Matheus Stein está preso. Ele é suspeito de matar a namorada no Centro de Vitória
Matheus Stein Pinheiro, de 24 anos, é o principal suspeito de matar Ana Carolina Rocha Kurth, da mesma idade, a facadas, na tarde da última segunda-feira (15). O crime aconteceu dentro do apartamento em que morava com a vítima, no Centro de Vitória. Pessoas que conheciam o suspeito disseram que os casos de agressão e assédio não são novidades na vida de Matheus.
Três mulheres que já tiveram relações com o rapaz, e que não quiseram ser identificadas, contaram para a reportagem do MovNews sobre os momentos que passaram com ele e todas as histórias tem um final bem semelhante entre elas.
“Nos estávamos em um ‘date’ e ele me fez uma pergunta extremamente íntima, com um tom de voz bem elevado e muita gente escutou. Virei as costas e fui embora. Foi então que no meio do bar que a gente estava, ele começou a gritar meu nome. Obviamente eu nem olhei para trás, pois estava muito indignada. Acabou que ele arremessou a garrafa de vidro no chão pertinho de mim. Foi então que ele partiu para cima de mim e eu comecei a bater boca com ele. Eu o enfrentei porque somos do mesmo tamanho e creio eu que sou mais forte. Então ele recuou e saiu me xingando pela rua”, relatou a jovem, que vamos chamar de Natasha*.
Veja também

Ela ainda relata que ninguém se prontificou a ajudá-la. “Alguém na rua me ajudou? Coisa nenhuma! Ninguém fez nada. Era eu e eu. Ele pode não estar nos padrões de beleza, porém, a lábia que ele tinha, o jeito de fazer uma mulher se sentir única, era sobrenatural. Um verdadeiro ator”, contou Natasha*.
De acordo com os vizinhos do casal, as brigas entre eles eram constantes e, inclusive, a polícia já chegou a ser acionada algumas vezes. Quando os militares chegavam, no entanto, Ana Carolina afirmava que nada havia acontecido. Momentos antes de ser encontrada morta, vizinhos ouviram gritos e pedidos de socorro por parte dela e, logo depois, viram o rapaz deixando o prédio pela porta da frente. Eles arrombaram a porta do imóvel, com ajuda do pai de Matheus, e encontraram o corpo da jovem.
Conhecido como “Pato rouco” por pessoas que estudavam com ele na faculdade, Matheus Stein tinha esse apelido por conta da voz rouca. Uma outra mulher, que será chamada de Lara*, declarou que se relacionou com o rapaz e que a voz rouca era uma das formas que o suspeito usava para conquistar as mulheres, além de chegar de forma carinhosa, mansa e gentil.
“Ele tem uma lábia muito boa, sempre manso. Ainda mais que a voz dele é rouca. Isso chama muita atenção”, disse Lara*, que ainda concluiu contando como conheceu Matheus e como foi sua relação com ele.
“Ele estudou com meu primo e uns amigos que eu conheço. Eu lembro que a gente se viu no carnaval e nós ficamos, coisa bem rápida. Depois disso, ele começou a me mandar mensagens pedindo fotos (nuas). Só que eu sempre fui pé no chão, nunca gostei muito dessas coisas, por respeito aos meus pais e eu falei que não. Lembro nitidamente dele me xingando de tudo que é nome por eu ter rejeitado o pedido dele. Nosso ciclo de amigos era próximo e eu sempre ficava com medo de encontrar com ele. Por incrível que pareça a gente sempre se via nos carnavais e eu fugia dele. Teve uma vez que ele veio até mim e me xingou muito. Ele veio com ameaça, dizendo que iria me pegar e segurou meu braço. Na mesma hora eu sai correndo do lugar e não tive mais nenhum contato com ele”, comentou Lara*.
Outra moça que conhecia o suspeito há anos, e que será nomeada de Ana Júlia*, explicou que Matheus sempre foi uma criança muito agitada e levava diversas advertências na época da escola. Até a própria Ana Júlia* não escapou dos momentos de “explosão” do rapaz.
“Quando criança, me mudei para Aracruz e perdi o contato com ele. Em 2018 eu me mudei para Vila Velha e acabei encontrando o Matheus em uma festa, em Vitória, e ele me reconheceu. Ficamos falando sobre a infância, outras coisas e acabamos ficando. Foi só um beijo, nenhum problema e depois nos despedimos. Acabou que nos encontramos outras vezes em festas também e sempre ficávamos, mas sem compromisso. Na última vez, foi na saída de um show em uma casa de festas em Vitória. Eu estava esperando o carro que pedi por aplicativo com umas amigas e ele chegou totalmente alterado, agarrando meu braço e falando que ficou me procurando, só que de um jeito agressivo”, explicou a jovem.
Ana Júlia* ainda relatou que, após agarrar seu braço, Matheus tentou beijá-la a força. “Eu o empurrava, pois eu não queria ficar com ele ali na frente das minhas amigas, não era o momento e eu não estava afim. Quando eu falei que não queria ficar com ele, ele começou a insistir para que eu fosse para casa dele e eu sempre respondia ‘não, não quero’. E aí que ele começou a falar mais alto e num tom mais agressivo. Me puxou com força pelo braço e me apertou. Minhas amigas perceberam que não estava legal e me puxaram para a gente sair dali. Ele ficou me xingando enquanto a gente saia e depois disso eu nunca mais o vi”, finalizou.
ATUALIZAÇÃO DO CASO
Matheus Stein Pinheiro se apresentou à Polícia Civil, na manhã desta quarta-feira (17), mais de 24 horas após o crime, onde foi ouvido e liberado. Isso causou uma repercussão nas redes socias, entre pessoas que estavam se perguntando por qual motivo o rapaz não foi preso ao chegar na delegacia. Em nota, a Polícia Civil informou que o suspeito do crime se apresentou espontaneamente na Delegacia de Homicídios e Proteção às Mulheres (DHPM) e apresentou a versão dele sobre os fatos.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram
“A Polícia Civil esclarece que a legislação brasileira estabelece que a prisão de suspeitos só deve ocorrer em situações de flagrante delito ou mediante mandado de prisão em aberto. No caso em questão, não se configurou nenhuma das duas ocasiões. Dessa forma, o depoimento foi coletado na DHPM e o suspeito liberado. O caso segue sob investigação e detalhes serão divulgados em momento oportuno”.
VEJA VÍDEO: