Do futsal com Neymar até as passagens por Athletico e Fluminense, jogador detalha caminho no futebol e a marca deixada pelo doping
Se eu pensar que nunca vivi, que nunca fiz as coisas que fiz, vou acabar voltando a fazer. Tenho que contar a minha história porque isso entra como parte do meu tratamento. Vai ter de estar na minha cabeça até o final da minha vida.
Achar que eu vivi e já superei? Não é bem assim. A dependência química é uma doença. Uma doença que a todo momento a pessoa tem de estar ciente e alerta para não acontecer de novo.
As drogas entraram na minha vida a partir dos meus 15 anos. Foi a primeira vez que eu usei droga, e foi muito por causa do álcool.
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O álcool é uma substância lícita que está presente em quase todo lugar e foi a porta de entrada para a cocaína, para a maconha, para outras drogas também. Eu estava em uma casa noturna, na minha cidade, e me apresentaram. Foi a primeira vez que eu usei.
Desassociar isso da minha vida eu sei que não é possível. Sempre falo, abertamente, tudo o que fiz e o que vivi, até para ajudar outras pessoas que podem ter o mesmo problema.
O Rodolfo é um grande goleiro. Uma pessoa muito boa de coração, um cara muito alegre, muito de grupo. Fiz algumas escolhas erradas na minha vida tanto profissionalmente quanto fora de campo, mas quero muito dar a volta por cima. Quero voltar ao topo, e quero voltar porque ainda estou novo.
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Nasci em Santos, no litoral de São Paulo. Minha mãe é paraibana, meu pai alagoano. É uma mistura gigantesca, tenho sangue nordestino. Tenho um irmão, o nome dele é Robson, sete anos mais velho que eu. E tenho um irmão por parte de pai também, mais novo.
Tive que sair de casa com 12 anos de idade. Não tive as figuras materna e paterna desde muito cedo. Eu falava com eles regularmente por telefone. Todas as férias que tinha, eu ia passar com eles, mas você acaba ficando meio solto. Acabam acontecendo coisas na vida de um jogador que, se tivéssemos mais aquele apoio dos pais, perto da gente, poderíamos ser outra coisa.
Eu jogava futsal lá em Santos, no Gremetal, o mesmo time que o Neymar jogou - a gente jogou junto até. Fomos para o futebol de salão do Santos. Só que a turma que jogava comigo foi para o campo do Santos, e eu fui para o campo do São Paulo, e a gente acabou se desencontrando.
Saí com 12 anos de Santos. Fui jogar na categoria de base do São Paulo e, de lá, vim para o Paraná. Moro aqui desde os meus 15 anos.
Eu estudei, terminei o colegial, mas não foi pelos clubes. Quando chega ao profissional, mesmo se não tiver terminado os estudos, você fica meio por conta própria. Os clubes te largam.
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Fotos: Reprodução
Joguei quatro anos no Paraná Clube. Foi o clube onde eu estreei profissionalmente, com 17 anos. Um clube rico, de uma torcida muito acolhedora e forte. Vejo o Paraná nessa situação, hoje em dia, e fico entristecido, por tudo o que aconteceu, pela passagem de dirigentes que tiraram o valor do Paraná Clube. A tristeza bate muito forte.
Depois, fui para o Internacional, em Porto Alegre, e vim para o Athletico, onde fiquei sete anos. O Athletico teve uma importância muito grande na minha vida, profissional e pessoal. Eles não trataram só o atleta, só o goleiro. Trataram a pessoa. É um clube que não forma só jogador. Eu sou grato. Sempre vou ser.
Para aquele Rodolfo, eu diria: tenha mais juízo. Meu conselho é para fazer as escolhas corretas, se privar de bastante coisa, se privar das coisas que - não é que eu não me arrependa - mas eu me privaria. De coisas que fiz lá atrás e hoje não faria mais.
Tenho várias lembranças, mas no meu retorno da suspensão, em 2014, no Athletico, o Campeonato Paranaense para mim foi muito forte. Voltei contra o Prudentópolis, nosso primeiro jogo. Fui muito bem, capitão do time, que era sub-23.
Esse jogo contra o Prudentópolis foi um dos jogos mais marcantes que eu tive na minha vida. Por tudo que eu passei. Sempre lembrava uma frase que o Petraglia falava para mim: "Eu quero te ver jogando de novo com a camiseta do Athletico". Foi uma pessoa que me ajudou muito, no tempo que eu estava no Athletico e também fora.
Em 2018, saber que eu estava indo para o Fluminense foi uma das melhores sensações que eu tive na minha carreira. Eu estava no Oeste, já tinha saído do Athletico, e fiquei sabendo que ia por empréstimo para o Fluminense com opção de compra.
Eu estava muito nervoso no dia que estreei. Foi contra a Cabofriense, Campeonato Carioca, 18 de março de 2018. Mas acabei indo muito bem. Se eu estivesse um pouquinho mais calmo, no gol que eu tomei, conseguiria ler melhor a jogada, e a gente poderia ter saído com a vitória. Mas foi muito bom. Na época o técnico era o Abel Braga, e ele falou que eu fui muito bem no jogo. O treinador de goleiro também gostou muito, o Marquinhos. Eu gostei também, mas se eu estivesse mais calmo seria melhor.
Lembro do primeiro Fla-Flu que eu joguei... Acho que todo jogador sonha em jogar um jogo desse, grandioso, com o Maracanã cheio. Quando eu pisei naquele palco, com aquele tanto de torcida, aquilo ali me marcou, está marcado pelo resto da minha vida.
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Antes do final de 2018, eles já tinham sinalizado que iam me comprar do Oeste em definitivo. Isso me deixou mais feliz ainda. Eu ia ter mais tempo para mostrar meu trabalho, para jogar, para me preparar. O ano de 2018 até a metade de 2019, para mim, foi maravilhoso.
Fonte: GE