o médico consegue até mesmo retirá-lo ainda durante o procedimento, sem a necessidade de uma cirurgia posterior. No caso de uma suspeita de câncer, o profissional também pode coletar material da região durante a endoscopia para que ele seja enviado à biópsia. O exame dura, em média, 20 minutos.

 

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva (SPED), o paciente é posicionado de lado e utiliza um dispositivo de plástico na boca durante o exame para mantê-la aberta. Ao longo de todo o procedimento, ele respira normalmente. No final, o gastroscópio é removido lentamente pela boca.

 

A endoscopia é considerada altamente segura, e complicações associadas à anestesia ou ao procedimento, como perfuração ou sangramento, são raras.

 

Geralmente, o paciente passa por uma sedação endovenosa para a realização da endoscopia, ou seja, fica inconsciente durante o procedimento. Além disso, é utilizado um spray anestésico na boca e na garganta para diminuir a sensibilidade à passagem do gastroscópio e evitar o desconforto.

 

A endoscopia não é um exame de rotina, ela é feita apenas com indicação médica. O procedimento costuma ser orientado para auxiliar a investigação de possíveis doenças do sistema digestivo quando o paciente manifesta a persistência de sintomas como:

 

Dor abdominal;


Azia;


Sensação de estufamento;


Má digestão;


Dificuldade para engolir;


Refluxo;


Náuseas;


Hemorragia digestiva;


Vômitos.

 

De acordo com o Hospital Israelita Albert Einstein, a endoscopia pode auxiliar no diagnóstico de:

 

Gastrite: inflamação no estômago que pode ocorrer de forma aguda ou crônica, tornando o revestimento interno do órgão mais vulnerável ao ácido gástrico;


Tumores: a endoscopia pode identificar a presença de tumores que não sejam necessariamente malignos, ou seja, câncer, mas que precisam ser retirados;


Sangramentos: casos de úlceras, uma espécie de lesão na mucosa, podem provocar sangramentos internos que, a depender da gravidade, precisam ser estancados;


Esofagite: inflamação no esôfago que provoca azia e dor intensa ao engolir;


Duodenite: inflamação na porção inicial do intestino delgado, o duodeno. Nesse caso, pode provocar náuseas, dores abdominais, vômitos.


Infecções bacterianas: a endoscopia consegue identificar a presença de bactérias, como a H. pylori, no sistema digestivo;


Câncer: o exame pode encontrar tumores e coletar o material para enviar para a biópsia e identificar se é um caso de câncer, principalmente o de estômago ou de esôfago.


Após a endoscopia, o paciente é encaminhado para uma sala de recuperação. Geralmente, leva em média uma hora para o efeito da sedação passar, e ele ser liberado para ir embora. Porém, devido ao efeito da anestesia, é obrigatória a presença de um acompanhante.


Além disso, a garganta pode ficar levemente adormecida ou irritada e, por isso, gerar um ligeiro desconforto depois do procedimento. É recomendado que o paciente não dirija nem trabalhe. No dia seguinte, ele poderá retornar às atividades da rotina.

 

De acordo com a Sobed, é necessário que o estômago esteja vazio para a realização de uma endoscopia. Por isso, é obrigatório um jejum completo por oito horas antes do exame. Se o paciente fizer uso de uma medicação contínua, o mais comum é postergá-la para o dia seguinte. Porém, é preciso discutir o assunto com o médico responsável pelo procedimento para saber a melhor estratégia.

 

Além disso, é recomendada a adoção de uma dieta leve no dia anterior ao exame. Isso envolve evitar o consumo de alimentos que são mais dificilmente digeridos, como os que são muito gordurosos, caso das carnes e dos laticínios. Por isso, dê preferência a alimentos de origem vegetal, como legumes, sopas e frutas.

 

O exame pode ser realizado no Sistema Único de Saúde (SUS) por meio de indicação médica. Na rede particular, os valores da endoscopia variam de forma significativa a depender do profissional que vai realizá-la, da anestesia utilizada e do local em que será feito o procedimento. No geral, o preço da endoscopia costuma ser entre R$ 400 e R$1,2 mil.

 

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Fontes: Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed); Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva (SPED); Hospital Israelita Albert Einstein; Serviço de Anestesiologia de Joinville; Hospital Moinhos de Vento; Ministério da Saúde e GASTROMED – Instituto Zilberstein. 

 

Fonte: O Globo

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