Vó, por que a gente tem cera nos ouvidos? Parece que não serve pra nada… só entope o ouvido e suja o nosso dedo.
– Se o corpo a produz é porque deve ter alguma utilidade, respondeu a vovó.”
A resposta simplista da vovó, provavelmente, não satisfaça a curiosidade do neto(a), todavia, contém sabedoria. Considerar que nosso organismo tem partes, segmentos, estruturas desnecessárias seria um pouco de prepotência ou arrogância. Podemos achar que não sejam vitais para a economia do organismo, porém, ainda assim, teria sentido na história evolutiva desse mesmo organismo.
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A atenção aos cuidados de higiene pessoal é o principal mote desta data – Dia do Cotonete, que se comemora em 25 de junho. Limpar os ouvidos é um sinal de higienização, porém, não deve se alinhar como um ato semelhante à lavagem das mãos, ao banho diário, ao escovar dos dentes. A cera do ouvido é fundamental para manter a saúde do sistema auditivo, não deve ser encarada como sujeira. O cerume tem função de proteção e prevenção:
Lubrifica a pele evitando a descamação.
Evita o prurido.
Impede a entrada de bactérias, fungos, insetos, vírus, corpos estranhos, água e por isso é tão importante. Não pode ser totalmente retirada. O cerume tem um PH ligeiramente ácido e contém lisozima que é bactericida.
A limpeza dos ouvidos com hastes flexíveis ou qualquer outro objeto pontiagudo a fim de remover o cerume, pode causar uma lesão ao conduto auditivo, que é muito sensível. Além de otites externas e sangramentos, pode ocorrer a lesão da membrana timpânica, também. Em casos extremos a surdez é uma complicação possível.
O organismo tem um processo eficiente de autolimpeza, sem precisar de ajuda externa, na grande maioria das vezes.
Todas as pessoas produzem cera; algumas mais e outras menos.
Os cotonetes podem piorar a situação ao empurrar a cera para o fundo do canal auditivo, próximo do tímpano.
No caso dos indivíduos que produzem cera em excesso ou possuem o canal auditivo muito estreito, o cerume pode tampar o canal e causar dificuldades na audição e zumbido. Nesses casos é preciso retirar a cera, mas o processo deve ser feito por um especialista, que fará uma lavagem ou aspiração com equipamentos que não irão agredir os ouvidos.
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A limpeza continuada do meato acústico externo com cotonete ou outros objetos pontudos, pode ser indutor de mais produção de cerume.
Após o banho, o ideal é enxugar bem o ouvido com uma toalha, sem introduzir nada nos canais auditivos, limpando somente até onde o dedo alcançar. A umidade contribui para o crescimento de organismos como Pseudomonas aeruginosae Staphylococcus, que são os agentes mais comuns em otites externas.