Chegada de Renato Augusto ao tricolor carioca deve levantar novamente a questão
Renato Augusto no Fluminense é a primeira grande movimentação da janela de transferências de verão no Brasil. Menos por cifras envolvidas e mais pela qualidade do novo meia tricolor. A chegada dele é mais uma provocação aos muitos exemplos da inutilidade da pergunta preferida da opinião pública futebolística: "Qual será o time titular?".
É compreensível. Faz parte da nossa cultura do esporte "hierarquizar" jogadores entre titulares e reservas. Carimbar cada atleta com um selo quase que invariável. Ocorre que há cada vez menos exemplos assim por aqui, um fenômeno que já é recorrente em todo o mundo.
Possuímos o pior calendário entre os países mais relevantes do futebol. Em uma nação de dimensões continentais, gramados irregulares e condições climáticas muito diversas, se joga mais e em menores intervalos do que em qualquer outro lugar. E não há previsão de melhora deste cenário.
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Dentro de tal realidade, parece razoável definir uma equipe titular do "1 ao 11"? Não há sequer um time campeão que tenha repetido exatamente a mesma escalação de forma sequencial por pelo menos 30% de uma competição. Além das naturais oscilações técnicas e táticas, que geram mudanças por opção, há o inevitável desgaste, lesões, suspensões.
Pegamos o atual bicampeão nacional Palmeiras como exemplo. Mesmo com a nova formatação tática idealizada por Abel Ferreira nas últimas dez rodadas da competição houve variações. Marcos Rocha ou Luan no trio de zaga é o exemplo. E o próprio Fluminense, campeão da Libertadores. É possível dizer que John Kennedy é um reserva? Ou que Martinelli seja um titular absoluto?
Saindo do Brasil essa questão fica ainda mais nítida. Qual é o time titular da Argentina campeã do mundo em 2022? Molina e Montiel se revezaram na direita. Tagliafico e Marcos Acuña na esquerda. Di Maria fez várias funções no ataque. Entrou e saiu da equipe. Lautaro Martinez e Julian Alvarez alternam na linha de frente albiceleste ou podem até jogar juntos.
O Manchester City campeão de quase tudo na última temporada europeia é mais um exemplo. É preciso abolir a narrativa de que somente a repetição de um único time titular gera conjunto e entrosamento a um time. Não se trabalha mais assim.
O bom funcionamento de um time hoje vem da capacidade de entendimento dos jogadores em cima de uma filosofia buscada pelo treinador, e também do potencial de convencimento e domínio das ferramentas diárias para que os atletas possam absorver tais conceitos. Acabaram os "coletivos" de mais de uma hora entre titulares e reservas.
Tem sido cada vez mais nítido que é necessário ter um grupo entre 15 e 16 jogadores principais em um elenco, e eles formarão diferentes times de acordo com a estratégia traçada para cada jogo, o momento físico da temporada, o casamento de características dentro da própria equipe ou o encaixe com o adversário.
Entender isso é propor debates e questionamentos mais condizentes com o futebol que se prática hoje, seja para quem trabalha profissionalmente com o esporte ou para quem é torcedor, mas busca entender com mais profundidade as decisões tomadas em sua equipe. É necessário desapegar de dogmas que não fazem mais o menor sentido prático.
Renato será titular no Fluminense? Se há um técnico no Brasil que já provou que pode reunir jogadores de menos potência física neste momento da carreira, ao mesmo tempo em uma equipe, este é Fernando Diniz.
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Mas a leitura da chegada do histórico meia do Corinthians ao Tricolor não é essa. É a de que o Fluminense amplia e qualifica o seu grupo de "utilizáveis" em jogos importantes, acrescentando ainda mais às características que o seu treinador prega para o time.
Fonte: GE