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Vacina contra herpes-zóster pode ajudar a prevenir demência
Foto: Reprodução

Estudo feito no País de Gales mostra risco 20% menor de ter o problema entre quem tomou vacina; especialista explica relação

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, e da Universidade de Viena, na Áustria, indica que a vacina contra o herpes-zóster pode estar associada a um risco 20% menor de demência.

 

O trabalho, que ainda precisa passar pela revisão dos pares, analisou 300 mil registros de saúde de pessoas do País de Gales, no Reino Unido. O país foi escolhido porque lá a elegibilidade para a vacina para a prevenção do herpes-zóster foi determinada com base na data exata de nascimento. Assim, os nascidos antes de 2 de setembro de 1933 eram inelegíveis, enquanto os nascidos a partir de 2 de setembro de 1933 eram elegíveis para receber a vacina.

 

Dessa forma, o número de vacinados passou de 0,01% entre os pacientes que nasceram antes da data de corte para 47,2% entre aqueles que vieram ao mundo uma semana depois.

 

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“Mostramos que receber a vacina contra o herpes-zóster reduziu a probabilidade de um diagnóstico de demência durante um período de acompanhamento de sete anos em 3,5 pontos percentuais, correspondendo a uma redução relativa de 19,9% na ocorrência de demência”, explicaram os autores.

 

De acordo com a pesquisa, os efeitos protetores da vacina contra a demência são muito mais fortes nas mulheres do que nos homens.

 

No entanto, segundo os próprios cientistas, ainda são necessários mais estudos para determinar os grupos populacionais e o intervalo de tempo ideais para a administração da vacina contra o herpes-zóster para prevenir ou retardar a demência, bem como para quantificar a magnitude do efeito causal quando são utilizadas medidas mais precisas da cognição.

 

CORRELAÇÃO

 

O trabalho acompanha outros estudos que tentam estabelecer uma relação entre as infecções virais e determinadas doenças.

 

“Há um interesse crescente na questão de saber se os agentes infecciosos desempenham um papel no desenvolvimento da demência, com os vírus do herpes a atraírem uma atenção especial”, afirmam os pesquisadores.

 
O infectologista Alexandre Naime Barbosa, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia e professor da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), explica essa relação.

 

— Todo vírus que você controla, mas não consegue erradicar do organismo, como herpes-zóster, Epstein-bar, citomegalovírus, ou HIV, ele consegue se replicar, o sistema imunológico percebe e isso leva a uma inflamação crônica, que é origem de diversas doenças, não só do sistema nervoso central — afirma.

 

Assim, o infectologista avalia que o caminho dessa pesquisa é similar ao de outras e mostra benefícios paralelos das vacinas, além do objetivo principal de proteger da doença ou de sua forma mais grave.

 

— Faz todo sentido. A vacina estimula o sistema imunológico a identificar e diminuir essa replicação. Quanto menos vírus desses latentes você tiver ou conseguir maior controle sobre ele, melhor. Outras linhas de pesquisa em relação a essa vacina da herpers-zóster já mostraram a diminuição de eventos cardiovasculares.

 

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Fonte: O Globo

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