Objetos espaciais similares a planetas, do tamanho de Júpiter e sem conexão com qualquer estrela, foram avistados flutuando livremente no espaço pelo Telescópio Espacial James Webb.
O que é intrigante nesta descoberta é que estes objetos parecem mover-se aos pares. Astrônomos estão tentando explicá-los.
O telescópio observou cerca de 40 pares desses objetos em um estudo muito detalhado da famosa nebulosa de Orion.
Veja também

Cientistas criam bactéria capaz de 'comer' plástico e gerar produtos químicos úteis
Outubro terá um eclipse solar; veja data, horário e como assistir ao vivo
Eles foram apelidados de "Objetos Binários com Massa de Júpiter" (JuMBO, na sigla em inglês).
Uma possibilidade é que estes objetos tenham crescido em regiões da nebulosa onde a densidade do material era insuficiente para formar estrelas completas.
Outra é que eles tenham sido produzidos em torno de estrelas e depois ejetados para o espaço interestelar.
“A hipótese da ejeção é a preferida no momento”, diz o professor Mark McCaughrean, consultor científico sênior da Agência Espacial Europeia (ESA) e líder da equipe que fez a descoberta.
"A física dos gases sugere que você não deveria ser capaz de criar objetos com a massa de Júpiter por conta própria, e sabemos que planetas individuais podem ser expulsos de sistemas estelares. Mas como você expulsa pares dessas coisas juntas? No momento, não temos uma resposta. É uma questão para os teóricos."
A nova imagem capturada pelo telescópio é na verdade um mosaico de 700 visualizações capturadas pelo instrumento NIRCam do James Webb durante uma semana de observações.
Para se ter uma noção de escala, uma nave espacial viajando à velocidade da luz levaria pouco mais de quatro anos para percorrer toda a cena. A própria nebulosa está a cerca de 1.400 anos-luz da Terra.
Escondidas nesta cena estão milhares de estrelas jovens. Muitas delas estão rodeadas por densos discos de gás e poeira que podem estar formando planetas — mas, em alguns casos, esses discos são destruídos pela intensa radiação ultravioleta e por ventos fortes impulsionados por estrelas massivas na área.
Usando a notável resolução e sensibilidade infravermelha do telescópio James Webb, os astrônomos conseguiram coletar dados que acrescentam às informações já obtidas por telescópios mais antigos, incluindo o antecessor direto de Webb, o telescópio espacial Hubble.
A nebulosa de Orion, também conhecida por M42, é uma região de formação estelar — a maior e a mais próxima da Terra.
Juntamente com o quarteto de sóis brilhantes no seu centro, denominado Trapézio, esta região do espaço é visível a olho nu como uma mancha no céu.
A nebulosa fica na parte de baixo da constelação de Orion, que leva o nome de um mítico caçador grego. A nebulosa faz parte da “espada” do caçador, pendurada em seu “cinto”.
A astrônoma Heidi Hammel, que não fazia parte da equipe que fez a descoberta, conta da sua reação ao ficar sabendo dos "objetos binários".
“Minhas reações variaram de: 'O quê?!?' para 'Tem certeza?" para 'Isso é tão estranho!' para 'Como os binários podem ser ejetados juntos?'" lembra.
A pesquisadora diz não existem atualmente modelos de formação de sistemas planetários que prevejam a ejeção de pares binários de planetas.
"Mas talvez todas as regiões de formação estelar abriguem esses 'Júpiteres' duplos (e talvez até Netunos duplos e Terras duplas), e simplesmente não tivemos um telescópio poderoso o suficiente para vê-los antes", afirma Hammel.
A Agência Espacial Europeia publicará a imagem completa do M42 em seu portal EsaSky, que permite a qualquer pessoa explorar dados astronômicos disponíveis publicamente.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram
Os artigos iniciais que descrevem a descoberta do JuMBO serão publicados na plataforma arXiv (onde ficam disponíveis estudos ainda sem revisão dos pares) na terça-feira (03/10).
Fonte: BBC