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85% das mulheres negras que sofrem violência doméstica convivem com seus agressores
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Estudo inédito aponta que uma em cada três mulheres negras em situação de insuficiência financeira já sofreu algum tipo de agressão

Neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, um estudo inédito trouxe à tona a dura realidade enfrentada por mulheres negras vítimas de violência doméstica no Brasil. Segundo os dados, 85% das mulheres negras que sofreram violência doméstica e não têm renda suficiente para viver de forma independente permanecem convivendo com seus agressores. Essa estatística alarmante reforça como a dependência econômica pode ser um fator de aprisionamento em relações abusivas.

 

A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher Negra, conduzida por DataSenado e Nexus em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência, apontou que uma em cada três mulheres negras em situação de insuficiência financeira já sofreu algum tipo de agressão. Para 24% delas, o episódio ocorreu nos últimos 12 meses. Além disso, 27% das vítimas afirmaram não possuir nenhuma fonte de renda, enquanto 39% têm renda insuficiente para sustentar a si mesmas e seus dependentes, totalizando 66% de mulheres sem autonomia financeira.

 

Outro dado que chamou atenção foi a relação entre escolaridade e a busca por apoio legal. Mulheres negras com ensino superior completo registram menos denúncias e pedidos de medidas protetivas do que aquelas com menor grau de escolaridade. Enquanto 49% das vítimas analfabetas e 44% das que têm ensino fundamental incompleto procuraram delegacias, apenas 34% das mulheres negras com ensino superior fizeram o mesmo.

 

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Violência: mulheres negras com pouca renda convivem com agressores |  Agência Brasil

Foto: Reprodução/Internet

 

Essa discrepância sugere que, embora a maior escolaridade ofereça ferramentas para reconhecer situações de violência, também pode estar associada a outras barreiras, como vergonha, preconceito ou descrédito na eficácia do sistema de proteção.

 

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Ainda de acordo com o estudo, que considerou como negras as mulheres autodeclaradas pretas ou pardas, os dados mostram um chamado à ação no combate à violência de gênero e às desigualdades estruturais que afetam mulheres negras. Mais do que nunca, é preciso avançar em políticas públicas que promovam autonomia financeira e o acesso a recursos legais e sociais.

 

Fonte: Correio Braziliense

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