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Acordo sobre trégua em Gaza pode ser alcançado 'dentro de dias', afirma dirigente do Hamas no Cairo para negociações
Foto: Reprodução

Israel ainda não se manifestou, mas uma fonte da Casa Branca disse que as condições teriam sido aceitas por Tel Aviv

Um acordo de cessar-fogo temporário entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza “pode ser alcançado em poucos dias” se Israel “aceitar as exigências do Hamas”, afirmou um dirigente do grupo terrorista neste domingo, quando foram retomadas as negociações de uma possível trégua nos combates durante o mês sagrado do Ramadã. Israel ainda não se manifestou, mas uma fonte da Casa Branca disse que as condições teriam sido aceitas por Tel Aviv.

 

— Se Israel aceitar as exigências do Hamas, que incluem o retorno dos palestinos deslocados para o norte de Gaza e o aumento da ajuda humanitária, isso poderá abrir caminho para um acordo nas próximas 24 a 48 horas — disse o dirigente do Hamas, que não quis se identificar, mas segundo o qual o grupo também "está pronto para mostrar flexibilidade" em relação ao número de prisioneiros a serem libertados das prisões israelenses.

 

Os países mediadores, Catar, Estados Unidos e Egito, reuniram-se no Cairo neste domingo para tentar alcançar um acordo antes do Ramadã, o mês de jejum muçulmano, que começa na próxima semana. A proposta, apresentada anteriormente em Paris, prevê uma pausa de seis semanas nos combates e a libertação de 42 reféns em posse do Hamas em troca de prisioneiros palestinos em Israel.

 

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— Os israelenses aceitaram, em princípio, os elementos do acordo — disse um alto funcionário dos EUA no sábado, embora Israel não tenha confirmado a informação.

 

Em entrevista ao GLOBO, no sábado, o major Rafael Rozenszajn, porta-voz das Forças Armadas de Israel, disse que "a guerra pode acabar amanhã, se o Hamas devolver todos os reféns".

 

No ataque dos comandos do Hamas em solo israelense em 7 de outubro, cerca de 1.160 pessoas foram mortas, principalmente civis, segundo uma contagem da AFP baseada em dados israelenses. Depois de uma trégua no fim de novembro que permitiu a troca de mais de 100 reféns por 240 presos palestinos, Israel calcula que 104 — incluindo o brasileiro Michel Nisenbaum — ainda estão em Gaza, onde também estariam 32 corpos.

 

Apesar das negociações em andamento, houve bombardeios durante a noite nas cidades de Khan Younis e Rafah, no sul da Faixa de Gaza, de acordo com um correspondente da AFP. Segundo o governo do Hamas, no poder no enclave desde 2007, também foram registrados ataques aéreos em Jabaliya, Beit Hanoun, Zeitun e Tal al-Hawa, no norte.

 

Em quase cinco meses de guerra, as operações militares em retaliação ao 7 de outubro deixaram 30.410 pessoas mortas na Faixa, a maioria civis, de acordo com o último balanço do Ministério da Saúde do território. Apenas nas últimas 24 horas, 90 pessoas foram mortas, 14 delas membros da mesma família em um bombardeio em Rafah.

 

O conflito também causou uma catástrofe humanitária e a fome é "quase inevitável" para 2,2 milhões de pessoas, a grande maioria da população de Gaza, segundo Jens Laerke, porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha). O Ministério da Saúde do Hamas relatou a morte de 16 crianças por "desnutrição e desidratação" nos últimos dias.

 

O Conselho de Segurança da ONU pediu no sábado a entrega de ajuda humanitária em "grande escala".

 

Confrontados com dificuldades na entrega de ajuda por via terrestre à Faixa de Gaza, sitiada por Israel, os EUA lançaram uma ajuda aérea no sábado com 66 pacotes contendo 38 mil refeições alimentares na Faixa de Gaza, em uma operação em colaboração com a Jordânia, segundo um oficial militar americano.

 

O fornecimento de ajuda por via terrestre, que depende da autorização israelense, entra a conta-gotas no minúsculo território, principalmente através de Rafah, do Egito. Os combates, bombardeios israelenses, detritos nas estradas e, por vezes, saques tornam muito perigoso levar ajuda para o norte da Faixa.

 

Uma distribuição de alimentos na Cidade de Gaza terminou em tragédia na quinta-feira. Autoridades palestinas acusaram Israel de disparar contra pessoas aglomeradas que esperavam para pegar suprimentos de um comboio humanitário, deixando ao menos 112 mortos e 760 feridos, segundo o Ministério da Saúde. Além de negar os disparos indiscriminados, as Forças Armadas de Israel afirmaram que as mortes decorreram de uma debandada e de atropelamentos durante a entrega de alimentos.


Uma equipe da ONU disse ter encontrado um "grande número" de ferimentos a bala em um hospital da cidade onde muitas das vítimas foram internadas. A comunidade internacional exige uma investigação independente dos fatos.

 

O Papa Francisco apelou neste domingo para o "acesso seguro" à ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

 

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— Carrego no meu coração todos os dias, com dor, o sofrimento da população na Palestina e em Israel devido às hostilidades em curso — disse o Papa depois de rezar o Angelus na Praça de São Pedro, no Vaticano. — Encorajo a continuação das negociações para um cessar-fogo imediato em Gaza e em toda a região, para que todos os reféns [israelenses] sejam libertados e devolvidos às suas famílias, que os esperam com angústia, e que a população civil [de Gaza] possa ter acesso seguro à ajuda humanitária de que tanto necessita. Chega, por favor, parem. (Com AFP) .

 

Fonte: O Globo

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