Segundo a Polícia Militar, Ana Caroline Sousa Campêlo estava sem a pele do rosto, olhos, orelhas e couro cabeludo
O Coletivo Cássia e a Liga Brasileira de Lésbicas convocam um ato nessa quinta-feira (21/12), às 18h, na Praça Santos Andrade, em Curitiba. A manifestação acontece em memória de Ana Caroline Sousa Campêlo, 21 anos, brutalmente assassinada em Maranhãozinho (MA), em 10 de dezembro deste ano.
Mulheres lésbicas e bissexuais do Brasil inteiro têm se organizado para cobrar justiça em nome de Carol Campêlo. O ato tem como objetivo chamar a atenção da sociedade para casos de lesbocídio – crime de ódio contra lésbicas.
Maria Antonia Nunes Oliveira, uma das organizadoras da mobilização, afirma que se não houver o movimento de mulheres lésbicas, ninguém fala sobre o tema. Por isso, é necessário reivindicar os direitos, lutar pela vida e pedir o fim do lesbocídio.
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A manifestação pede, além da investigação imediata e rigorosa do caso de Ana Caroline, a aprovação do Projeto Luana Barbosa (Projeto de Lei 1.667/2023), e a implementação de um Calendário Nacional de Enfrentamento ao Lesbocídio.
O Projeto Luana Barbosa foi proposto inicialmente pela deputada estadual Mônica Francisco (PSOL-RJ), em 2021, mas foi arquivado devido ao fim da legislatura. Em 2023, foi reapresentado pela deputada estadual Verônica Lima (PT-RJ) e voltou a tramitar na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
Luana Barbosa dos Reis, mulher negra, lésbica e periférica, foi espancada e morta por policiais militares em 2016, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. A vítima foi agredida após recusar ser revistada pelos policiais, pedindo a presença de uma policial feminina. O filho de Luana, que tinha 14 anos na época, presenciou a brutalidade.
Ana Caroline foi encontrada morta em uma estrada de terra, em 10 de dezembro, em Maranhãozinho (MA). Segundo a Polícia Militar, a vítima estava sem a pele do rosto, olhos, orelhas e couro cabeludo. A jovem, de apenas 21 anos de idade, tinha se mudado há pouco tempo com a companheira e era uma mulher lésbica não-feminilizada.
Carol foi vista pela última vez quando voltava do trabalho. De acordo com a PM, uma vizinha teria contado que ouviu uma mulher chorando na presença de um homem em uma motocicleta.
Dez dias após o crime brutal contra Ana Caroline, o caso segue em investigação, mas sem suspeito identificado até o momento.
O Dossiê sobre Lesbocídio no Brasil, dados do Núcleo de Inclusão Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro, de 2017, mostra que houve um aumento de 237% em casos de lesbocídio no país em 3 anos, entre 2014 e 2017.
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“Em 55% dos registros de casos de lésbicas mortas entre 2014 e 2017, as lésbicas eram não-feminilizadas”, explica o documento. A mulher lésbica que não segue aos estereótipos de feminilidades, que foram definidos de maneira social ,é considerada não-feminilizada.
Fonte: Metropóles