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'Perdi tudo': Cracolândia tem arrastão e tiro de borracha
Foto: Reprodução

Criminosos arrombaram loja de produtos eletrônicos e levaram tudo; jovem foi ferido com tiro de borracha em outro caso; ninguém foi preso

Em meio à tensão que se tornou rotina para comerciantes e moradores da região, usuários de drogas da Cracolândia promoveram um arrastão e furtaram tudo o que conseguiram de um comércio de produtos eletrônicos, na noite dessa quarta-feira (1º/10), no centro da capital paulista.


Horas antes, no fim da tarde, um rapaz foi ferido à queima-roupa, com um tiro de bala de borracha, disparado, segundo testemunhas, por um guarda civil metropolitano (GCM). Ele teria sido ferido após se negar a sentar no chão, alegando que não queria sujar a roupa limpa.

 

Segundo imagens feitas por uma testemunha, com celular, dezenas de criminosos se concentraram em frente a uma loja de produtos eletrônicos, na Rua Santa Ifigênia, e começaram a golpear a porta do estabelecimento. Em certo momento, os ladrões usam uma porta de armário, que estava em meio a um monte de entulho, ao lado do estabelecimento. O vídeo é interrompido logo depois.

 

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Em foto colorida braço de homem branco com ferimento provocado por bala de borracha - Metrópoles

Foto: Reprodução

 

Após o arrastão, os proprietários da loja foram até o local para conferir o prejuízo. Uma comerciante registrou em vídeo sua revolta.

 

“A Santa Ifigênia está morta. Já não vêm [mais] pessoas passear [na região], não vêm pessoas comprar”, afirmou a vítima do arrastão. Ela acrescentou que criminosos já haviam levado tudo, do mesmo estabelecimento, em 2019.

 

A mulher ainda afirmou que, “diante de tanta tristeza e dor no coração”, vai ter que fechar as portas do comércio, definitivamente, “e procurar outra forma de ganhar a vida”.


“ONGs, parabéns por alimentar eles [usuários de drogas] todos os dias. Agora vão na minha casa oferecer meu pão de cada dia. Dar o pão para a minha filha pequena, [acho que] não vão fazer isso”, desabafou.

 

Os furtos registrados pela Polícia Civil na região aumentaram em 12%, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo, referentes aos meses de janeiro e setembro. Foram 7.772 casos, durante o período em 2022, e 8.703 neste ano. Isso equivale a um furto por hora na região.

 

Horas antes do arrastão, GCMs realizavam abordagens no cruzamento das Ruas dos Gusmões e do Triunfo, a um quarteirão de distância de um dos fluxos de dependentes químicos da Cracolândia.

 

Em condição de anonimato, um comerciante da região afirmou ao Metrópoles, na manhã desta quinta-feira (2/10), que os guardas abordaram um rapaz bem vestido e limpo quando ele passava pelo local.


“O guarda pediu para ele sentar no chão, mas ele se recusou, porque a roupa dele estava limpa e o chão, sujo. Aí ele foi alvejado à queima-roupa, com um tiro de bala de borracha.”

 

Desesperado, o jovem procurou ajuda, correndo para dentro do comércio da testemunha ouvida pela reportagem. “Ele estava com muito medo, mas me deixou tirar uma foto [do ferimento]”. O caso foi revelado pelo jornal Folha de S. Paulo.



O rapaz, que teria afirmado ser dependente químico, ficou no estabelecimento até que uma pessoa conhecida chegou para ajudar. “Depois, houve operação policial na região, confronto de PM com usuários, o de costume no centro de São Paulo”, afirmou a testemunha.


Por meio da SSP, a Polícia Civil afirmou não ter localizado “nenhum registro” do arrastão mencionado nesta reportagem.

 

A pasta da Segurança Pública paulista ainda disse, em nota, que um fluxo de dependentes químicos, que obstruía o cruzamento da Rua General Osório com a Avenida Rio Branco, precisou ser dispersado por policiais militares, por volta das 23h dessa quarta-feira.

 

Alguns dos dependentes, segundo a SSP, jogaram pedras contra os PMs. “Foi necessário o uso de munição de impacto controlado. Até a finalização do chamado, não foram constatados feridos e não houve detidos.”

 

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A GCM não havia se posicionado sobre a conduta do agente que atirou à queima-roupa contra o rapaz até a publicação desta reportagem. 

 

Fonte: Metrópoles

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