Após audiência de custódia, Gabriel Valareto foi posto em liberdade provisória, mas está proibido de deixar o estado sem aviso e de frequentar banheiro unissex da Anhembi Morumbi
A Justiça de São Paulo concedeu liberdade provisória ao estudante Gabriel Valareto Vicente Silva, de 20 anos, que havia sido preso na noite desta quinta-feira ao ser flagrado filmando escondido uma aluna no banheiro da faculdade Anhembi Morumbi, na Mooca, Zona Leste da capital paulista. Ele precisou pagar fiança fixada em dois salários mínimos, o equivalente a R$ 2.640.
Gabriel deverá informar com antecedência à Justiça qualquer viagem que pretender fazer para fora do estado e também deverá comparecer em Juízo a cada dois meses. O estudante também não poderá voltar a utilizar o banheiro unissex onde o episódio ocorreu, e nem ter contato com as vítimas.
Em depoimento à polícia, o aluno disse que estava no banheiro próximo à biblioteca do campus quando “teve a ideia de tentar realizar imagens” da colega de faculdade assim que ouviu alguém entrar na cabine ao lado da que ele utilizava. Segundo a versão apresentada pelo estudante do curso de Quiropraxia, ele não sabia até então o gênero da pessoa que ele pretendia flagrar sorrateiramente.
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O ato de Gabriel foi percebido por uma aluna que acompanhava a colega que estava dentro da cabine. As duas conseguiram abordar o rapaz e fazê-lo entregar o celular. Segundo relatos compartilhados por outras estudantes em grupos de WhatsApp, havia no aparelho “mais de 15 vídeos” de pessoas usando o banheiro. Ao g1, uma policial que atendeu à ocorrência confirmou que foram encontradas outras gravações íntimas de alunas no celular de Gabriel — que namora com outra estudante da própria Anhembi Morumbi.
O estudante disse que "ficou com receio de ser atacado" após ser descoberto e que "a todo o momento sofreu ameaças de agressões". Ele ficou dentro do banheiro até a chegada dos policiais militares, que o levaram para o 8° Distrito Policial (DP), no Belenzinho.
Gabriel foi indiciado por importunação sexual e por produzir, fotografar, filmar ou registrar conteúdo com cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo e privado sem autorização dos participantes. As penas previstas para essas tipificações criminais podem chegar, somadas, a seis anos de prisão.
A polícia já tomou o depoimento das duas jovens que flagraram a ação do estudante. No inquérito, que deve ser presidido pelo delegado titular, Rubens Paes, outras pessoas poderão ainda vir a ser convocadas para prestar esclarecimentos.
Em nota, a advogada que representa Gabriel, Camila Casco, disse que "aguardará a conclusão da perícia no celular do estudante, bem como as demais questões processuais". "A defesa seguirá comprometida com a verdade e o esclarecimento dos fatos", completa.
O episódio desta quinta-feira ocorreu no banheiro do sexto andar da faculdade, próximo à biblioteca. Alunas ouvidas pelo GLOBO reclamaram pelo fato de esse andar contar apenas com um banheiro unissex, chamado "Para Todos", e outro masculino. Há quase um ano, o local não tem à disposição nenhum banheiro exclusivamente feminino.
— Querendo ou não, complica a nossa segurança — disse a estudante de arquitetura Gabi Viana, que tem aulas naquele mesmo andar. — Do jeito que está, você só pode reagir e se defender se alguém for pego em flagrante, o que pode ser tarde demais — afirma outra aluna, de 26 anos, que cursa Medicina na instituição e preferiu não se identificar.
Em nota, a Anhembi Morumbi disse que adotará as "providências cabíveis, tanto internamente, quanto junto às autoridades competentes". Leia a íntegra do comunicado divulgado pela universidade:
"Como instituição de ensino, atuamos na promoção da formação crítica, cidadã e consciente da comunidade acadêmica, formando não apenas profissionais, mas indivíduos em sua integralidade e, por esse motivo, repudiamos toda e qualquer conduta contrária às normas legais e da própria Instituição.
Esclarecemos que estamos adotando as providências cabíveis, tanto internamente, quanto junto às autoridades competentes e continuaremos atuando para a solução do caso, estando, inclusive, à disposição para contribuir com a apuração dos fatos.
A Instituição se solidariza com a vítima e informa que tem prestado toda a assistência necessária para que ela possa se restabelecer o mais rápido possível, retomando integralmente as atividades acadêmicas".
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Fonte: O Globo