O ex-garçom e presidente da GAS Consultoria e Tecnologia, Glaidson Acácio dos Santos, é transferido na manhã desta quarta-feira para a Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. O pedido foi feito pelo juiz da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Marcello Rubioli, há cerca de um mês, e deferida pelo juiz federal corregedor do Paraná, Paulo Sérgio Ribeiro. Por volta das 7h30, o preso deixou Bangu 1, acompanhado de uma forte escolta.
Ele passou pelo Instituto Médico-Legal para exame de corpo de delito antes de embarcar. Glaidson está alguns quilos mais magro. Conhecido como "Faraó do Bitcoins", ele é apontado pelo Ministério Público do Rio como chefe de uma "tropa" armada para monitorar e até matar concorrentes no mercado das criptomoedas. Foi montado um super esquema para a segurança de Glaidson. Além dos policiais federais, policiais penais do Serviço de Operações Especiais (SOE) e da Divisão de Recapturas (Recap) da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) o acompanham da Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino, conhecida como Bangu 1, no Complexo Penitenciário de Gericinó, onde o ex-garçom estava preso, até o avião que o levará para o Paraná. Ele embarcou na Base Aérea do Galeão às 11h48. O voo estava previsto para as 10h, mas houve atraso.
Ao fundamentar o pedido de transferência do "Faraó dos Bitcoins", Rubioli argumentou que Glaidson comandava organização criminosa mesmo preso: "Indiscutível que causa sobremaneira vulnerabilidade não só ao sistema carcerário como à ordem pública a presença do acusado, mormente porque boa parte dos seus sicários se encontram foragidos, entretanto, visitando-o. Além disso é comprovada a tentativa de fornecimento de aparelhos celulares ao mesmo com certeza para que continue a gerenciar a operação não só de fraude ao sistema financeiro nacional como de homicídios e opressões".
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CONTRATAÇÃO DE PISTOLEIROS

Foto:Reprodução
No dia 9 de dezembro do ano passado, o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ) desencadeou a operação Novo Egito, que apontou o envolvimento de Glaidson numa organização criminosa com o fim de "assassinar concorrentes". De acordo com o Gaeco, o "Faraó dos Bitcoins" destinava parte dos recursos obtidos com o golpe da pirâmide financeira, disfarçada de investimentos em bitcoins, para custear aluguel de carros, compra de armas, pagamento de seguranças e contratação de detetives e pistoleiros para garantir a soberania no mercado de pirâmides na Região dos Lagos
As investigações demonstraram que seis das empresas de fachada criadas por Glaidson foram utilizadas para garantir o fluxo financeiro entre o negócio do Faraó, liderado pela GAS Consultoria e Tecnologia, e o “setor de inteligência”. O Gaeco também descobriu que outras duas firmas, a Central Pescados e Alimentos Mourão e a Alfabank Consultoria e Investimentos, serviam para o dinheiro chegar aos executores dos crimes.
A quebra do sigilo telefônico do Faraó revelou que ele recorria a esse “setor de inteligência” para emitir a seus subordinados ordens diretas sobre quais concorrentes deveriam ser “zerados/eliminados”. Em mensagens trocadas com um dos seus comparsas, Ricardo Rodrigues Gomes, o Piloto, Glaidson — utilizando o nome “Souza Santos” — pede ajuda para criar “uma equipe de dez cabeças para fazer uma limpeza em Cabo Frio”.
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Glaidson está preso desde agosto de 2021. Alvo central da Operação Krytpos, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF), ele é acusado de montar uma pirâmide financeira disfarçada de investimento em bitcoins. A Operação Novo Egito é um desdobramento da Kryptos. Atualmente ele está em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), em Bangu 1.
Fonte:Extra