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85% das cestas de alimentos não foram entregues aos Yanomami pelas Forças Armadas
Foto: Reprodução

Desde que a tragédia dos Yanomami veio à tona, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas, a Funai, se incumbiu de prestar um auxílio humanitário em caráter de urgência total e destinou 4.904 cestas básicas para alimentar os habitantes daquela Terra Indígena localizada em Roraima, no extremo norte do país, distribuídos em 243 comunidades. Para fazer toda a carga de alimentos chegar ao local seria necessária a colaboração logística das Forças Armadas.

 

Só que o que se vê até o momento, segundo uma reportagem do site The Intercept, é uma morosidade imensa por parte dos militares, que em quase duas semanas entregaram apenas 761 cestas, ou seja, 15% do total.

 

A matéria traz ainda imagens que mostram os alimentos empilhados num armazém da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), do Ministério da Agricultura, em Boa Vista, aguardando sua destinação final.

 

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Em decorrência do garimpo ilegal, que invadiu e tomou terras, contaminou solos e rios e impôs violência a essa sociedade originária, a situação dos Yanomami foi ao extremo da negligência criminosa durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), resultando em desnutrição severa nos integrantes desse povo, sobretudo em crianças, mulheres e idosos. Para piorar, a comunidade enfrenta ainda um surto de malária e necessita de remédios para tratamento dos doentes.

 

De acordo com os números da Funai, a distribuição de cestas na região deveria ficar em 423 por dia, número ideal para se conseguir reduzir o problema da desnutrição agravada que ocorre com esses indígenas, mas os dados oficiais do Ministério da Defesa, de acordo com o The Intercept, mostram que desde 1° de janeiro deste ano foram levadas 3.828 cestas pelos militares, o que dá uma média de 85 entregas por dia, quantidade muito inferior à necessária. Para ser mais preciso, 80% menos do que o objetivo.

 

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O pedido de ajuda da Funai foi feito ao almirante Renato Rodrigues de Aguiar Freire, que é o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, e segundo a presidenta do órgão, Joenia Wapichana, foi necessário porque o contrato que a Funai tem com a única empresa aérea que opera naquela área remota “não contempla a necessidade de voos para o atendimento diligente desse momento emergencial”.

 

Fonte: Revista Fórum

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