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Estupro de cadáver e criminoso 'morto duas vezes': conheça polêmico cemitério do interior de Minas Gerais onde mulher foi enterrada viva
Foto: Reprodução

Cenário da chocante história de uma mulher enterrada viva por criminosos, o Cemitério Municipal de Visconde do Rio Branco, em Minas Gerais, tem um passado recente que deixa de queixo caído quem se aventura a saber mais sobre a pequena cidade da zona da mata mineira.

 

Sem guarita, câmeras e com um muro de dois metros — que não é considerado à altura da crônica policial do município —, a construção do Século XIX já protagonizou outros escândalos nos últimos anos: uma mulher de uma família tradicional da região foi estuprada depois de morta e um criminoso morto a tiros foi retirado da cova para ser morto "pela segunda vez", como os moradores se referem ao episódio em que o cadáver, desenterrado, foi achado no dia seguinte crivado de tiros de fuzil.

 

O Cemitério São João Batista está no centro de uma polêmica que surgiu antes mesmo do sepultamento de uma pessoa viva. Outros casos macabros já aconteceram por lá. A má fama do necrotério faz contraste com o passado de glória do município, que guarda importante acervo arquitetônico e cultural do país. Há quase duas décadas na vida política local, o vereador Gerson Freitas (Avante), conhecido como Amigo Xereba, não poupa críticas e, nos últimos anos, reapresenta quase que anualmente um projeto para modernizar o cemitério:

  

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— A cidade tem que acompanhar a evolução dos tempos. Isso tudo é coisa do pessoal do entorpecente. Uma senhora da alta sociedade já foi desenterrada e estuprada, provocando um escândalo aqui. Depois, um criminoso foi tirado da sepultura e crivado de tiros de fuzil — diz Xereba (Avante), acrescentando que o projeto para modernização do prédio vem sendo apresentado por ele reiteradamente desde 2018 e, no ano passado, foi aprovado, mas novamente não saiu do papel. — Não estou falando mal do prefeito porque o problema é antigo. Precisamos de guarita com vigilância de madrugada, a que já funcionou ali era numa antiga capela, e não permitia uma visão boa de todo o entorno. Precisamos de um muro mais alto e de câmeras de segurança, não dá mais para ficar assim. Essa moça enterrada viva aconteceu de madrugada. Como o cemitério fica trancado acreditamos que tenha sido uma invasão.

 

NA PANDEMIA, MAIS PROBLEMAS

 

Na pandemia, a prefeitura teve que correr para aumentar a oferta de sepulturas. Mais uma vez, o cemitério, que já não comportava o número de mortos pelo coronavírus, foi para o centro das atenções dos munícipes. Assim como no resto do Brasil, a letalidade cresceu de forma exponencial na cidade de pouco mais de 40 mil habitantes. Uma liminar foi pedida à Justiça, à época, para a desapropriação de uma área pertencente à Irmandade São Vicente de Paula, que ocupava um espaço no prédio. A mulher de 36 anos foi justamente encontrada numa gaveta desse anexo do cemitério original.

 

Ao contrário do que chegou a ser divulgado, foram os operários, que trabalham na obra do cemitério, ainda em andamento, que estranharam, ao chegar cedo para o trabalho, o fato de a gaveta, vazia no dia anterior, estar fechada. Havia tijolos e cimento fresco. Depois, eles ouviram murmúrios e, por fim, gritos de socorro. Os pedreiros — e não os coveiros, que foram chamados depois —, que suspeitaram de que algo estava errado ali. Logo, a polícia foi mobilizada. Como o projeto de expansão é cercado por polêmica, como um suposto contencioso não confirmado com os vincentinos, a polícia teria, inclusive, cogitado pedir uma ordem judicial para arrombar a gaveta e resgatar a vítima.

 

— A polícia chegou a dizer que precisava de uma ordem judicial — conta uma das pessoas que acompanharam a operação de resgate. Procurada, a Polícia Militar negou que tenha hesitado no resgate. Por nota, o 21º BPM informou que, na manhã do dia 28 de Março, a PM foi acionada por funcionários do cemitério que suspeitaram da utilização de uma gaveta numa área interditada do cemitério e que imediatamente, ao escutarem uma voz baixa, "abriram o sepulcro". "Diante da necessidade de socorrimento de uma pessoa, não há necessidade de ordem judicial. Toda a ação durou apenas o tempo necessário para quebrar o concreto", conclui o comunicado.

 

Visconde do Rio Branco está prestes a completar 140 anos de fundação, mas documentos de arquivos mineiros indicam que sua história tem mais de 230 anos. Há indícios de que o aldeamento começou em 1787. Por muito tempo, antes de ganhar status de vila e depois município, foi região de mata fechada habitada por tribos indígenas, os Puris, Cropós e Coroados. Só a partir da segunda metade do Século XVIII passou a ser desbravada por homens brancos — inclusive registrando conflitos entre indígenas e donos de sesmarias — até se tornar centro agrícola. A Igreja Matriz e um conservatório de música são joias da coroa local.

 

Apesar de tanta relevância histórica, o cemitério, que tem aspecto sujo e abandonado, virou caso de polícia, de disputa política e de insatisfação dos habitantes. Celeumas cercadas, de acordo dados de patrimônio, 35 edificações históricas, um conjunto urbano, dois paisagísticos, uma estrada e uma árvore, além de seis monumentos. Na oposição, o vereador Guilherme Guimarães (PT) exige explicações sobre o evento que combina crime de tentativa de feminicídio e descaso de bem público. Ele fez um pedido oral para que o responsável pelo cemitério compareça à Câmara Municipal e preste esclarecimentos, mas a solicitação foi contestada por governistas que exigiram que fosse feita oficialmente. Guimarães afirma que o Legislativo Municipal sequer sabe hoje quem seria o diretor do cemitério ou como andam as negociações para resolver antigas pendências como a falta de licença ambiental para o obra feita durante a pandemia.

 

— É preciso que haja uma manifestação clara sobre o caso que ganhou repercussão nacional. Já havíamos notificado a prefeitura sobre a limpeza e a desorganização do cemitério, mas agora eles precisam se manifestar diante de um caso de repercussão nacional. O cemitério está muito sujo e cheio de mato. Se os vereadores não podem convocar o responsável pelo cemitério, quem pode? Queremos detalhes sobre as obras em andamento e sobre a administração do serviço. Tem algum vigia? Ele fica até que horas? O que sabemos é que a prefeitura fez uma expansão de terreno no cemitério e não efetuou um pagamento. Parece que há inclusive um pedido judicial para bloqueio das contas do município. Outra situação grave é a falta de licença ambiental — critica Guimarães, que já está formulando um pedido oficial para convocar representantes do município para esclarecimentos sobre o cemitério.

 

Na última terça-feira (28), a mulher foi resgatada de dentro de um túmulo no cemitério municipal de Visconde do Rio Branco. Coveiros que trabalham no local acionaram a Polícia Militar após terem encontrado o sepulcro fechado com tijolo, cimento fresco e sinais de sangue. Quando chegaram ao local, os militares ouviram pedidos de socorro vindos do túmulo. A lápide, que estava fechada com materiais de alvenaria, foi quebrada pelos policiais. O resgate foi realizado e a mulher foi retirada com ferimentos na cabeça.

 

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— Com a ajuda dos funcionários, (os oficiais) quebraram a lápide e viram que uma mulher tinha sido colocada enterrada viva. Já temos a identificação dos autores — disse o tenente-coronel Santiago. Procurada, a prefeitura de Visconde do Rio Branco não se pronunciou. 

 

Fonte:Extra

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