Sem financiamento do governo há oito anos, o barco Sinuelo, que fazia o monitoramento dos tubarões na costa de Pernambuco, está abandonado em Brasília Teimosa, na Zona Sul do Recife. A embarcação, que ajudou a reduzir a incidência de ataques na região, hoje abriga cachorros e entulhos
Em 15 dias, três pessoas foram atacadas em praias do Grande Recife. No primeiro caso, o surfista André Luiz Gomes da Silva, de 32 anos, levou uma mordida em Olinda.
Depois, um adolescente de 14 anos perdeu a perna e a adolescente Kaylane Timóteo Freitas ficou sem parte do braço. Os dois últimos casos foram em Piedade, em Jaboatão, a menos de 500 metros.Nesta quarta-feira (8), a TV Globo esteve no local em que está atracado o Sinuelo. O barco encontra-se bastante deteriorado.
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No convés, foram observados lixo e dois cachorros dormindo. Não havia ninguém vigiando a embarcação, que estava no Rio Capibaribe, entre o Iate Clube e uma fábrica de gelo desativada.Com o Sinuelo, que atuava por meio de uma parceria entre a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e o governo do estado, os pesquisadores capturavam os tubarões, faziam marcações e soltavam eles em correntes para fora do estado. Eram utilizados espinhéis, que são aparelhos de pesca seletiva.
Havia, na época, um convênio entre a UFRPE e a Secretaria de Defesa Social (SDS), que era a responsável pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit).

Cachorros dormindo na embarcação Sinuelo,
no Recife (Foto: Elvys Lopes/TV Globo)
Na segunda-feira (6), o governo transferiu o Cemit para a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade.Lacuna
O professor Paulo Oliveira, do Departamento de Engenharia de Pesca da UFRPE, considera que existe uma lacuna de informações sobre o comportamento dos tubarões.
Isso porque o Sinuelo atuou entre o início dos anos 1990 e 2015, e, desde então, não foram gerados novos dados.

Convés do Sinuelo (Foto: Elvys Lopes/TV Globo)
"Nós temos muitas informações, que foram levantadas de 1992 até 2015. Infelizmente, nós temos a lacuna de 2015 até os dias atuais. Em 2021, aconteceram dois acidentes e recentemente foram três. A falta do monitoramento, a falta do trabalho principalmente de educação ambientalinfelizmente leva a essa situação que tivemos recentemente", explicou o professor.
Na terça-feira (7), o governo do estado também anunciou a reincorporação da UFRPE ao Cemit. Um protocolo de intenções foi assinado entre os dois órgãos, para reiniciar as pesquisas sobre tubarões em Pernambuco.
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"Nós vamos ter ferramentas para dar respostas à população. Quando acontece o incidente com tubarão não é ao acaso. Então existem causas, existem maneiras de a gente minimizar todo esse problema. Com o retorno dessas atividades de pesquisa, eu acho que a gente vai conseguir amenizar todo esse problema", afirmou Paulo Oliveira.
Fonte: G1