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Ministério da Saúde vai repassar a estados e municípios vacinas contra meningite prestes a vencer
Foto: Reprodução

Em maio, O GLOBO mostrou que 3,6 milhões de doses estavam próximas de perder a validade. Desde janeiro, 1,8 milhão de doses foram aplicadas no país

Com cerca de 3,6 milhões de doses da vacina meningocócica C em seu estoque prestes a vencer, o Ministério da Saúde informou que irá repassar os produtos a estados e municípios usarem antes de perderem a validade. Como revelou O GLOBO, parte dos imunizantes, armazenadas desde 2021, têm data de vencimento a partir deste mês e outra parcela até o fim de agosto. Além disso, outras 442,3 mil vacinas compradas em 2020 já venceram em abril.


Segundo a pasta, a média mensal de distribuição do imunizante contra meningite é de 1,3 milhão de doses, e o estoque disponível será usado até setembro. Entretanto, segundo o DataSUS, de janeiro a maio deste ano, somente 1,8 milhão de doses da meningocócica C foram aplicadas no país.

 

A Saúde também informou um conjunto de ações para ampliar as coberturas vacinais contra meningite:

 

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“O Ministério da Saúde reitera o seu compromisso com o bem público e reforça que o esforço na utilização e distribuição dos insumos de saúde é um ato de respeito à população e responsabilidade com o povo brasileiro”, diz, em nota.

 
O imunizante faz parte do calendário nacional de vacinação infantil desde 2010. É indicado para crianças a partir de 2 meses, adolescentes e adultos como um reforço ou em dose única para a prevenção da doença invasiva causada pela bactéria meningococo do sorogrupo C, que pode causar infecções graves, e às vezes fatais, como a meningite avançada e a sepse.

 

A cobertura vacinal para a doença está em 51,48% no país, segundo os últimos dados da Saúde. A taxa está aquém da meta de 95% preconizada pelo ministério para tentar barrar o crescimento da meningite meningocócica pelo país.

 

Em 2022 e 2021, a cobertura vacinal também não atingiu a meta, ficando em 78,62% e 72,17% no Brasil, respectivamente.Também nos últimos dois anos, o Brasil registrou mais de 6 mil casos e 700 mortes pela doença.

 

A meningite é uma inflamação das meninges —as três membranas que envolvem o cérebro e protegem o encéfalo, a medula espinhal e outras partes do sistema nervoso central. A doença pode ser causada por bactérias ou vírus. Mais raramente, é provocada por fungos ou pelo bacilo de Koch, da tuberculose. Pessoas de todas as idades podem desenvolver o quadro, que no entanto costuma afetar mais crianças.

 

Entre as formas mais comuns, a meningite meningocócica tipo C é a mais grave, tem evolução rápida e pode ser letal em 24 horas. Quanto mais cedo o tratamento for iniciado, maior será a chance de cura.

 

UM BILHÃO DE ITENS COM PRAZO DE USO ATÉ NOVEMBRO 


Em visita técnica ao almoxarifado do Ministério da Saúde em abril, a Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados identificou 1,3 bilhão de itens em estoque no Ministério da Saúde que perderão a validade até 30 de novembro de 2023.

 

Representante da comissão, o deputado federal Daniel Soranz (PSD/RJ) afirma que o total representa 20% da compra do Ministério da Saúde em um ano. Para ele, o principal gargalo é a ausência de um plano de distribuição dos insumos.

 
— Como não há um plano nem datas exatas, não se tem no momento da compra o planejamento de distribuição e a empresa não sabe para onde distribuir. Com a mudança de governo, essa distribuição ficou ainda mais lenta — comenta Soranz.

 

Entre os produtos a vencer, há milhares de antibióticos como amoxicilina e azitromicina, anti-inflamatórios, agulhas, seringas, relaxantes musculares, contraceptivos, analgésicos, insulina, testes de Covid-19, vacinas e diversos kits de doenças como dengue, febre amarela e sarampo.

 

A comissão encaminha ao ministério algumas recomendações para evitar o desperdício dos produtos, como:

 

Elaboração de plano imediato de distribuição das 1.399.471.475 unidades em estoque;


Uso de sistema único para gerenciamento de inventário;


Organização de distribuição direta para municípios acima de 2 mil habitantes


Proibição de qualquer tipo de compra sem apresentação prévia de plano de distribuição, ainda que este esteja sujeito a alterações


Montagem de kits de emergência somente após definição do local de destinação


Apresentação de planejamento para medicamentos e insumos zerados no estoque central


Em nota, o ministro afirma estar comprometido com a minimização das perdas de estoques de medicamentos e insumos estratégicos, e cita ter instituído um comitê permanente para monitorar a situação e outras ações emergenciais, como diálogo com laboratórios fabricantes para utilização de cartas de compromisso de troca como medida emergencial.

 

"Com isso, as empresas se comprometem a retirar os medicamentos do armazenamento, efetuar a substituição por produtos com maior prazo de validade e dar a destinação final adequada sem ônus para os cofres públicos", diz.

 

Além disso, a Saúde reforça haver pacutação com estados e municípios para racionalizar a distribuição do estoque atual, prionrizando os com menor prazo de validade, e que articula cooperações internacionais para doações humanitárias. 

 

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Fonte: O Globo

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