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'Não existe tensão entre Lula e Petro', diz embaixador da Colômbia no Brasil
Foto: Reprodução

Guillermo Rivera, que integrou a delegação colombiana na Cúpula da Amazônia, em Belém, sublinha, no entanto, que seu país defendeu uma declaração final com metas de desmatamento mais ambiciosas (do que Brasília)

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, roubou a cena na Cúpula da Amazônia convocada pelo governo Lula em Belém na primeira semana de agosto, com declarações fortes, entre elas, a de que para governos progressistas pode ser mais difícil adotar medidas drásticas no combate às mudanças climáticas como a proibição de novas explorações de hidrocarbonetos, da qual é defensor.

 

Para estes governos, argumentou o presidente colombiano, "cria-se, então, um outro tipo de negacionismo: falar em transições [ecológicas]". As palavras do chefe de Estado soaram como uma alfinetada em governos como os do anfitrião do encontro, Luiz Inácio Lula da Silva. Mas o embaixador da Colômbia no Brasil, Guillermo Rivera, afirmou ao GLOBO que "essa não foi a intenção de Petro".

 

— A relação dos presidentes Petro e Lula é muito boa, não existe espaço para se pensar em recados camuflados, ou críticas — frisou o embaixador, que reconheceu, porém, que a Colômbia teria gostado de uma declaração final com metas novas e mais ambiciosas, "para impedir que o planeta chegue ao temido ponto de não retorno".

 

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 Na Cúpula Amazônica o presidente Petro defendeu o fim de novas explorações de petróleo na região, mas não obteve o apoio esperado. Isso deixou um sentimento de frustração na delegação colombiana?

 

Não existe frustração, pois a declaração final inclui um parágrafo no qual os países da região se comprometem a iniciar um diálogo para definir, no futuro, o que fazer sobre novas explorações de hidrocarbonetos e minerais.

 

A Colômbia espera, neste diálogo, aproximar posições e chegar a um consenso sobre o assunto?

 

Esta é a primeira vez que presidentes amazônicos incluem numa declaração conjunta algo nessa linha. Por isso, enxergamos um avanço. O governo da Colômbia gostaria de ir um pouco além, mas entende que é necessário alcançar um consenso entre todos os países.

 

O presidente Petro, não somente nesta cúpula, mas em outras, como a de chefes de Estado sul-americanos realizada em maio em Brasília, falou sobre suas preocupações em relação a uma aproximação ao que se chama de ponto de não retorno. A ministra [do Meio Ambiente] Susana Muhamad, que teve um papel central nos diálogos prévios e na própria cúpula, disse algo que é muito verdadeiro: mesmo que nós, os países amazônicos, consigamos conter o desmatamento, restaurar as zonas degradadas da selva e manter uma selva de pé, não será suficiente se os países mais ricos continuarem emitindo o mesmo volume de gases de efeito estufa. Por isso, na declaração também demandamos deles o cumprimento dos compromissos assumidos em outros foros multilaterais.

 

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Também houve uma demanda da região pela ajuda econômica dos países mais desenvolvidos.

 

Sim, e nesse ponto houve consenso pleno. Exigimos dos países mais ricos que cumpram seus compromissos, que assumam uma cooperação mais decidida.

 

Fonte: O Globo

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