A atriz, que interpreta a Maitê em Renascer, da TV Globo, bateu um papo exclusivo com a coluna sobre a cirurgia e a vida profissional
Quatro meses após fazer a cirurgia de redesignação sexual, Gabriela Loran está “vivendo um sonho”.
Foi assim que a atriz, que interpreta a Maitê em Renascer, definiu o que vem sentindo atualmente.
Em um bate-papo exclusivo com a coluna, Gabriela Loran, que nasceu São Gonçalo, região metropolitana no Rio de Janeiro, falou um pouco sobre a repercussão de sua operação, já que vem mostrando os detalhes nas redes sociais; contou sobre os projetos futuros e abriu seu coração sobre como se sentia na infância ao se perceber “diferente”.
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Você ganhou destaque nos últimos dias ao compartilhar detalhes da cirurgia de redesignação. Em que momento na sua vida você percebeu que era uma mulher trans?
Eu sempre soube que era diferente, mas, por falta de acesso à informação, eu não sabia o que era mulher trans na época em que eu me entendi assim. Eu sempre quis ser mulher desde criança. Mas eu lembro de um momento específico quando eu vi Roberta Close pela primeira vez no Ratinho. Foi ali que senti e falei: “Caraca, eu sou igual a ela. Será que quando eu crescer eu posso virar mulher?”. Pensei isso. E, aí, com os meus 18, 19 anos, já entrando na faculdade, eu comecei a ter mais acesso à informação e comecei a entender, realmente, quem eu era e o que era possível fazer.
Sempre tive uma imaginação muito fértil e minha família é repleta de primas, eu sempre tive mais contato com primas. Tenho pouquíssimos primos, se eu não me engano tenho um primo, mas a maioria era menina. E tem as minhas primas mais próximas, que são filhas da irmã da minha mãe, que eu tinha mais liberdade pra poder brincar, minha tia Patrícia. Bárbara. Scarlet, Stefany, eu tinha mais liberdade para brincar com elas. As duas primeiras, especialmente, porque a gente brincava de Três Espiãs Demais e elas nunca viram problema em eu ser menina e elas me enxergavam também como algo muito feminino, sabe? Então, eu sempre tive essa receptividade da minha família, por parte da minha tia e tudo mais. E dentro de casa, com os meus pais, era aquilo. Tipo, os pais sabem, mas às vezes não querem enxergar. Eu tive uma relação mais difícil com o meu pai na infância, mas depois que eu transicionei, meu pai foi o primeiro a me chamar de “filha” e tudo, mas temos questões nesse percurso.
E, na infância, o banheiro sempre foi a minha válvula de escape. Era no banheiro que eu era Gabriela, sem saber que eu era Gabriela. Eu sempre tive o corpo muito feminino, então era no banheiro onde eu tomava banho, olhava meu corpo no espelho, percebia a diferença do meu corpo, colocava a toalha na cabeça, dançava Nina Simone de frente pro espelho. Então, era no banheiro que eu chorava também, ajoelhava e perguntava a Deus por que ele havia me feito diferente e por que eu me olhava no espelho e via uma menina, mas não podia me expressar como uma menina’. Então, desde criança eu tenho essa questão.
Como foi a reação dos seus pais ao saberem que você faria a cirurgia?
Apoio total e receio porque eu escolhi fazer logo em outro país. Em um país em que eu ficaria 25 horas de distância do meu país natal. Então, foi meio apreensivo por conta de ser longe, mas apoio 100% da minha família o tempo inteiro.
Como está a recuperação pós-cirúrgica? Ainda está fazendo algum acompanhamento específico ou vida normal?
Estou voltando à vida normal, já estou 100%. Voltei pras atividades físicas recentemente, bati meus 5km correndo na minha primeira corrida oficial, ganhando medalha. Voltei pra academia, minha alimentação já está normal. O que eu sigo fazendo, obviamente, são as dilatações, que seguem o protocolo de pós-operatório; as limpezas internas do canal vaginal, que a gente faz usando soro fisiológico. Mas, para além disso, uma vida normal. Tive minha primeira vez, já tive minha primeira relação sexual com meu namorado. E sigo conhecendo e entendendo esse novo esse novo processo, saboreando cada descoberta.
O que você levou em consideração quando resolveu fazer a cirurgia de redesignação? Teve dúvidas e pensou em voltar atrás?
Não. O que sempre falo é que eu sempre soube que iria fazer essa cirurgia e sempre tive muita paciência porque queria realizar do jeito que sempre sonhei, que pensei. E assim foi feito. Eu decidi, oficialmente, com quem eu ia fazer há 7 anos, que foi a primeira vez que tive contato com o Kamol [Kamol Cosmetic Hospital, na Tailândia]. Vi notícias, pesquisei sobre, entendi que fazia e que Lea T e Ariadna Arantes haviam feito essa cirurgia com ele. Entendendo também que ele era referência na realização desse procedimento. Então, sempre quis. Na minha vida, por mais que demorem as coisas, faço sempre com muita excelência. Mas eu nunca tive dúvidas e também nunca tive tanta disforia [mudança repentina e transitória do estado de ânimo, tais como sentimentos de tristeza, pesar, angústia] com meu órgão genital anterior, diferente de algumas meninas. Essa cirurgia não é carimbo, não é validação de gênero ou sexualidade, mas sempre tive certeza de que eu faria essa cirurgia.
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Como foi a preparação para a cirurgia? Fez terapia e usou medicações?
Na verdade, você tem que parar um mês antes de tomar as harmonizações, bloqueador de testosterona e hormônio feminino para poder se preparar para a cirurgia. E a preparação: cheguei na Tailândia 3 dias antes da minha cirurgia e comecei o processo lá, que estou mostrando nos vídeos que estou criando pro pro Instagram.
Fonte: Metropóles