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Ex-candidata a deputada estadual invade área e obstrui rua que dá acesso a escola, igreja e posto de saúde em comunidade perto de Manaus. VEJA VÍDEOS
Foto: Reprodução

Por Xico Nery, correspodente do "PORTAL DO ZACARIAS" no interior do Amazonas - O "PORTAL DO ZACARIAS" foi, no último final de semana que passou, a uma dezena de comunidades ribeirinhas tradicionais de Manaus que são donas de faixas de terras férteis seculares, dentro e fora, de áreas de proteção ambiental (APA) e Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS).

 

Nessas área o "PORTAL DO ZACARIAS" constatou, in loco, que o Estado brasileiro se tornou, nas últimas três décadas, um forte aliado do avanço imobiliário” (principalmente nas duas margens da mesorregião manauara do Rio Negro). E viu que a fiscalização de órgãos de controle (agrário e ambiental) praticamente inexiste.

 

Já na comunidade do bioma Acural, a 20 minutos de barco de Manaus, o "PORTAL DO ZACARIAS" viu e registrou uma ex-candidata derrotada a deputada estadual nas eleições de 2020 cortar o caminho de acesso a escola, igrejas, ao campo de futebol, às áreas de plantio e à Casinha de Apoio à Saúde “Camilo da Silva”, separada, agora, por uma grande cerca de arame farpado e coluna de concreto armado. Ela avançou ainda sobre águas marinhas.

 

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No local, há pouco menos 3,5 anos, a mulher - que se intitula advogada - foi denunciada ao Ministério Público Federal (MPF), à OAB-AM e ao 4º Distrito Naval por invadir áreas ambientais, de marinha e das aldeias Baré, Kokama, Deni e Dessana, que já ocupam o local desde o século passado.

 

No local, a mulher construiu uma casa de campo, com amplo espaço que avança em direção ao igarapé do Acural, onde instalou um flutuante para promover nos finais de semana festas que impedem o acesso dos moradores à escola, ao posto de saúde e ao trabalho na roça.

 

O “PORTAL DO ZACARIAS” foi à região à convite da única organização de defesa dos direitos dos moradores indígenas e não indígenas (estes assentados pela 15ª Superintendência Regional do Incra-AM). No local, reuniu com lideranças da Associação dos Moradores das Comunidades da Região Acural. Lá, ouviu pedidos de socorro, uma vez que “a qualquer momento poderá ocorre um conflito”.

 

Dirigentes da entidade representativa, juntamente com pescadores, hortifrucultores, castanheiros, copaibeiros, andirobeiros, farinheiros, trabalhadores rurais, canoeiros, mais o cacique Agenor Baré, sob orientação do Ministério Público Federal (MPF-AM), acionarão o Incra, o Comando da Marinha, a Polícia Federal e a seção de Direitos Humanos da OAB-AM, para reivindicarem que “uma força tarefa seja formada para conter as coações, constrangimentos e ameaças”, além de um pedido de audiência pública com o efeito de Ação Civil Pública (ACP) à Procuradoria Regional da República (PRR-AM).

 

Nas demais comunidades visitadas, o “PORTAL DO ZACARIAS” anotou novos pedidos de socorro de lideranças em meio ao avanço da especulação imobiliária oriunda da capital Manaus, aém de denunciarem a intrusão do tráfico de drogas na mesorregião ribeirinha do Rio Negro, afluentes e subafluentes, com origem na tríplice fronteira do Amazonas com a Venezuela e a Colômbia.

 

"Tudo isso nas barbas das autoridades", ressaltam lideranças da Comunidade Amazonino Mendes.

 

TRISTE HISTÓRICO

 

Com a implantação de portos e marinas nas terras indígenas secularmente ocupadas mansa e pacificamente pelos povos Walmiri-Atroari, Baré, Deni e outros povos originários no bioma Tarumã Açu e Mirim, a partir das fundiárias do decano Hotel Tropical, as invasões das áreas de proteção ambiental, a maioria dentro e no entorno da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS), mais que dobraram nos últimos quatro anos, o que levou o “PORTAL DO ZACARIAS” a identificar grupos invasores que ainda apostam na fragilidade dos órgãos de controle, sejam municipais, estaduais e/ou da União.

 

“Essa pretensa impunidade é fruto da falta de atuação eficaz de órgãos de controle, entes criados pelo Estado brasileiro e mantidos pelo contribuinte", admitem ex-servidores do antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), sucedâneo do Ibama, com origem nas terras indígenas do Tarumã-Açu e Mirim.

 

Nas demais comunidades, entre as margens do Rio Negro, com áreas de proteção ambiental já demarcadas (Estado e União), apesar dos marcos já instalados, a especulação imobiliária avança, agorarumo a uma ocupação, voraz e feroz, que deve “gerar, possivelmente, algum tipo de conflito armado, em futuro próximo”, preveem ex-servidores do antigo IBDF.

 

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Segundo eles, a obstrução do ramal pela ex-candidata bolsonarista a deputada estadual possibilitou ameaças por telefone de pontos de chamadas da cidade Iranduba, Novo Airão (Ilhas Anavilhanas) e Manaus, alertando os moradores a não denunciarem a mulher.

 

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