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'Não me sinto mais invisível': herói brasileiro em Dublin escreve carta para irlandeses e agradece carinho
Foto: Reprodução

Niteroiense salvou menina de 5 anos e professora que estavam sendo atacadas a facadas em frente a uma escola, no último dia 23

Quase semana após ter impedido que um ataque contra uma menina de 5 anos e uma professora, numa escola de Dublin, na Irlanda, terminasse em tragédia ainda maior, o brasileiro Caio Benício, que ganhou status de herói no país europeu, resolveu escrever uma carta aberta para agradecer o carinho da população irlandesa com ele.

 

O antigo dono de um bar que pegou fogo em Niterói, que agora trabalhava como entregador no país europeu, foi condecorado pelo primeiro-ministro Leo Varadkar e ganhou mais de R$ 2 milhões arrecadados numa vaquinha.

 

"Muito obrigado por serem pessoas tão amáveis e adoráveis. Quando vim para a Irlanda, senti que aqui era a minha casa, escolhi este país; depois dos infelizes acontecimentos, vocês fizeram com que eu me sentisse escolhido por vocês. Suas palavras me fizeram sentir que pertenço a essa sociedade, e já não me sinto mais invisível. Cada abraço que vocês me dão nas ruas tem um significado especial, e cada agradecimento aquece meu coração, cada vez que um pai vem até mim nos emocionamos juntos, conectados pelo coração, não tenho palavras", escreveu.

 

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"Eu diria que todo este amor que vocês estão demonstrando carrega um significado mais profundo. Irlandeses foram oprimidos no passado, então, eu diria que agora vocês estão mostrando a gentileza que deveriam ter recebido lá atrás. Sim, eu falo uma língua diferente. Sim, eu tenho sotaque. Mas eu amo esse lugar tanto que eu defenderia este país como um verdadeiro irlandês faria", concluiu.

 

Após o ataque à escola no Centro de Dublin, uma série de manifestações tomaram as ruas da cidade com posicionamentos xenófobos e contrários à presença de estrangeiros. Isso porque o autor do ataque foi identificado como imigrante. O movimento, que já vinha gerando muita discussão no país, perdeu de vez a força quando veio à tona a participação de Caio na história, imigrante que impediu que uma tragédia maior pudesse ter acontecido. Além disso, as duas vítimas que ele salvou, a professora e a aluna, também são imigrantes. Em entrevista ao GLOBO, na última terça-feira, ele comentou sobre a percepção de que havia se tornado uma espécie de voz para os imigrantes que vinham se sentindo oprimidos.


— Está um turbilhão isso aqui. A minha vida virou de cabeça para baixo de repente e, o que eu percebi, é que caiu no meu colo, por conta dessa minha atitude instintiva, uma responsabilidade muito grande. Está caindo a ficha de que eu não apenas ajudei aquelas pessoas ali na hora, como virei também uma representação dos imigrantes. As pessoas me olham com esperança. Muita gente está vindo na rua me cumprimentar com olhar de gratidão, não só por ter salvo aquelas pessoas, mas por ter sido uma voz aos imigrantes. É um momento difícil, um mundo que está polarizado e, de repente, uma responsabilidade que eu nem pedi caiu sobre meus ombros. E vou ter que lidar. Ainda estou processando qual vai ser a melhor maneira de lidar com essa situação.

 

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Apesar do ato heroico do brasileiro, a criança acabou precisando ser internada. Isso porque o criminoso, que foi detido, já havia desferido ao menos três facadas no momento em que foi impedido. Até última atualização, ela havia passado uma cirurgia no coração e estava em estado considerado crítico. 

 

Fonte: O Globo

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