Ceratocone atinge 150 mil pessoas por ano no Brasil, sendo a principal causa de todos os transplantes de córnea no país
O ato de coçar os olhos pode parecer inofensivo, mas é um dos principais fatores de risco para ceratocone. A doença, segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, afeta 150 mil pessoas por ano no Brasil, sendo mais comum no público dos 10 aos 25 anos. O mês de junho foi estabelecido como “Junho Violeta”, que visa conscientizar a população sobre o ceratocone.
A doença costumar surgir na infância, adolescência ou início da fase adulta, mas pode aparecer em todas as idades. “Na maioria dos casos, o ceratocone é hereditário, mas estímulos externos, como, por exemplo, coçar os olhos, podem aumentar as chances de desenvolver o ceratocone, especialmente em crianças e adolescentes”, explica o médico Dr. Fernando Ramalho, especialista em cirurgia refrativa no Oftalmos - Hospital de Olhos, em Santa Catarina.
“Ceratocone não tem cura, mas tem tratamento. Quanto mais cedo for o diagnóstico, maiores são as chances de estabilização do quadro clínico, não sendo necessário o auxílio de cirurgia. A condição é a principal causa de todos os transplantes de córnea no país”, diz Ramalho.
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SINTOMAS

Existem casos de ceratocone subclínico, nos quais não apresentam sintomas e, quando aparecem, podem variar dependendo de quando a doença é descoberta. O especialista do Oftalmos explica que o ceratocone é uma doença bilateral e assimétrica, podendo acometer os dois olhos de forma distinta, em graus diferentes. A principal queixa é a visão embaçada e distorcida, mas também pode ocorrer sensibilidade à luz, comprometimento da visão noturna, visão dupla e poliopia, que é a formação de múltiplas imagens de um mesmo objeto.
TRATAMENTO

Reprodução/Internet
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O tratamento irá depender do nível em que a doença for descoberta, explica o Dr. Fernando Ramalho. “Em alguns casos, principalmente os leves, indicamos o uso de óculos, mas também podem ser usadas lentes de contato. No estágio intermediário, o mais indicado são os anéis intracorneanos, que regularizam a curvatura da córnea. Já nos casos avançados, podemos utilizar o crosslinking, que consiste em uma técnica que fortalece as moléculas de colágeno da córnea. Por último, quando não temos mais opções, realizamos o transplante de córnea”, finaliza o especialista.