NOTÍCIAS
Saúde
OCDE saúda Brasil por Marco Fiscal e reforma, mas vê dívida em alta
Foto: Reprodução

OCDE defende reformas fiscais estruturais para estabilizar a dívida pública brasileira, que pode chegar a 90% do PIB em 2047

Em relatório econômico do Brasil 2023, divulgado nesta segunda-feira (18/12), a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) parabenizou o país pela instituição do novo Marco Fiscal, que substituiu o mecanismo do teto no controle dos gastos públicos, e a aprovação da reforma tributária.

 

Segundo a organização, o novo Marco combina maior previsibilidade a médio prazo com flexibilidade adicional. Elaborado antes de o Congresso concluir a votação da reforma tributária, o texto saúda a consolidação dos cinco impostos sobre consumo num Imposto sobre Valor Agregado (IVA) unificado.

 

Apesar dos avanços nesses dois temas, a instituição ressalta que a dívida pública brasileira permanece elevada em comparação com outras economias de mercado emergentes.

 

Veja também

 

Colaboradores do Super Terminais, mais eficiente terminal privativo do Polo Industrial de Manaus, entregarão presentes de Natal para 133 crianças do Educandário

 

Campanha de fim de ano do governo destaca o emprego como ferramenta de união das famílias

 

No relatório, a que o Metrópoles obteve acesso, a organização mostra ainda a preocupação com a trajetória de crescimento da dívida pública brasileira, que pode atingir 90% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2047, segundo estimativas.

 

A dívida bruta do setor público consolidado fechou o mês de outubro representando 74,7% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, o equivalente a R$ 7,9 trilhões, segundo dados divulgados em 6 de dezembro pelo Banco Central (BC).

 

A instituição resgata medidas fiscais adotadas entre 2020 e 2022 para enfrentar a pandemia da Covid-19 e seus efeitos sobre a economia.

 

Após o término do auxílio emergencial de R$ 600 para trabalhadores autônomos e desempregados, o governo isentou, de forma temporária, os impostos sobre combustíveis para amortecer o impacto da inflação nas famílias e nas empresas. Essas isenções acabaram em 2023, no novo governo.

 

“As medidas políticas relacionadas com a Covid-19 conduziram a dívida pública bruta para 87% do PIB ao fim de 2020. A forte recuperação em 2021 e 2022 levou a que a dívida recuasse para 73% do PIB no fim de 2022, mas uma política fiscal expansionista, as taxas de juro mais elevadas e o menor crescimento estão agora colocando a dívida em uma trajetória ascendente novamente, com a dívida pública bruta atingindo cerca de 80% do PIB em 2024, de acordo com as projeções da OCDE. Simulações da OCDE sugerem ainda que a dívida pública bruta atingirá 90% do PIB em 2047.”

 

Esta cenário pressupõe que o novo Marco Fiscal adotado e a reforma fiscal sejam implementados, eliminando crescimento potencial em cerca de 0,5 ponto percentual. O superávit fiscal primário aumentaria para 1,0% do PIB a partir de 2026, representando maiores receitas fiscais decorrentes de melhorias na arrecadação de impostos.

 

O documento defende, então, a necessidade de adoção de reformas fiscais para estabilizar a dívida pública e criar espaço fiscal.

 

“A trajetória da dívida é altamente sensível à implementação da agenda de reformas. Uma falha na implementação da reforma tributária implicaria menor crescimento”, prossegue o documento.

 

“Um pacote mais ambicioso de reformas estruturais impulsionaria o crescimento potencial e levaria a um declínio da relação dívida/PIB”, conclui.

 

Em coletiva de imprensa ao lado de representantes da OCDE, a secretária de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Tatiana Rosito, disse que o survey (pesquisa) mostra uma análise “claramente positiva” da economia brasileira. O relatório é de responsabilidade da organização, com consultas à equipe governamental.

 

“O survey mostra que o Brasil está crescendo de modo robusto, com inflação em queda. Mostra, ainda, alguns caminhos para crescermos mais e de forma mais inclusiva nos próximos anos”, disse Rosito.

 

REFORMA ADMINISTRATIVA

 

A organização acrescenta que uma reforma da administração pública poderia criar espaço fiscal adicional e frisa que a massa salarial do setor público brasileiro é alta na comparação internacional.

 

A reforma administrativa, em análise pelo Congresso, procura introduzir avaliações de desempenho regulares e sistemáticas dos funcionários públicos, especialmente durante o período probatório. “Se aprovada, esta reforma poderá trazer poupanças fiscais de até 8% do PIB em dez anos”, informa a OCDE, citando o Ipea.

 

INGRESSO NA OCDE

 

Apelidada de “clube dos países ricos”, a OCDE aprovou, em janeiro de 2022, ainda na gestão Jair Bolsonaro (PL), o convite para que o Brasil desse início aos procedimentos para entrada no bloco.

 

No entanto, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou de priorizar esse ingresso. Quando Lula assumiu seu terceiro mandato, indicou que a adesão à organização deixou de ser prioridade. O processo prossegue, mas em banho-maria.

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no FacebookTwitter e no Instagram.

Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram

 

Oficialmente, o presidente da República diz que o país mantém interesse em participar da OCDE. Nos bastidores, há a avaliação de que esse ingresso na organização é uma agenda mais ligada à Faria Lima, em um momento em que o petista busca priorizar a agenda social.

 

Fonte: Metropóles

LEIA MAIS
Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.